O secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, afirmou que conflitos internacionais e disputas comerciais podem afetar a cadeia do agronegócio do estado, principalmente na logística marítima e no fornecimento de insumos. A avaliação foi feita durante entrevista ao PodOlhar.
Segundo o secretário, Mato Grosso tem forte inserção no comércio internacional e mantém relações comerciais consolidadas com mercados da Ásia e do Oriente Médio. “O grande parceiro comercial de Mato Grosso é a China e o Oriente Médio, disparado”.
Miranda explicou que o comércio exterior do estado ocorre principalmente por meio de negociações diretas entre empresas e que o governo estadual não interfere nessas transações. “É comércio, é negócio. É uma relação comercial entre empresas chinesas e empresas mato-grossenses. É oferta e procura”.
Ele citou como exemplo a mudança no ranking de compradores da carne bovina produzida no estado. De acordo com o secretário, o Egito passou recentemente da sétima para a segunda posição entre os principais destinos da proteína mato-grossense.
Apesar da ampliação de mercados, Miranda afirmou que o cenário internacional tem apresentado sinais de instabilidade que podem impactar cadeias produtivas ligadas ao agronegócio.
Entre os fatores de preocupação estão conflitos no Oriente Médio e tensões envolvendo rotas estratégicas do comércio global, como o Estreito de Ormuz, por onde passa parte significativa do transporte de petróleo e fertilizantes. “O problema não é apenas fertilizante. Estamos começando a ter dificuldade na logística marítima exatamente para aquela região onde estão nossos grandes compradores, como China, Índia e Oriente Médio”.
Segundo ele, a dependência de rotas marítimas e de insumos importados pode gerar efeitos indiretos na produção agrícola, especialmente em momentos de instabilidade geopolítica.
Miranda também citou a política tarifária adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou ao centro do debate internacional após medidas comerciais direcionadas a diversos países.
De acordo com o secretário, no caso específico de Mato Grosso, os efeitos diretos foram limitados. “O Mato Grosso em si não foi atingido em nada relevante. Nossa exportação de carne bovina para os Estados Unidos é pequena”.
Ainda assim, ele destacou que decisões de grandes economias podem gerar efeitos indiretos no comércio global. “São situações que podem prejudicar o mundo inteiro. Quando há tensão internacional, o impacto acaba chegando em vários lugares da cadeia econômica”.
Miranda também mencionou a elevação recente no preço do petróleo e seus reflexos sobre combustíveis e transporte internacional. Segundo ele, nos Estados Unidos o aumento no valor da gasolina já provoca impactos econômicos, enquanto na Europa a alta no preço do gás natural pressiona setores industriais e de energia.
“São movimentos que acabam afetando toda a economia mundial”, afirmou.
Apesar do cenário de incerteza, o secretário avaliou que o Brasil possui vantagens estruturais na produção agropecuária, principalmente em relação a países do hemisfério norte. Ele explicou que regiões como os Estados Unidos enfrentam limitações climáticas que reduzem o número de ciclos produtivos ao longo do ano.
“Lá eles têm uma safra por ano. Depois vem o inverno rigoroso. Aqui nós temos duas safras, com plantio direto. Isso faz diferença na produção”, disse.
Miranda também ressaltou que o país mantém condições naturais favoráveis para a produção agrícola em grande escala. “O Brasil tem clima e território que favorecem a produção. Isso nos coloca em posição relevante no mercado global de alimentos”.
O secretário destacou ainda que, diante de mudanças no cenário internacional, cabe ao governo federal atuar na abertura de mercados e na construção de acordos comerciais. Na avaliação dele, esse trabalho tem sido conduzido por meio de negociações diplomáticas e comerciais com diferentes países.
Miranda citou como exemplo as tratativas com a China para ampliação da cooperação econômica, incluindo o comércio de etanol brasileiro. Segundo ele, a expansão dessas parcerias pode ampliar oportunidades para estados produtores como Mato Grosso, que concentra parte significativa da produção de milho e derivados utilizados na fabricação do combustível.
“O governo federal tem esse papel de abrir mercados e construir relações bilaterais. Muitas vezes os estados iniciam esse processo, mas é a União que formaliza os acordos”, afirmou.
Para o secretário, a combinação entre produção agrícola, abertura de mercados e adaptação às mudanças do cenário internacional será determinante para manter a competitividade do agronegócio mato-grossense nos próximos anos.
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