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Segunda-feira, 25 de setembro de 2017

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Usinas de etanol podem gerar mais de 2 mil empregos pelo Estado; estudo aponta viabilidade econômica e ambiental

Da Redação - André Garcia Santana

12 Set 2017 - 17:15

Foto: Reprodução

Usinas de etanol podem gerar mais de 2 mil empregos pelo Estado; estudo aponta viabilidade econômica e ambiental
Das mais de 30 toneladas de milho colhidas em Mato Grosso neste ano, apenas 15 % permanecerá no Estado. A porcentagem, que ainda reflete o baixo valor agregado à safra, pode crescer a partir de investimentos na produção de etanol, favorecendo outras cadeias e gerando pelo menos dois mil empregos indiretos para cada investimento no setor. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (12), pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, que pesquisou a viabilidade deste tipo de empreendimento, assim como os benefícios sociais e ambientais que o circundam.

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Os investimentos devem acompanhar a tendência de crescimento na produção estadual do grão, que passará de 40 toneladas em 2025. A estes fatores soma-se o aumento no número de automóveis e um déficit de 23 milhões de litros de etanol, previsto para 2030 pela Agência Nacional de Gás e Petróleo (ANP). “Temos uma produção excedente de milho e uma demanda crescente pelo combustível. Por que não juntar as duas coisas e trabalhar outras cadeias do agronegócio?” questiona o gestor de projetos do Imea, Paulo Ozaki.

A partir da implantação, as usinas têm capacidade para gerar, para cada emprego direto, outros 14 diretos e 10 induzidos. No total, cada empreendimento pode criar 2175 empregos em sua região, número suficiente para mudar a realidade econômica das populações locais. Além disso, segundo o gestor, a coordenação entre as diveras cadeias produtivas tem potencial para mitiar a emissão de gases do Efeito Estufa em quase 70%.

O perfil dos investidores também foi traçado no levantamento que estabeleceu quatro tipos possíveis: produtores individualmente, conjuntos de produtores, grandes cooperativas e grandes investidores. Os dois primeiros apresentariam menor volume de produção e os dois últimos um volume maior. O Estado conta hoje com 11 usinas, sendo três de milho e cana-de-açúcar, uma integralmente de milho, inaugurada recentemente em Lucas do Rio Verde (340 km de Cuiabá), e sete exclusivas de cana.

Com relação à viabilidade econômica das usinas, Paulo reforça que não há receita e que o a pesquisa não leva em consideração um padrão Estadual, mas sim regional, uma vez que Mato Grosso apresenta características distintas em cada localidade. “Foram várias regiões e diversos tipos de modelo. Dependendo de cada uma a saca de milho pode valer de R$ 26 até R$ 36 reais, mantendo-se viável economicamente. Já o etanol, a partir de r$ 1,77 até R$ 1,80, ele tem viabilidade econômica também. Analisando a história dos preços, concluímos que há viabilidade econômica no Estado.”

Além do Imea, que integra a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), o estudo foi realizado em conjunto com a Associação dos Produtores de Milho e Soja de Mato Grosso (Aprosoja) e o Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindalcool). “Existe um potencial muito grande, mas os produtores recebem um valor muito pequeno. Queremos entender como esse processo pode auxiliá-los e favorecer outras cadeias, como a de pecuária, de florestas plantadas e até mesmo de energia, a partir da co-geração dentro das usinas”, explica.

Desafios

A estruturação e a viabilidade dos projetos pode esbarrar em um problema já bastante conhecido dos investidores mato-grossenses: a logística. Diante da situação o presidente da Famato, Normando Corral, reiterou a obrigação do poder público de lidar com a questão.“Quando o empresário empreende são gerados empregos e arrecadados impostos. E o setor público tem a obrigação de administrar esse dinheiro, devolvendo para a sociedade em forma de infraestrutura, saúde, segurança, enfim, bem estar social”.

Há ainda que se considerar a falta de mão-de-obra qualificada, que, se não resolvida a tempo, pode resultar na importação de trabalhadores de outros estados. “Precisamos de mão-de-obra mais especializada pra trabalhar nesse tipo de negócio. Analisando o mercado e os cursos superiores, percebemos uma deficiência muito grande em cursos mais específicos, como engenharia de produção, automação, entre outros voltados à tecnologia”, diz Paulo. 

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