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Parques de Cuiabá cultivam história e espécies ameaçadas de extinção

Gustavo Nascimento - Redação/Gcom-MT

21 Set 2015 - 15:16

Foto: (Meneguini/GCom)

Parques de Cuiabá cultivam história e espécies ameaçadas de extinção
Aproximadamente sete mil pessoas visitam os três principais parques de Cuiabá por semana, na maioria das vezes para praticar atividades físicas. Por conta disso, muitos não sabem que os locais são ricos em história, cultivam vegetação nativa, diversas espécies de animais raros e árvores ameaçadas de extinção, que servem como fonte de pesquisa para estudantes do mundo inteiro. 

Segundo o coordenador das Unidades de Conservação de Mato Grosso, Alexandre Batistella, os parques estaduais Mãe Bonifácia, Zé Bolo Flô e Massairo Okamura, são cada vez mais visitados por curiosos em conhecer a fauna e flora local. “Não existe uma pessoa sequer que não se surpreenda com o Cerrado, e os parques ainda são três ilhas do que sobrou do cerrado de Cuiabá, praticamente intactos”. 

Para o coordenador os parques contam muito mais história do que se pode imaginar e preservam um dos ambientes mais ricos do planeta. “As famílias saíam para coletar frutos, se alimentavam e também utilizavam as árvores nativas como matéria prima. Tudo isso, pode ser contado através dos parques que resgatam este ambiente”. 

Conforme Alexandre, essa riqueza e essa facilidade atraem pesquisadores locais e de outras partes do mundo. “Ao invés do pesquisador ter que viajar floresta adentro, ele pode encontrar ali, uma fotografia congelada de um paraíso que já houve”. 

O cerrado é um dos ambientes com maior biodiversidade do mundo e ao mesmo tempo é ameaçado de extinção. “Por isso, ter um parque nessas condições é tão importante. Ele tem um significado incalculável para as próximas gerações.” 

De acordo com o coordenador, o Parque Estadual Mãe Bonifácia conta com o bioma Cerrado e uma cobertura vegetal constituída por três fisionomias distintas: Mata de Galeria, que acompanha os corpos d’água geralmente com árvores de maior porte; Cerradão, que é menos denso e com árvores de médio porte; e por fim o Cerrado stricto sensu, com uma vegetação um pouco mais rala e arbustiva, sendo encontrada em áreas um pouco mais elevadas. 

O Parque conta com 80 espécies de plantas nativas do Cerrado catalogadas. Entre elas, a Myracrodruon urundeuva Allemao, popularmente conhecida como aroeirinha, que tem risco de extinção. A árvore, que pode chegar a 25 metros de altura, dependendo da qualidade do solo, era muito utilizada para a fabricação de cercas. 

Já o Parque Estadual Zé Bolo Flô, conta com uma cobertura vegetal constituída por quatro fisionomias distintas: Floresta de Galeria; Várzeas ou Mata de Brejos; Vegetação no estágio inicial e Cerradão. Segundo um levantamento da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a unidade conta com 133 espécies pertencentes a 115 gêneros e 50 famílias botânicas. “É relevante ressaltar que, deste número total, 21 são plantas exóticas originárias de outros ecossistemas”, diz Alexandre. 

O parque também tem árvores ameaçadas, como a Astronium fraxinifolium Schott ex Spreng, mas mais conhecida como Gonçalo-alves. Sua madeira pesada compacta, rígida, de grande durabilidade sob condições naturais, era muito utilizada na construção civil e naval. 

O Parque Estadual Massairo Okamura, assim como o Mãe Bonifácia possui uma cobertura vegetal constituída por três fisionomias distintas: Floresta de Galeria; Cerradão e o Cerrado sentido restrito, uma savana arborizada. Segundo o levantamento, a unidade possui 139 espécies pertencentes a 121 gêneros e 49 famílias botânicas. Ele ainda possui espécimes da Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand, conhecida por ser matéria prima para a produção do breu, goma resina, utilizada para a produção de tintas, cola entre outras aplicações. 

Cuidados 

Apesar de serem muito visitados, os parques ainda contam com bons indicadores de conservação, como uma fauna associada, espécies raras e árvores quase centenárias. 

Pensando nisso, uma série de regras precisam ser seguidas para que o ambiente continue cumprindo o seu papel biológico e social. “As pessoas as vezes querem levar animais domésticos, mas elas não imaginam o risco que isso pode causar para a fauna local. Imagina se ele morde ou é mordido por um animal silvestre. Que tipo de doenças ele poderia pegar ou passar. Isso poderia criar todo um problema em cadeia”. 

Os animais do local também não devem ser alimentados, pois isso também gera desequilíbrio. “Uma vez, uma senhora disse que ficou com dó de ver um macaquinho comendo casca de árvores e por isso deu comida. Aí eu tive que explicar que além dos riscos biológicos, ela também poderia fazer com que os macacos criassem o habito de comer produtos dos humanos, e isso desencadearia todo um problema na comunidade deles”. Ele conta que em outros locais, alguns macacos atacam turistas para roubar comida. 

Dia da Árvore 

Nesta segunda-feira (20.09), é comemorado o dia da árvore e cada região do nosso país possui uma árvore símbolo diferente. Na região Norte é a Castanheira, no Nordeste a Carnaúba, aqui, no Centro-Oeste é o Ipê amarelo, enquanto no Sudeste é o Pau-brasil e no Sul a Araucária. 

A data também é conhecida como Dia da Floresta e surgiu no final do século XIX, quando um político e jornalista americano, Julius Sterling Morton (1832-1902), decidiu plantar uma grande quantidade de árvores no estado do Nebraska nos Estados Unidos. Porém, isso ocorreu no dia 21 de março. Como aqui no Brasil, este período é o começo da seca, a data foi alterada para setembro, que é quando começa a primavera. 

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