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Vítimas se revoltam na chegada de ex-médico: 'Bem-vindo ao inferno'; veja fotos

G1

20 Ago 2014 - 17:22

Foto: William Volcov/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

Vítimas se revoltam na chegada de ex-médico: 'Bem-vindo ao inferno'; veja fotos
O ex-médico Roger Abdelmassih foi recebido com gritos de revolta por vítimas de abuso sexual ao desembarcar em São Paulo nesta quarta-feira (20). Abdelmassih foi vaiado por um grupo de mulheres que o aguardava no saguão do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul.

Com um colete à prova de balas e escoltado por policiais, ele chegou com um sorriso no rosto. Uma mulher tentou furar o cerco policial para agredi-lo. Ele também foi hostilizado na saída, após ter feito exames de corpo de delito.

Além de anônimos, cinco representantes da associação de vítimas aguardavam desde o começo da tarde a chegada do prisioneiro. "Vim dar boas vindas ao inferno. Ele disse uma vez que ele era o Deus aqui na terra. E agora para onde ele vai é o inferno. Ele não é Deus lá não", disse Vanuzia Leite Lopes, criadora do grupo.

As vítimas e curiosos aguardaram perto da delegacia da Polícia Civil em Congonhas. Um cordão de isolamento foi montado para deixar um corredor livre para a passagem do preso. Algumas mulheres subiram em cadeiras para ver a passagem do ex-médico e acompanhar a movimentação policial.

Abdelmassih chegou a São Paulo escoltado pela Polícia Federal, que o acompanhava desde Foz do Iguaçu, no Paraná. Por volta das 16h40, após passar por exame de corpo de delito por peritos do Instituto Médico Legal (IML), ele foi levado para o presídio de Tremembé, no interior do estado.

Em Congonhas, o ex-médico também passou pelos trâmites burocráticos que oficializaram sua prisão. Durante a elaboração de um relatório, o ex-médico chorou ao ser perguntado pela polícia se tem filhos, segundo o delegado Osvaldo Nico Gonçalves.

"O que mais o comoveu foi quando foi lhe perguntado se ele tinha filhos. Foi quando ele parou e começou a chorar. Ele falou que ele tem um casal de gêmeos, que não queria que eles soubessem disso, passassem por isso. E que não quer que eles o visitem na cadeia. Esse momento foi o momento que ele sentiu mesmo e que eu o vi chorando muito", disse o delegado.

Segundo o delegado, Abdelmassih "se sentia arrependido" e a todo momento achava que ele vai conseguir reverter sua situação. "Ele citou alguns casos que foram revertidos", disse o delegado. "Ele disse que não tem mais nada, que perdeu tudo, que só recebe ajuda da esposa e não tem mais nenhum patrimônio", afirmou.

Condenado em 2010 a 278 anos de prisão por 48 ataques a 37 mulheres entre 1995 e 2008, o ex-médico foi preso na terça (19) no Paraguai, por agentes ligados à Secretaria Nacional Antidrogas do governo paraguaio com apoio da Polícia Federal brasileira.

O ex-médico era considerado um dos principais especialista em reprodução humana no Brasil. Após sua condenação e fuga, passou a ser um dos criminosos mais procurados pela Polícia Civil do estado de São Paulox. Ele ficou três anos foragido. A recompensa por informações sobre seu paradeiro era de R$ 10 mil.

Novos crimes
A Polícia Civil de São Paulo pretende interroga-lo sobre mais 26 ex-pacientes que o acusam de estupro. Além disso, a 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), na capital paulista, quer ouvi-lo sobre crimes envolvendo manipulação genética irregular que ele teria cometido. Quatro pacientes relatam ter tido problemas na gestação ou má-formação dos filhos após se submeterem a tratamento na clínica que ele mantinha.

“Com a vinda dele [Roger] ao estado de São Paulo, agora irei pedir a Justiça para ouvi-lo no inquérito no qual é investigado por suspeita de mais 26 estupros consumados ou não”, disse a delegada Celi Paulino Carlota, titular da 1 DDM.

Além disso, o ex-médico é investigado por crimes previstos na Lei 11.105 de 2005 de Biosegurança. “Quatro dessas mulheres, ex-pacientes, relataram problemas. Uma teve um filho com síndrome de Edwards [que causa má-formação no coração, cabeça e pés], outra com síndrome de Down, e duas contaram sobre abortos”, afirmou Celi. “Coisas graves como abortos em série e feto que morreu e a mulher viveu meses com ele na barriga sem que o então médico quisesse retirar”, conta a delegada.

Esse é o segundo inquérito por estupro que Roger responde na DDM em São Paulo. O primeiro, que apurava também atos libidinosos, resultou na condenação dele na Justiça em 2010 a uma pena de 278 anos de prisão por 48 ataques a 37 mulheres entre 1995 e 2008. Todos os inquéritos estão sob segredo judicial para preservar a identidade das vítimas.

Médico alegava inocência
O ex-médico sempre alegou inocência. Chegou a dizer que só ‘beijava’ o rosto das pacientes e vinha sendo atacado por um "movimento de ressentimentos vingativos". Mas, em geral, as mulheres o acusaram de tentar beijá-las na boca ou acariciá-las quando estavam sozinhas - sem o marido ou a enfermeira presente.

Algumas disseram ter sido molestadas após a sedação. De acordo com a acusação, parte dos 8 mil bebês concebidos na clínica de fertilização também não seriam filhos biológicos de quem fez o tratamento.

Em nota, os advogados Márcio Thomaz Bastos e José Luis Oliveira Lima afirmaram que a defesa "aguarda o julgamento da apelação interposta perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo" contra a decisão que o condenou.

A defesa alega que, por isso, a sentença não transitou em julgado. "No tocante a sua prisão, a defesa não irá se manifestar", informaram em nota.

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