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Segunda-feira, 16 de setembro de 2019

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Hidrelétrica Teles Pires enche reservatório sem terminar a supressão vegetal; veja fotos

De acordo com o licenciamento expedido pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), todas as árvores e galhadas devem ser suprimidas para evitar, no futuro, o ‘efeito estufa’ (o gás carbônico é emitido quando folhas e plantas apodrecem dentro dos rios).

De Sinop - Alexandre Alves

18 Jan 2015 - 17:20

Foto: Alexandre Alves - Olhar Direto

Usina está com reservatório praticamente cheio, mas a empresa não fez toda a supressão vegetal, causando dano ambiental

Usina está com reservatório praticamente cheio, mas a empresa não fez toda a supressão vegetal, causando dano ambiental

A Usina Hidrelétrica de Energia (UHE) Teles Pires iniciou, no final de 2014, o enchimento do reservatório do empreendimento energético, que está em fase final de construção no município de Paranaíta (860km ao Norte de Cuiabá). Após entrar em operação com todas as turbinas, a usina terá capacidade para gerar 1.820 megawatts de energia.
 
No entanto, há suspeita que a supressão vegetal (retirada de toda a vegetação na área atingida pela represa) não tenha sido efetuada corretamente – ou fora feita parcialmente. De acordo com o licenciamento expedido pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), todas as árvores e galhadas devem ser suprimidas para evitar, no futuro, o ‘efeito estufa’ (o gás carbônico é emitido quando folhas e plantas apodrecem dentro dos rios).

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A desconfiança de que algo está errado partiu de uma fonte de Olhar Direto que sobrevoou a região da UHE na primeira semana de janeiro. Ao observar galhadas e até toras de madeira boiando, a fonte fotografou e encaminhou à reportagem. “Fiquei espantado ao ver o avanço da água da represa sem a supressão vegetal estar concluída”, disse. 

O biólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Philip Fearnside comentou, ao Olhar Direto, em entrevista por telefone, que o acompanhamento feito por ele nas questões ambientais da UHE Teles Pires revela que mais da metade da vegetação não será retirada.
 
“A área total a ser inundada é de 9.4 mil hectares. Um cálculo feito pelo Instituto Centro de Vida a partir de uma imagem de satélite de setembro de 2014 indica que ainda havia 6.4 mil hectares de floresta não desmatada na área da represa dessa UHE”, diz Philip. “E aparentemente nada será feito para evitar isso”, comenta Fearnside, que também é membro da Academia Brasileira de Ciências.
 
Procurada, a superintendência do Ibama em Mato Grosso informou que todos os procedimentos envolvendo a UHE Teles Pires são feitos pela diretoria de licenciamento, em Brasília. “A diretoria possui uma equipe de analistas ambientais que verifica as condicionantes do licenciamento e se o que está sendo praticado está de acordo com a legislação”, informou, reforçando que eventuais danos ambientais são passíveis de multa e até de embargo.
 
Olhar Direto também manteve contato com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). A secretária Ana Luiza Ávila Peterlini informou que já determinou a tomada de providências.
 
O secretário executivo da Associação dos Municípios Impactantes por Usinas (Amiu), Rogério Rodrigues, preferiu não se manifestar com relação à UHE Teles Pires, mas disse que acompanha com preocupação o processo de supressão vegetal nas usinas de Colíder e Sinop. “Há suspeita que toras e o material sem fim comercial estejam sendo enterrados na UHE Colíder, o que pode também causar efeito estufa após o enchimento do lago”.
 
Outro lado
 
Durante a quinta e sexta-feira (15 e 16 de janeiro), respostas foram buscadas junto à UHE Teles Pires. A assessoria de comunicação ficou de retornar o contato para responder aos questionamentos, mas, até à tarde de sexta-feira, isso não ocorreu.

* A reportagem do Olhar Direto sobrevoou a área neste domingo à tarde e constatou o crime ambiental, conforme as fotos a seguir.

23 comentários

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  • marcio
    27 Fev 2015 às 21:07

    Porque exploramos energia com hidrelétricas,sendo que no Nordeste,poderemos explorar energia solar em ambulância.no SP já começou a crise da água em pouco tempo não teremos água para beber e não vamos saber o gosto de um saboroso peixe ,teremos que buscarmos em Marte dizem que tem água,vamos buscar peixe ou construir hidrelétrica ah,espero que isso não aconteça ,e que a inteligência do homem supera a sua ganância,Espero que a futura gerações possam disfrutar de um lindo planeta que conhecemos.

  • valdinei
    17 Fev 2015 às 16:51

    De vez o governo investir em energia alternativa como a solar, fica fazendo um monte de barragens, ferrando a flora e fauna, da uma seca ferrou-se. No Nordeste brasileiro, o ano todo faz sol forte, local que pouco chove, e a parte de baixo do pais tem que manter a energia de la. Se tivesse estações de energia solar iria de grande ajuda, desde para contribuição para a natureza como tb o aumento de empregos em uma região que pouco tem.

