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Segunda-feira, 22 de julho de 2024

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entre o turismo e a pecuária

​Projeto do WWF Brasil promove oficinas para coexistência de onças-pintadas no Pantanal de MT

Foto: Reprodução

​Projeto do WWF Brasil promove oficinas para coexistência de onças-pintadas no Pantanal de MT
A necessidade de estar nas regiões habitadas por onças-pintadas levou a equipe do WWF Brasil para o Pantanal mato-grossense, em Poconé (102 km de Cuiabá), onde são desenvolvidas ações de coexistência entre a espécie que corre risco de extinção e os seres humanos que habitam ou frequentam o local. Analista de conservação do WWF Brasil, Cyntia Cavalcante Santos, explica que o diálogo com o Sindicato Rural de Poconé e a Pousada Piuval foi imprescindível para realização de oficinas que, além de contribuir para a preservação das onças-pintadas do Pantanal, também levam informação e conscientização. 


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Ao Olhar Conceito, ela explica que para o WWF Brasil, a onça-pintada é uma das espécies “chave” no contexto de conservação de espécies ameaçadas no Brasil, assim como o boto cor de rosa. Como as equipes da ONG já desempenhavam trabalhos de coexistência humano-fauna em outros biomas, como Mata Atlântica e Amazônia, começaram a pensar possibilidades de fazer o mesmo com as onças-pintadas do Pantanal. 

No ano passado, o WWF Brasil reuniu especialistas que trabalhavam no Pantanal, com representantes da Embrapa Pantanal, CENAP/ICMBio, Panthera Brasil, SOS Pantanal, Ampara Silvestre, Onçafari, Instituto Homem Pantaneiro e Pró Carnívoros, para produção do documento "Planejamento para a coexistência humano-onça no Pantanal". O objetivo era mostrar quais ações principais deveriam ser executadas e as ameaças para a coexistência humanos-onças no Pantanal. 

“A partir desse documento, a gente elaborou algumas atividades prioritárias e encaixou dentro de um projeto, que chamamos de ‘Salvando o Coração da América do Sul’, desenvolvido em parceria com Bolívia, Paraguai, Argentina e Brasil, nos escritórios do WWF desses países”, conta Cyntia. 

Cyntia é analista de conservação na WWF Brasil. (Foto: Reprodução)

A analista de conservação do WWF Brasil explica que os dados científicos e técnicos mostraram a distribuição da onça-pintada em Poconé em um eixo de área conservada muito bem estruturada. De acordo com Cyntia, a região ainda tem grandes manchas de vegetação nativa, associada com turismo e pecuária. 

“Identificamos que essa é uma região prioritária para atuação, porque vai trazer um agregado da conservação da onça-pintada, que já está aqui, e impulsionar o que está acontecendo na região [turismo e pecuária]. E a gente entende quais são as ameaças para esses animais, o que está acontecendo e como que a gente está avançando”. 

Diante do cenário, uma das urgências identificadas pelo WWF Brasil, conforme a analista de conservação da ONG, foi a aproximação local. Por ser uma instituição que atua em nível internacional, ocorre a dificuldade de acessar certas regiões. Foi quando os diálogos com o Sindicato Rural de Poconé e a Pousada Piuval começaram. 

“Descobrimos, em uma conversa com a Ampara Silvestre, que já trabalha com a gente em outros biomas, que estavam com atuação desde 2020 na região de Poconé e da Transpantaneira. Veio o conjunto de forças, ver se tinha feeling para fazer. Propomos, através do Projeto Pacha (Pantanal-Chaco), uma primeira aproximação com os proprietários. Uma forma de fazer essa aproximação é: divulgar o que já está acontecendo no território. Então, a Pousada Piuval se prontificou, o Paul Raad, médico veterinário e mestrando que desenvolve seu trabalho na fazenda, conversou muito aqui com os proprietários e conseguimos trazer a oficina”. 

As ações têm como objetivo conservar a existência da onça-pintada através de impactos locais, que vão levar benefícios e desenvolvimento local para a região. “Se é através do turismo ou da pecuária, para gente é uma consequência das ações que vamos identificar para proteção da onça-pintada. O objetivo é trazer conhecimento, informação e ações que possam favorecer a conservação de onça-pintada”. 

Segundo Cyntia, a coexistência e a convivência entre homens e onças, já acontece, mas as ações de conscientização na região surgem para minimizar conflitos e buscar soluções. 

Ela destacou o respeito pelas ações que já são desenvolvidas pelas pessoas da região do Pantanal mato-grossense, como na Pousada Piuval, por exemplo. “Pessoas que têm comprometimento com a biodiversidade, com o costume de conservação, mas que também pensam que precisam dar emprego, que precisam desenvolver regionalmente os espaços e que precisam de ajuda, apoio. O WWF Brasil tem procurado ser uma instituição que traz mais suporte, mas precisamos ter muita clareza do que a região quer e do que as pessoas da região precisam e querem”. 

Nascida e criada em Campo Grande (MS), Cyntia é formada em Biologia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com doutorado pelas Universidades UFMS/CG e Angers, na França. 

“Quando terminei o doutorado, em 2019, consegui ser aprovada em uma consultoria para a Wetlands International que recém chegou ao Brasil, e trabalha no Pantanal com o Programa Corredor Azul. Ela trabalha com projetos também, no Pantanal, voltado para vários nichos, de restauração da paisagem, com viveiros, em terra indígena, com monitoramento, manejo e plano de vida da comunidade indígena, dando suporte estrutural para eles poderem desenvolver o local mesmo”. 

Em 2020, ela participou de uma seleção da WWF Brasil e foi aprovada. Para ela, a ONG representa o sonho de muitos biólogos que sonham em trabalhar com conservação. “A vaga era para trabalhar em uma iniciativa do Observatório Pantanal, para estabelecer a governança para que ele pudesse continuar tendo voz, inclusive, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul fazem parte do Observatório Pantanal junto com Bolívia e Paraguai. São instituições do terceiro setor, ONGs, institutos de pesquisa e universidades que compõem o grupo. Hoje são 46 instituições que agrupam esse observatório e que se mobilizam para fazer comunicação e publicações em prol do Pantanal”.
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