A senadora Margareth Buzetti (PP) radicalizou o discurso contra a representatividade trans na Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados, que elegeu Érika Hilton (Psol) como presidente. Em corte ‘lacrativo’ nas redes sociais, Buzetti apresenta critério bem simplificado do que, na visão dela, deve ser baliza para admissão na Comissão da Mulher: qual médico a pessoa frequenta. Para a parlamentar, a população trans deve ter espaço restrito a fóruns de discussões sobre diversidade. “Eu não quero ser uma pessoa que gesta. Eu sou mulher, eu gestei porque eu tinha útero. Ela não tem e nunca vai ter. Esse é um direito meu, é um direito de todas nós e ela não pode tirar esse direito. Que tenha a comissão da diversidade, respeito a deputada, mas ela tem que respeitar o nosso direito, porque quando ela tiver 40 anos, ela não vai no ginecologista, ela vai ter que ir no proctologista e nós vamos ao ginecologista”, declarou.
Apesar de proctologistas também atenderem mulheres cis e do termo pessoa que gesta não ser para excluir mulheres cis, mas para incluir em determinados debates a presença de homens trans e pessoas não-binárias que podem engravidar, a senadora conseguiu o que provavelmente queria: destaque nas redes. Em poucas horas, o corte ‘lacrativo’ superou – e muito – o alcance médio das publicações dela. É ficar de olho para ver se a parlamentar vai rasgar de vez o tom moderado e radicalizar neste ano de eleição em troca de votos que lhe garantam uma primeira vitória nas urnas que não seja a reboque de ouro nome. Margareth foi eleita suplente de Carlos Fávaro (PSD) na última eleição e virou senadora após o parlamentar virar ministro do governo Lula (PT).