  • w. ambieltal
    23 Jan 2015 às 22:48

    Se estão "afogando" parte da área de alagamento não desmatada (em desconformidade com a lei), temos um sério problema: Esta vegetação não desmatada já recebeu do Ibama a Autorização para Supreção de Vegetação. Com esta autorização, Já foram CREDITADOS para o empreendedor uma considerável Volumetria de Madeira, como um "cheque em branco". Estes créditos de madeira Não serão devolvidos!!! (pq seria o mesmo que admitir o crime de não retirar a madeira da área alagada). Resultado (como já ocorreu em outros empreendimentos hidroelétricos): Estes créditos vão para o "mercadão ilegal" e CERTAMENTE serão usados para acobertar madeiras retiradas ilegalmente de teras indígenas, etc... E agora??? Com a palavra o senhor superintendente do ibama no MT sr. "BNN de PJM" ou "Mr Keynes".....

  • Mireli
    21 Jan 2015 às 15:00

    O QUE DIZER VENDO ISTO ACONTECER NO MEU ESTADO ... PRÓXIMO A MINHA CASA ? PALAVRAS TALVEZ NÃO EXPRESSEM O QUE ESTOU SENTINDO ... É UMA VERGONHA !! ONDE ESTÁ A FISCALIZAÇÃO ? IBAMA SEMA ...COMO DEIXARAM CHEGAR A ESTE PONTO ?? TEVE QUE SER VISTO POR OUTROS EM VEZ DO IBAMA FISCALIZAR ... ODEBECHT CHEGOU AQUI PROMETENDO MUNDOS E FUNDOS MAS ESTÁ AI O PAGO QUE ESTAMOS TENDO COM ESSA USINA ... UM DOS DAQUI A ALGUNS ANOS (ACHO QUE NEM ISSO) NÃO TERÃO INÚMERAS ESPÉCIES MAS AQUI NO MT ...PEIXES , REPTEIS , MAMÍFEROS, EXISTEM INÚMERAS QUE AINDA NÃO FORAM CATALOGADAS ... EU COMO FUTURA BIÓLOGA ME SINTO MAL ... TRISTE EM VER ESSAS IMAGENS ... EU ESPERO NO FUTURO PODER AJUDAR A MINIMIZAR TAMANHA CRUELDADE COM O MEIO AMBIENTE ... QUERO VER O QUE VAI SER FEITO A RESPEITO DISSO E O QUE A UHE TELES PIRES IRA DIZER SOBRE!

  • Edu
    21 Jan 2015 às 09:15

    Pode ser responsabilidade do IBAMA licenciar, mas e a SEMA? Também é órgão fiscalizador e tem atuação suplementar ao órgão federal. Ainda mais considerando que os danos e impactos estão sendo causados em MT. Observem que a SEMA está autorizando a execução de uma linha de transmissão emergencial ligando a UHE Teles Pires até Sinop. Tudo na base da "urgência". Ou seja, mais concessões para a empresa, sem cobrar o mínimo exigido no licenciamento e as reparações ao meio ambiente.

  • Paulo
    20 Jan 2015 às 10:13

    O que é emitido quando as "folhas e galhos apodrecem dentro do rio" é metano, muito mais grave para o aquecimento global - aliás o aquecimento global é que tenta ser evitado, ou desacelerado, e não o efeito estufa.

  • andes
    19 Jan 2015 às 17:44

    Cadê o Ministério Público, cadê o Procurador Geral?Olha eu já desisti do Mato Grosso, do Brasil, só estou aguardando a minha aposentadoria e vou vazar desse país de faz de conta, ooooooo "paízinho" ruim de doer!

  • PAULO ROBERTO DE ALMEIDA
    19 Jan 2015 às 16:23

    É falta de comprometimento de todos os "responsáveis"? com obrigação de fazer a fiscalização. Quem assinou e autorizou o enchimento do reservatório sem o subsídio da inspeção de campo, que verifica se as atividades estão executadas conforme o previsto? Alguém tem que ser responsabilizado, no mínimo sendo demitido por incompetência. As fotos são bem reveladoras!

  • JOÃO CARLOS
    19 Jan 2015 às 13:35

    A usina possui um Programa de Desmatamento onde estão previstas todas as medidas mitigadoras de controle e prevenção de impactos e pelo visto a usina não seguiu o que cpmprometeu com o IBAMA, portanto esta facil apurar e detectar este crime ambiental. Uma das causas é que a usina diminuiu demais o desmatamento pela questão de custos argumentando que o volume e qualidade da água é o suficiente para eliminar os gases oriundos da vegetação e a outra causa foi a falta de limpeza das galhas e das madeiras suprimidas na área do reservatório, tudo pela redução de custos e lucro fácil. Com a palavra o IBAMA órgão fiscalizador devido a usina ser construida num manancial federal que é o rio Teles Pires. A sociedade que os Ministerios Públicos Estadual e Federal fiscalize se a usina cumpriu os programas ambientais e sociais contidos no Projeto Básico do empreendimento.

  • Manoel Pescador
    19 Jan 2015 às 11:08

    CADÊ AS LEIS DE NOSSO PAÍS ????

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