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Domingo, 16 de janeiro de 2022

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Reeducandos criam literatura de cordel e participam de competição entre si

Foto: Reprodução / Sejudh

Reeducandos criam literatura de cordel e participam de competição entre si
Uma ‘nova chance’: é isso o que as reeducandas e os reeducandos do sistema prisional buscam, e é este o nome da escola estadual instalada dentro dos presídios de Tangará da Serra, em Mato Grosso. No final de 2018, alunos e alunas do sistema prisional apresentaram textos em forma de literatura de cordel durante aulas de Língua Portuguesa, Artes e Educação Física, e participaram de uma competição que elegeu os melhores trabalhos.

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A ‘competição’ aconteceu tanto nas unidades prisionais femininas quanto nas masculinas de Tangará. Segundo a assessoria da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), cada aluno teve que escrever um trabalho de tema livre e outro fazendo crítica a um determinado tema. Oito textos disputaram a final, sendo que os criadores dos três melhores receberam medalhas.

Segundo a professora Patrícia Andréia Blanco Lino, responsável pelo concurso, antes de escreverem os cordéis os alunos aprenderam sobre a história da literatura de cordel por meio de textos, artigos e vídeos, estrutura de cordel e xilogravuras retratando a cultura nordestina, assim como conteúdos sobre alguns poetas do passado, entre eles, Leandro Gomes de Barros e João Martins de Athayde, e contemporâneos, como Bráulio Bessa e Tião Simpatia. 

"A literatura de cordel possibilita aprofundar os conhecimentos dos alunos no tocante à leitura, declamação e escrita.  Com a produção da poesia e rimas, se desenvolve a parte artística, possibilitando a confecção e ilustração dos cordéis", acrescenta Patrícia. 

Apesar de ser muito conhecido no Nordeste do Brasil, o ‘cordel’ veio de Portugal. Na Península Ibérica, chegou por volta do século XVI e recebeu os nomes de “pliegos sueltos” na Espanha e “folhas soltas” ou “volantes” em Portugal. O cordel chegou no balaio e no coração dos colonizadores, instalando-se na Bahia e mais precisamente em Salvador. Dali se irradiou para os demais estados do Nordeste.

Dentre os grandes escritores de cordel, estão Patativa do Assaré, Apolônio Alves dos Santos, Arievaldo Lima e Firmino Teixeira do Amaral. Este tipo de literatura recebeu título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em Tangará, nas unidades prisionais femininas, as reeducandas apresentaram os trabalhos declamando-os, com fundo musical específico para cada texto. Na unidade masculina, os trabalhos foram avaliados em uma banca formada pelos professores das turmas. 

Em ambas as unidades a avaliação incluiu a escrita, montagem e criatividade de cada aluno. "A literatura de cordel possibilita aprofundar os conhecimentos dos alunos no tocante à leitura, declamação e escrita.  Com a produção da poesia e rimas, se desenvolve a parte artística, possibilitando a confecção e ilustração dos cordéis", acrescenta Patrícia. 
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