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Domingo, 05 de dezembro de 2021

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O agronegócio brasileiro, seus potenciais e desafios em meio à pandemia

Na temporada 2019/2020, o Brasil teve safra recorde, com 255 milhões de toneladas de grãos. Já na safra atual, deve haver aumento em cerca de 4,6%, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e o país terá uma safra em torno de 268 milhões de toneladas.

É bom que se diga que o Brasil tem uma área agriculturável de 64 milhões de hectares, e produz em várias fronteiras agrícolas, como o Mato Grosso, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e na região do Matopiba, composta pela Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí.

Com o desempenho das lavouras brasileiras e o aquecimento no mercado mundial de carnes, em razão de eventos ocorridos recentemente na China, o PIB do agronegócio brasileiro cresceu 23% em 2020, alcançando quase dois trilhões de reais.

Nos últimos tempos, o país se consolidou como um dos grandes players do agronegócio mundial, ultrapassando inclusive os Estados Unidos na produção de soja.

Mas a pandemia do novo coronavírus, que pegou a todos de surpresa, mexeu não apenas com a saúde da população, mas também com a economia mundial, abrangendo todos os setores.

Com a alta na taxa cambial, com o dólar batendo na casa dos R$ 6,00, houve aumento no custo de produção, já que a maioria dos insumos agrícolas é negociada em dólar.

Também em razão da pandemia, os preços dos alimentos subiram muito, enquanto as commodities tiveram alta expressiva em seus preços. Na época da comercialização antecipada dos grãos, nos contratos de venda futura, a saca de soja estava cotada em torno de R$ 80,00, mas na hora da entrega, o preço praticamente dobrou, ficando entre R$ 150,00 e R$ 160,00.

Houve reflexos devido à restrição no fluxo de pessoas, com fechamento de cidades, lockdown e diversas medidas restritivas e de distanciamento social, e esse quadro de coisas resultou na descontinuidade no processo de produção em geral com sérias consequências no campo econômico no Brasil e no mundo, agravado até os dias atuais, em especial pelo fechamento de empresas, comércios e até de indústrias, acentuando o problema do desemprego, com milhões de famílias sem sua fonte de renda.

Na área da saúde, a pandemia colapsou o sistema, com o agravamento de um quadro que já existia, de falta de leitos e de esgotamento total do sistema. E isso se agravou ainda mais agora, com a chamada segunda onda.

Se é que podemos ver algo de bom em meio a isso tudo, observa-se que houve uma boa articulação entre a área responsável pela política agrícola brasileira, no caso o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com a iniciativa privada, e não houve até o momento, crise no abastecimento de alimentos, como em outros países, caso a Argentina, por exemplo. Ou seja, o Agro no Brasil não parou, o varejo seguiu abastecido e houve aumento expressivo das exportações brasileiras de carnes e de grãos.

Quanto ao ciclo atual da soja, apesar das chuvas que atrasaram a colheita, o panorama é favorável, os preços seguem atrativos e as exportações aquecidas. A demanda por alimentos se mantém crescente e a valorização da moeda norte-americana em alta diante do real, favorece a quem exporta.

Em se tratando de números, o Agro se apresenta com os mais excelentes indicadores, e mesmo nesse cenário extremamente favorável ao setor produtivo, os riscos pertinentes a quem produz a céu aberto persistem. Não podemos deixar de observar, por exemplo, a reação dos concorrentes mundiais do Brasil, muitos dos quais ainda sentindo os impactos do crescimento da participação brasileira no mercado internacional de alimentos.

De fato, o “gigante pela própria natureza”, cada vez mais desperto em termos de produção agropecuária, tem atraído as atenções do mundo, com acenos de medidas protecionistas por governos pressionados pelos produtores locais.

Sem contar que sempre tem alguém para dizer que o produtor rural brasileiro não respeita o meio ambiente, o que comprovadamente não é verdade. Mas esse discurso existe e é patrocinado por líderes mundiais de nações que perdem espaço para o Brasil e, através de políticas neoprotecionistas, criam regras e barreiras aos produtos brasileiros.

Interna ou externamente, o fato é que o Brasil tem no agronegócio um dos pilares da sua economia, enquanto muitas nações enfrentam dificuldades no que diz respeito à segurança alimentar.

O país tem solo, água e condições climáticas adequadas, além de gente trabalhadora no campo, determinada a manter o abastecimento, além do maior ativo ambiental do planeta, com os biomas da Amazônia e do Pantanal. Aliás, dados apontam que temos 66% do nosso território com matas nativas e que usamos apenas 9% para a produção agrícola, com reserva legal entre 20% e 35% dentro das propriedades rurais brasileiras.

Na área ambiental, temos um excelente Código Florestal, além da Política Nacional do Meio Ambiente, cuja finalidade é regulamentar as várias atividades que envolvam o meio ambiente, para que haja preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental.

Dessa forma, podemos afirmar que o agronegócio do Brasil é competente, eficaz e produz alimentos de qualidade, com sanidade, responsabilidade social e sustentabilidade. Aqui se pratica a Agricultura Sustentável e a Pecuária Legal.

O desempenho da produção nacional se deve à tecnologia de precisão, com produtores cada vez mais capacitados, que consegue promover uma Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC), “Produção PLF”, de Pasto, Lavoura e Floresta, e políticas de descarbornização, com produção de biocombustíveis líquidos pelas usinas de Etanol que avançam pelo país. E assim caminha o Agronegócio brasileiro, contribuindo para a segurança alimentar, em meio à pandemia que se instalou no planeta terra.


Cesar da Luz é Diretor do Grupo Agro10 (www.agro10.com.br). Contato: 65.99270-4774. E-mail: cesardaluz@agro10.com.br
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