Prestes a assumir o comando do Podemos em Mato Grosso, o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (PSB), afirmou que o presidente regional do PL, Ananias Filho, cumpre seu papel ao defender o partido como referência da direita no estado, mas ponderou que nenhum campo ideológico pertence a uma única sigla.
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A declaração ocorre após Ananias afirmar, em entrevista ao
Olhar Direto, que o PL é a “casa da direita” e que os pré-candidatos Wellington Fagundes ao governo e José Medeiros ao Senado largariam em vantagem em razão da identificação do eleitor com o partido. Segundo ele, legendas como Republicanos, União Brasil e MDB sofreriam rejeição por manterem espaços no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Questionado sobre o posicionamento, Max disse que a estratégia é legítima do ponto de vista partidário, mas discordou da tese de exclusividade ideológica. “Ninguém é dono da direita, ninguém é dono da esquerda. Quem acredita numa política voltada à esquerda tem que ser respeitado. A mesma coisa os vários atores que trabalham no aspecto da direita”, afirmou.
Segundo ele, não cabe a um partido ou parlamentar reivindicar para si a representação única de um espectro político. “Eu particularmente não acho que um partido seja dono da direita. Todos aqueles que acreditam nessa ideologia fazem parte”, declarou. Para Max, o mesmo raciocínio se aplica à esquerda e ao centro.
O presidente da Assembleia reconheceu, no entanto, que o discurso pode ter efeito eleitoral. “Eleitoralmente isso é muito positivo. Se você assumir que o seu partido é o único partido de direita, você ganha com isso, porque atrai votos com essa ideologia maior para o seu partido”, disse. Ainda assim, reforçou que não concorda com a exclusividade defendida pelo PL. “Não vejo que só dentro do PL tenha pessoas que acreditam na direita.”
Max também avaliou o cenário para as eleições gerais de outubro e admitiu a possibilidade de manutenção da polarização ideológica registrada nos últimos pleitos. Na análise dele, a identificação partidária tende a ter peso maior nas eleições proporcionais.
O debate ocorre em meio à movimentação de pré-candidaturas ao governo e ao Senado em 2026. Além de Wellington Fagundes, estão no cenário nomes como Otaviano Pivetta (Republicanos) e Jayme Campos (União) para o Executivo. Na disputa ao Senado, além de Medeiros, são citados Mauro Mendes (União), Janaina Riva (MDB) e Antonio Galvan, que busca legenda.
Ao comentar a polarização nacional, Ananias sustenta que o eleitor tende a associar o PL ao campo conservador, mesmo com candidaturas de direita em outras legendas. Max, por sua vez, defende que o espaço ideológico é compartilhado e que a disputa deve ocorrer no voto, sem reivindicação de propriedade política.