Juliano Slhessarenko explica por que a pressão de 12 por 8 já é considerada um alerta de hipertensão
Da Redação - Airton Marques
A pressão arterial de 12 por 8 milímetros de mercúrio (mmHg), tradicionalmente considerada o padrão ideal de saúde, passou a ser classificada como sinal de alerta para pré-hipertensão, segundo as novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). O tema foi abordado pelo cardiologista Juliano Slhessarenko durante entrevista ao PodOlhar, videocast produzido pelo Olhar Direto.
“Ter a pressão 12 por 8, 13 por 8, isso não é normal. É um sinal de alerta. A pessoa precisa procurar um cardiologista e receber orientações sobre medidas não farmacológicas”, explicou.
De acordo com o médico, a mudança reflete uma postura mais rigorosa na prevenção de doenças cardiovasculares, com foco em hábitos saudáveis e no controle de fatores de risco. Ele ressaltou que a diretriz brasileira está alinhada com as recomendações de entidades internacionais, como a Sociedade Europeia de Cardiologia e a Associação Americana do Coração.
“Essas diretrizes sugerem que pacientes com pressão constantemente em 12 por 8 ou 13 por 8 adotem modificações no estilo de vida e façam reavaliações periódicas. O objetivo é evitar a progressão para um quadro de hipertensão”, afirmou.
Entre as principais medidas preventivas citadas por Slhessarenko estão a redução do consumo de sal (para menos de 5 gramas por dia), a prática regular de atividades físicas - com pelo menos 150 minutos de exercício por semana -, a alimentação balanceada, o controle de peso e o abandono do tabagismo e do consumo excessivo de álcool.
O cardiologista também recomendou o acompanhamento médico mesmo para quem não apresenta sintomas, destacando a importância de exames complementares, como a dosagem da lipoproteína(a), marcador que ajuda a identificar o risco de infarto e AVC. “Mesmo pessoas jovens, com colesterol aparentemente normal, podem ter níveis elevados de lipoproteína(a). É um exame simples, que deve ser feito ao menos uma vez na vida”, orientou.
Slhessarenko destacou que a prevenção é a melhor estratégia contra as doenças do coração, que continuam entre as principais causas de morte no país. “As pessoas ainda dão pouca atenção ao coração. Costumam procurar ajuda apenas quando estão passando mal. O ideal é agir antes disso”, disse.