O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) instaurou uma sindicância para apurar as circunstâncias da morte da empresária Jéssica Santiago, de 33 anos, ocorrida no último dia 17 de fevereiro em um hospital de Tangará da Serra (245 km de Cuiabá), durante a realização de um procedimento cirúrgico estético.
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Em nota, o CRM-MT informou que, ao tomar conhecimento do óbito, deu início ao procedimento preliminar de investigação, que tem como objetivo verificar se houve eventual infração ao Código de Ética Médica por parte dos profissionais envolvidos.
"A sindicância é o procedimento preliminar utilizado pelos Conselhos de Medicina para investigar possíveis irregularidades no exercício da profissão", esclareceu o órgão, ressaltando que todos os procedimentos tramitam sob sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional, "a fim de garantir a adequada apuração dos fatos e preservar as partes envolvidas".
Paralelamente à apuração do CRM, o caso também já foi investigado pela Polícia Civil.
Durante o curso das investigações foram realizadas diversas diligências, incluindo a coleta de depoimentos, requisição de prontuários médicos e documentos hospitalares, bem como a realização de exames periciais pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
Conforme apontado no Laudo de Exame Necroscópico e em laudo pericial complementar, a causa da morte foi identificada como pneumotórax bilateral decorrente de perfuração da parede torácica posterior, lesão compatível com instrumento cirúrgico utilizado no procedimento estético realizado.
A análise pericial estabeleceu nexo técnico entre o procedimento cirúrgico e as lesões identificadas, que resultaram em grave comprometimento da função respiratória e, posteriormente, no óbito da paciente.
Diante do conjunto de elementos informativos reunidos durante a investigação, a autoridade policial responsável concluiu pelo indiciamento de dois profissionais médicos, em tese, pela prática do crime de homicídio culposo, caracterizado por imperícia na execução do procedimento.
O inquérito policial foi devidamente concluído e encaminhado ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso, a quem compete a análise das provas produzidas e a adoção das medidas judiciais cabíveis.
A Polícia Civil destacou seu compromisso com a apuração técnica e imparcial dos fatos, sempre respeitando o devido processo legal e os direitos fundamentais das pessoas envolvidas.