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Quarta-feira, 22 de maio de 2024

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​Vila Bela

Pantanal, Floresta Amazônica e Cerrado se encontram na cidade de MT que botou os brancos 'para correr'

Foto: Pelos Brasis

Cânions de Vila Bela

Cânions de Vila Bela

Olá, viajantes! Hoje temos para contar talvez a história mais fascinante no lugar mais bonito de todos que passamos até aqui desde o começo da viagem de Kombi ‘Pelos Brasis’. Isso tudo fica em Mato Grosso, a 520 km de Cuiabá, num ponto de encontro entre os biomas do Cerrado, Floresta Amazônica e Pantanal. Vila Bela da Santíssima Trindade foi a primeira capital do Estado, fundada em 1752, sobre a riqueza dos minérios aqui encontrados pela Coroa Portuguesa. Acontece que menos de um século depois os colonizadores saíram de lá, com a mudança da capital para Cuiabá iniciada em 1820 e efetivada em 1835. Um grande contingente de negros escravizados ficou no local, mas sem senhores de escravos. Ou seja, Vila Bela viveu na prática a abolição da escravatura antes do resto do Brasil, já que a Lei Áurea só viria a ser assinada em 1888.

 
Mas por que os brancos deixaram Vila Bela? A história oficial conta que foram as dificuldades climáticas e as doenças da região que botaram os colonizadores “para correr”. Com a descoberta de ouro em Cuiabá, a capital acabou sendo transferida e os portugueses abandonaram aquele lugar inóspito, deixando negros para trás. Há quem defenda que os escravizados não teriam sido levados para poupar gastos, tese cada vez mais contestada, visto que diante do valor de um escravizado à época, muito mais caro seria abrir mão de um deles do que fazer o transporte. Novas hipóteses levantadas recentemente apontam que a permanência de negros na cidade tende a ser fruto da resistência dos escravizados, que teriam fugido, ou até mesmo se levantado contra a população branca. Quilombos foram criados na região, o mais célebre é o Quariterê, liderado por Tereza de Benguela.



Acontece que longe dos brancos, os negros continuaram vivendo suas vidas em Vila Bela e essas raízes afro se fazem presentes até hoje, nas manifestações culturais e na gastronomia. Somente no século 20 os brancos voltaram a ocupar a região, principalmente nas fazendas, com criação de gado. Há uma escassez de registros históricos desse período de "abandono". No centro da cidade, está a ruína da igreja que estava sendo construída quando a capital foi transferida e as obras foram deixadas inacabadas. Em frente à ruína está o Palácio do Governo, prédio do período colonial que foi reformado e hoje é museu, biblioteca, Secretaria de Cultura e ajuda a contar a história de Vila Bela.
 
Para além dos livros e documentos, a história negra de Vila Bela está viva e é celebrada anualmente na Festança, realizada nos meses de julho, fruto da síntese do encontro dos negros com a fé católica, em que há dança, reza e homenagem ao Divino Espírito Santo, Glorioso São Benedito e à Santíssima Trindade.
 
Além da história negra, Vila Bela tem também muita tradição indígena. Vários povos habitavam aquele território, mas hoje é mais comum encontrar os Chiquitanos, etnia que habita a fronteira entre Brasil e Bolívia. Há um trabalho em dar visibilidade à causa indígena. Uma das líderes desse movimento é Vanda Copacabana Vilas Boas. Veja abaixo uma entrevista com ela:



“O lugar mais lindo do Brasil”
 
Não bastasse toda essa história, Vila Bela tem ainda um dos lugares mais lindos do Brasil. Localizada num ponto de convergência entre os biomas do Cerrado, Floresta Amazônica e Pantanal, a cidade abriga a maior cachoeira de Mato Grosso, a do Jatobá, e os cânions que levam o mesmo nome e não têm outro igual, com água azul, transparente, com peixes.



Os cânions secam no período da estiagem, a partir de julho aproximadamente, e voltam a se encher com a volta das chuvas, em dezembro. O local é próprio para banho e rende imagens deslumbrantes. Há também uma série de outros atrativos, como a Cachoeira dos Namorados e a Cascatinha, além de pontos que ainda estão sendo catalogados. 

Comemos cabeça de boi

Um dos pratos tradicionais de Vila Bela é a cabeça de boi assada por horas em forno de barro. A iguaria tem origem reivindicada pelos povos Chiquitanos e também é muito comum nos quilombos, entre os descendentes de escravizados. Veja abaixo o vídeo de quando provamos a cabeça de boi em Vila Bela:

 
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