O secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, César Miranda, afirmou que o processo de industrialização e verticalização da produção no estado enfrenta desafios estruturais, principalmente nas áreas de energia elétrica e mão de obra. As declarações foram feitas durante entrevista ao PodOlhar.
Segundo o secretário, o desenvolvimento industrial ocorre como consequência de uma sequência de etapas econômicas e estruturais, que passam pela abertura de novas áreas, expansão da agropecuária, consolidação da produção agrícola e melhoria da infraestrutura logística.
“A industrialização é consequência. Primeiro vem a ocupação econômica, depois a produção agrícola e, com estrutura adequada, chega a indústria”, afirmou.
Miranda citou investimentos em infraestrutura que, segundo ele, contribuíram para criar condições para a verticalização da produção em Mato Grosso. Entre eles, destacou a expansão da rede elétrica iniciada em gestões anteriores, como a do ex-governador Jayme Campos (União), e obras de logística executadas nos últimos anos.
Entre os projetos mencionados estão a construção da Ferrovia Estadual de Mato Grosso, viabilizada durante o governo de Mauro Mendes (União) com apoio político do senador Jayme Campos, além da implantação da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), que deve chegar ao município de Água Boa.
O secretário também citou a duplicação da BR-163, após a concessão da rodovia ser assumida pela empresa Nova Rota do Oeste, controlada pelo governo estadual.
Segundo ele, a melhoria da logística tende a estimular a instalação de indústrias ligadas ao processamento de produtos agrícolas, que atualmente representam um dos setores que mais geram empregos no país.
Apesar desse avanço, Miranda afirmou que o fornecimento de energia elétrica ainda representa um obstáculo para novos investimentos industriais. Ele explicou que Mato Grosso é produtor e exportador de energia, mas enfrenta limitações na infraestrutura necessária para atender grandes empreendimentos.
“O estado tem energia, mas muitas vezes não tem o rebaixamento da rede para atender a indústria”, detalhou.
De acordo com o secretário, um investimento estimado em cerca de R$ 2 bilhões deixou de ser instalado em Mato Grosso por falta de estrutura energética adequada. O projeto seria um data center planejado para a Zona de Processamento de Exportação de Cáceres.
Segundo ele, o empreendedor avaliou que o custo de construção de uma linha de transmissão própria inviabilizaria o empreendimento, mesmo com incentivos fiscais oferecidos pela ZPE.
Miranda citou ainda dificuldades enfrentadas por indústrias já instaladas no estado. Como exemplo, mencionou uma empresa do setor de processamento de algodão instalada em Nova Mutum, que precisa utilizar geradores próprios quando há instabilidade na rede elétrica.
O secretário afirmou que a expansão da rede de transmissão exige investimentos elevados e depende de mudanças na política energética nacional.“Qualquer linha de transmissão pode custar mais de R$ 1 bilhão. A rede muitas vezes não suporta a demanda industrial”.
Segundo ele, uma das alternativas seria a criação de um programa nacional voltado à expansão da infraestrutura energética para a indústria, semelhante ao programa Luz para Todos, que ampliou o acesso à eletricidade em áreas rurais do país.
Outro desafio apontado por Miranda é a escassez de trabalhadores disponíveis para diferentes setores da economia. Ele afirmou que a falta de mão de obra ocorre em diversas áreas e tem sido registrada por empresas da indústria, comércio e agronegócio. “Falta trabalhador e, quando aparece, muitas vezes precisa de qualificação”.
De acordo com o secretário, o governo estadual tem desenvolvido programas de capacitação em parceria com instituições do sistema S, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural e o Serviço Social do Comércio.
As iniciativas buscam preparar profissionais para atuar em diferentes setores econômicos, incluindo indústria, serviços e atividades ligadas ao agronegócio.
Mesmo com os programas de formação, Miranda afirmou que o crescimento econômico do estado tem gerado demanda superior à disponibilidade de trabalhadores.
Ele também citou fatores sociais que, segundo ele, influenciam o mercado de trabalho. Entre eles, mencionou a dificuldade de contratação formal em alguns casos em que trabalhadores receiam perder benefícios sociais ao registrar vínculo empregatício.
Durante a entrevista, o secretário relatou situações em que candidatos a emprego preferem manter atividades informais para não perder programas assistenciais. Além disso, ele afirmou que a qualificação profissional ainda é um desafio em parte da população economicamente ativa.
Miranda também comparou o cenário brasileiro com o de países desenvolvidos, onde serviços considerados básicos tendem a ter custo mais elevado devido à qualificação da mão de obra e ao menor número de trabalhadores disponíveis para determinadas funções.
Segundo ele, o crescimento econômico de Mato Grosso tem ampliado desafios estruturais ligados à expansão da atividade produtiva, como necessidade de armazenamento da safra, oferta de energia e formação de profissionais.
“O estado cresce no maior ritmo do país e isso traz desafios proporcionais, como energia, armazenagem e mão de obra qualificada”, afirmou.
Para o secretário, a superação desses obstáculos depende de investimentos em infraestrutura, mudanças regulatórias e ampliação de políticas de qualificação profissional.
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