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Quarta-feira, 22 de maio de 2024

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É proibido ter carro e moto na cidade em que até ambulância é puxada por bicicleta; veja vídeo

Foto: Pelos Brasis

É proibido ter carro e moto na cidade em que até ambulância é puxada por bicicleta; veja vídeo
Olá, viajante! Hoje é dia de estacionar a Kombi numa sombra. Isso porque vamos a uma cidade em que carros e motos são terminantemente proibidos. Quem leu a coluna passada vai se lembrar que estávamos em Belém do Pará, mas para chegar ao nosso destino, precisamos pegar uma embarcação, mudar de estado, pegar outra embarcação... e voltar ao Pará. Coisas do Brasil.


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Nosso principal destino de hoje é o município de Afuá, localizado na Ilha do Marajó, no Pará. Dá para se chegar em parte da Ilha do Marajó partindo de barco de Belém e eu já te explico isso... mas para chegar em Afuá, não. Em Afuá se chega partindo de Macapá, capital do Amapá. E para chegarmos em Macapá, partimos de barco de Belém, em uma viagem de um dia.  O estado do Amapá é uma “ilha” e não há nenhuma ligação por ponte com o resto do Brasil. Só se chega lá pela água ou pelo ar, mas isso é tema para uma coluna futura. Vamos focar em Afuá. 

VEJA O VÍDEO ABAIXO:
 

Ouvimos falar dessa cidade há alguns anos na internet, muito tempo antes de aflorar o sonho de viajar o Brasil de Kombi. Desde aquele momento, esse município entrou na nossa lista de lugares para visitar. Afuá é uma cidade pacata, que possibilita um modelo de vida diferente do que estamos habituados em grandes centros ou não. Primeiro porque lá são proibidos carros e motos. A cidade é construída sobre palafitas, as ruas são estreitas, as casas de madeira. Um olhar de fora pode talvez ler essas características como um anacronismo, mas a verdade é que a cidade é projetada para atender as especificidades daquela região, da comunidade ribeirinha, das características de um povoado que se formou à beira das águas que sobem e baixam diariamente. 
 
Nos contaram que Afuá foi fundada pela pioneira Micaela Arcanja Ferreira, na metade do século 19. Devota da fé católica, doou as terras da localidade para a construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Afuá. O templo foi construído e o resto do terreno no entorno foi dado em nome da santa, com documentação em cartório e tudo. Sem ‘propriedade privada’, os lotes foram sendo ocupados para a construção de residências de quem chegava. Assim se formou a cidade. Hoje, com o regramento e burocracia uniforme, há cobrança de IPTU e venda de casas como em qualquer outro lugar do país.
 
Mas você talvez tenha se perguntado como se faz com emergências, transporte de cargas e pessoas em uma cidade sem carros. A resposta está na bicicleta. Todos os moradores têm a sua. E os veículos são todos adaptados para as diferentes necessidades: ambulância é a bicilância, taxi é o bicitaxi e por ai vai. Todo meio de transporte é com tração feita pelo pedal. Uma cidade com ar menos poluído e com uma população de pernas mais torneadas? É meio isso. Nos contaram que uma vez um “engraçadinho” quis entrar com uma moto na cidade, chegando de barco, mas que ninguém o deixou desembarcar. Teve que voltar com ela.
 
Parte da cidade é sobre palafitas porque quando a maré sobe, as águas entram no perímetro do município e invadiriam as casas. Mas isso não resolve todos os “problemas”. No cemitério, por exemplo, enterros são realizados apenas nos períodos do ano de maior seca, porque o nível da água alaga parte do campo-santo na alta da maré no período chuvoso. Nessa época do ano, os corpos só vão para as gavetas.


 
A Ilha do Marajó
 
A Ilha do Marajó está separada do continente pelo delta do Rio Amazonas. A água que a cerca é salobra, mistura do fluxo fluvial com o oceano atlântico. A maior parte do território é não habitada. Parte é ocupada por povos tradicionais. As cidades e povoados ficam nas regiões litorâneas. Os acessos são por água, parte pelo Pará e parte pelo Amapá.

Os marajoara desenvolveram técnicas de modelagem em argila que até hoje são reproduzidas e cultivavam a mandioca. O modelo de construção de residências sobre estruturas elevadas de modo a se proteger de inundações foi elaborado por povos indígenas e ainda hoje é utilizado.

Antes de irmos para Afuá, partindo de Macapá, fomos para a outra costa da Ilha, partindo de Belém. Conhecemos Soure e Salvaterra. Uma curiosidade do Marajó é o grande número de búfalos espalhados pela porção de terra. Há versões diferentes que buscam explicar esse fenômeno, mas todas elas se ancoram na característica bubalina de se adaptar às águas e nadar muito bem. É mais fácil achar carne de búfalo do que de boi no Marajó. Há também oferta abundante de leite, queijo, doce de leite de búfala. E todos esses derivados também são usados nos sorvetes fabricados na região. Olha eu aqui de novo falando dos sorvetes do Pará...
A Ilha do Marajó tem praias lindas e muita história pra contar.
 
Praias de águas salgadas

Não podemos nos despedir do Pará sem dizer aqui que esse estado também tem praias de águas salgadas. Fomos a Salinópolis, município que vem enfrentando um boom de investimento no turismo, com abertura de resorts que têm transformado o perfil dos visitantes e da própria cidade.

Passamos também por Bragança, na região litorânea, cidade muito famosa pela farinha. A farinha de Bragança ou farinha lavada é crocante, amarelada e com grãos de tamanho médio. Até o momento, é, sem sombra de dúvidas a mais gostosa que já experimentamos nessas viagens Pelos Brasis. Uma mistura perfeita para o açaí com peixe. Dá até uma dor no coração olhar para o estoque que fizemos dela e perceber que ele a cada dia diminui um pouco.

Também visitamos a cidade litorânea de Ajuruteua, nascida de uma vila de pescadores. Lá conhecemos uma praia linda, dormimos dentro da Kombi à beira mar e compramos peixes frescos, baratíssimos, direto de pescadores. A pescada amarela, temperada só com sal, feita na brasa, acompanhada da farinha de Bragança, que preparamos ali mesmo na praia foi uma daquelas refeições que a gente vai lembrar pelo resto da vida.
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