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Segunda-feira, 26 de julho de 2021

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'FORTUNA SUJA'

Suspeitos presos hoje em Sinop estavam com R$ 13 milhões

Dos quatro presos nesta terça-feira sob força de mandado judicial, três são da mesma família e moravam em uma casa avaliada em mais de R$ 500 no Jardim Maringá. Na residência os policiais apreenderam cerca de R$ 1,5 milhão em espécie, além de um montante de dólares – quantia não informada.

Foto: Divulgação da PF

Pacote de dinheiro apreendido na operação em Sinop

Pacote de dinheiro apreendido na operação em Sinop

Cerca de R$ 13 milhões em cheques, contratos e dinheiro, entre reais, dólares e euros, estavam com as pessoas presas nesta terça-feira, em Sinop, na “Operação Veraneio”, que, segundo a Polícia Federal, desmantelou um esquema de tráfico internacional de drogas. Dos quatro detidos hoje, três são da mesma família. A PF não informou os nomes dos acusados, que já foram enviados ao presídio Ferrugem.
 
Eles levavam uma vida de luxo. Residências de alto padrão no bairro Jardim Maringá 1 – o mais valorizado de Sinop -, automóveis de altos valores, caminhonetes, aviões, fazenda com hangar e pista de pouso e uma vida “afortunada”. Esse é o perfil social dos integrantes da quadrilha presa na maior cidade da região Norte de Mato Grosso.

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Além do dinheiro, a Operação Veraneio também apreendeu, com os acusados, uma caminhonete Toyota Hilux, uma Chevrolet S-10, um automóvel Toyota Corolla e um Honda Civic. No hangar, na fazenda dos acusados, nove aviões também foram apreendidos.
 
De acordo com os delegados Samir Zugaibe e Marco Aurélio, que falaram em entrevista coletiva, as investigações começaram no ano de 2011, depois da apreensão de um avião com cerca de 700 quilos de drogas em Honduras. A polícia daquele país comunicou a polícia brasileira da origem da aeronave (com prefixo “PT”, que indica o Brasil como o país de origem).
 
Em 20102, houve também a apreensão de um avião no interior de São Paulo, que transportava cerca de R$ 3 milhões em espécie. A PF afunilou as investigações e descobriu que os dois aviões tinham partido do hangar, na fazenda da quadrilha, a cerca de 15 quilômetros do centro de Sinop.
 
Conforme os delegados, os criminosos faziam o transporte de drogas da Venezuela para Honduras e o México e de lá a droga seguia em automóveis para os Estados Unidos. Cada voo levava uma tonelada de entorpecente. Os integrantes da quadrilha tiravam os bancos das aeronaves para carregar a droga, adulteravam os prefixos e o transponder (equipamento que emite sinais de comunicação entre aviões).
 
Outra tática usada pelos traficantes era a de nunca repetir as mesmas aeronaves, que eram abandonadas nos países de entrega da droga. O piloto então retornava para o Brasil em voo comercial. Depois, outro avião era comprado e adulterado para nova entrega. “Eles levantavam voo do hangar na fazenda da quadrilha e voavam até a Venezuela. Lá carregavam os entorpecentes e transportavam até Honduras”, disse Zugaibe.
 
A partir de agora, a PF vai analisar o material apreendido, como documentos, computadores e celulares, e ingressar com pedido judicial de sequestro dos bens. Segundo o delegado Zugaibe, a PF já tem uma lista com dezenas de imóveis adquiridos pela quadrilha na região Norte de Mato Grosso. 
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