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Quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Opinião

Ditadura e democracia no PPS

Autor: Antonio Carlos Maximo

24 Jun 2010 - 17:00

Por mais que pareça óbvio, o conceito de democracia é muito vago na cabeça de muita gente. Antigamente, democracia significava apenas governo da maioria. Com o passar do tempo, o conceito foi ampliado, sobretudo a partir das idéias de Antonio Gramsci. Democracia significa, agora, decisão da maioria, porém, com respeito à minoria. Esse respeito decorre da constatação de que a minoria derrotada hoje, em um outro contexto político, poderá se converter em maioria amanhã. Portanto, o respeito aos derrotados é um elemento forte de equilíbrio entre os dois pólos de qualquer contenda dentro de um partido. A maioria de hoje pode ser minoria amanhã e vai, também, exigir o mesmo respeito.

Contrariamente, o conceito de ditadura significa exatamente o fato da minoria impor sua vontade sobre a maioria. Em 1964, um grupo minoritário de políticos juntou-se aos militares e, pela força, impôs sua vontade sobre a maioria da população brasileira, que apoiava o governo Jango.

No PPS de Mato Grosso, temos hoje duas tendências: a ampla maioria dos delegados (convencionais) apoia uma coligação com Mauro Mendes e a minoria defende uma coligação com Wilson Santos. Não falo de Silval Barbosa porque, neste caso, estamos vetados de nos coligarmos com o PT, por decisão congressual.

Nos últimos 60 dias o PPS fez três reuniões ampliadas, sendo duas com os membros do Diretório Estadual e uma com 74 delegados que terão direito a voz e voto na convenção eleitoral.

Na primeira reunião do Diretório Estadual, os membros a favor de Wilson eram 10 contra 30 a favor de Mauro Mendes. Na segunda, foram 30 contra 6, inclusive, com ampla cobertura da imprensa. A última, onde estiveram presentes 74 delegados, ainda que o partido não tenha colocado nada em votação por ser apenas uma pré-convenção, a tendência pró-Wilson não passava de 18 delegados, quase todos de Cuiabá.

Por que então a minoria não aceita a decisão da maioria? Exatamente porque deseja impor a sua vontade sobre a maioria. Então, ao invés de acatar o resultado da maioria absoluta e, no campo da política, tentar converter-se em maioria, pelo poder do convencimento, dos argumentos, procura a todo custo impor sua vontade, inclusive apostando num ato de força, que é a intervenção, jogando todas as suas fichas na possibilidade de um ato ditatorial.

Dentre as manobras, essa minoria tenta desqualificar o voto de 30 delegados eleitos legitimamente que, inclusive, participaram, foram aceitos, assinaram atas, já no congresso estadual de 2009.

O PPS é um partido democrático e a força democrática da maioria vai vencer a tentativa ditatorial da minoria. Não pode a simples vontade dos membros do diretório de Cuiabá se impor contra a vontade da maioria dos delegados que estão espalhados por todo o Estado de Mato Grosso.

Antonio Carlos Maximo é secretário geral do PPS/MT

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