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Deputado que aparece na lista de pagamentos de Eder Moraes diz que não recebeu dinheiro dele

Da Redação - Laura Petraglia

O deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB) afirma que não realizou nenhum empréstimo com o ex-secretário de Estado, Eder Moraes, muito menos intermediado por ele. O nome do parlamentar consta da lista apreendida na casa do ex-secretário de Estado Eder Moraes, onde estavam relacionados o nome de vários deputados, prefeito e empresas com valores discriminados. Os documentos estão anexados na  decisão do juiz federal da 5ª Vara de Mato Grosso, Jeferson Schneider.

A abreviação ‘G. Maluf’ (supostamente deputado Guilherme Maluf) está atrelada a quantia de R$ 1,587 milhão. As anotações encontradas com Eder apontam como ele ‘alimentava o sistema’ (provável compra de apoio político, financiamento de campanha eleitoral e pagamentos de outros empréstimos tomados no ‘mercado financeiro paralelo’) por meio dos pagamentos efetuados a deputados estaduais, empreiteiras e até a um prefeito.

Documento aprendido com Eder na Ararath relacionava repasses a deputados, prefeito e empresas
Banco pirata de Mendonça abastecia campanhas eleitorais e compra de vaga no TCE

"Estou absolutamente tranquilo e a disposição da justiça e da sociedade para esclarecimento. Nunca fiz empréstimos com Eder e muito menos com qualquer banco clandestino", afirmou Maluf em nota.

Na relação aparecem anotações com valores e abreviaturas de nomes dos beneficiados. Ao lado a sigla ‘BM’, que na ação é interpretada como Blairo Maggi (PR), está descrita quantia de R$ 12 milhões. Ao ‘P. Muniz’ (interpretado como se fosse o prefeito de Rondonópolis Percival Muniz - PPS) está atribuída a quantia de R$ 2 milhões. Ao lado do nome ‘Dilceu’ (supostamente ex-deputado Dilceu Dal’Bosco - DEM) consta a quantia de R$ 1,6 milhão. Ao deputado Daltinho (SDD) estão atribuídos 2 valores: de R$ 900 mil e de R$ 600 mil. A ‘Fabris’ (Gilmar Fabris - PSD)consta o repasse da quantia de R$ 2 milhões.

Além desses estão anotados ‘A. Soares’ (ex-conselheiro do TCE Alencar Soares), com o valor de R$ 1,5 milhão; transferência para as empresas Gemini Construções Projetos Ltda, administrada pelo empresário Anildo Lima Barros, no valor de R$ 500 mi; Além de transferência à empresa Geosolo de R$ 5 milhões, supostamente para José Mura Júnior.

Na anotação de Eder constam ainda nomes e palavras soltas como “ação pública Rede/Cemat”, atreladas à palavra ‘controle’, “Tarso Genro” (ex-ministro da Justiça e atual governador do Rio Grande do Sul), "Pitta, Dantas e Cacciola", além de “Ministério Público”, “TCE”, “Polícia Federal e Receita Federal” atrelados à palavra ‘Monitoramento’ e equilíbrio fiscal.






Entenda o caso:

A quinta etapa da Operação Ararath, deflagrada na manhã de terça-feira (20) pela Polícia Federal em Cuiabá, dá uma noção do tamanho do esquema investigado em Mato Grosso contra crimes de lavagem de dinheiro e corrupção. A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli revela o funcionamento de uma instituição financeira “pirata” que abastecia campanhas eleitorais, “presenteava” autoridades e viabilizava até a compra de vagas no Tribunal de Contas do Estado. O “banco clandestino” ainda auxiliava seus tomadores na ocultação da origem de recursos recebidos por empresas privadas.

Sofreram devassas em suas casas e/ou gabinetes nesta terça-feira o ex-secretário de Fazenda, Casa Civil e Secopa, Eder Moraes (PMDB); governador Silval Barbosa (PMDB); deputado estadual e presidente afastado da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Riva (PSD); prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB); conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado Humberto Bosaipo; conselheiro do TCE e ex-deputado estadual Sérgio Ricardo e o promotor de justiça e membro do Gaeco Marcos Regenold Fernandes.

Dos pedidos de busca e apreensão solicitados pelo Ministério Público Federal e pela Procuradoria-Geral da República, Dias Toffoli só não acatou os mandados contra a casa e a empresa Amaggi, do senador Blairo Maggi (PR), que era governador do Estado durante o período em que o esquema foi identificado, em 2005, e que teria seguido até 2013, já sob a administração de seu sucessor, Silval Barbosa (PMDB).

As quatro primeiras etapas da Ararath apontam que o empresário Gercio Marcelino Mendonça Junior, o Júnior Mendonça se utilizou de sua empresa de factorind Globo Fomento Mercantil e depois de sua rede de postos de combustíveis Comercial Amazônia Petróleo para operar, sem autorização do Banco Central do Brasil, concedendo empréstimos de vulto a pessoas físicas e jurídicas, com tomada de garantias e cobrança de juros.

Mendonça optou por fazer delação premiada à Polícia Federal e seus depoimentos, junto ao que já havia sido apreendido nas etapas anteriores da operação, basearam a quinta fase da Ararath.
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