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Domingo, 15 de dezembro de 2019

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Presença de Tucunaré no Pantanal ameaça outras espécies de peixe e preocupa pesquisadores

Da Redação - Isabela Mercuri

15 Nov 2019 - 15:33

Foto: Blog Náutica Gold Fish

Presença de Tucunaré no Pantanal ameaça outras espécies de peixe e preocupa pesquisadores
A crescente população de tucunarés no rio Paraguai, um dos principais formadores do Pantanal, preocupa estudiosos da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), que realizam uma pesquisa desde 2018 – e que deve ser concluída até o final de 2020 – sobre o assunto. Segundo eles, o número de várias outras espécies de peixes tem diminuído por conta da invasão deste predador.

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O Tucunaré tem como ambiente natural a Bacia Amazônica. Por este motivo, no Pantanal ele não tem predadores naturais como garças, alguns felinos, o hábito alimentar da população, e alguns peixes. Além disso, ele não tem um período único de reprodução, podendo se reproduzir até três vezes por ano, e é territorialista, ou seja, defende fortemente seus filhotes, o que acaba por ameaçar outras espécies. “Muitas vezes, o tucunaré come outros peixes que se aproximam dos seus filhotes, não porque esteja com fome, mas para eliminar a competição com a cria dele”, explica o professor doutor em Ecologia, Wilkinson Lopes Lázaro, da Unemat, que coordena o projeto de pesquisa na Unemat.
 
O tucunaré é uma espécie exótica, oriunda da Bacia Amazônica e que foi introduzido na região do Pantanal por meio de criatórios, cujas represas se romperam. “No Córrego Padre Inácio, havia relatos da presença do tucunaré há pelo menos 30 anos, mas no Rio Paraguai essa presença é recente. Nós estamos trabalhando com duas linhas de investigação: a de que o tucunaré esteja utilizando o rio como corredor para chegar às baías, ou de que ele esteja sofrendo uma adaptação comportamental para viver nas águas do Rio Paraguai, que é mais turva do que as que a espécie normalmente habita”, afirma Wilkinson.
 
Segundo o professor, os pesquisadores estão em estado de alerta. “Quando iniciamos o projeto pensávamos que só havia a presença do tucunaré no córrego Padre Inácio em Cáceres, mas ao iniciarmos o trabalho de campo, identificamos e coletamos exemplares desde o Hotel Baiazinha até a Foz do Rio Sepotuba. Esse fato demonstra que o tucunaré já está presente no Rio Paraguai, o que causa grande preocupação entre os pesquisadores”.
 
Em qualquer das hipóteses, há riscos da perda da biodiversidade. “Aqui, o ambiente não consegue reconhecer esse indivíduo (tucunaré) e, então, ele está com a faca e queijo na mão”, resume o pesquisador. A espécie invasora pode se multiplicar rapidamente e ameaçar outras espécies como traíras, peraputangas e outros peixes pequenos que compõem a biodiversidade do Rio Paraguai. A pesquisa ainda não consegue, no entanto, medir os impactos da presença do tucunaré no Rio Paraguai.
 
O que fazer?
 
Com estas informações em mãos, os pesquisadores propor à Secretaria de Pesca a possibilidade de colocar o tucunaré no calendário de pesca estadual, como uma espécie isenta de cotas e sem um período de restrição, por exemplo. “O tucunaré é um peixe bastante esportivo, e poderia aquecer a economia e o turismo de pesca, além de servir como uma forma de controlar a espécie invasora na bacia do Rio Paraguai”, sinaliza Wilkinson.
 
“Nós tivemos informações que também foi encontrado tucunaré no Rio Paraguai, em Mato Grosso do Sul, e que essa invasão teria ocorrido de forma similar, com criadores em represas que teriam se rompido. Então queremos colaborar com os pesquisadores de lá para entender e desenvolver ações de modo a preservar a biodiversidade do Rio Paraguai”, completa.
 
Além de professores da Unemat, também participam do projeto pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Universidade de Brasília (UnB). “Efeitos da Introdução de Cichla spp. (Tucunaré) sobre a ecologia de comunidades ícticas em riachos de cabeceira do Pantanal: implicações a biodiversidade e uso humano” tem financiamento da Fundação de Amparo à Pequisa de Mato Grosso (Fapemat).

3 comentários

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  • José
    16 Nov 2019 às 10:20

    Quem destrói todos os peixes não é o Tucunaré somente, o maior predador da vida dos rios são os esgotos despejados in natura(Rio Cuiabá), os pescadores profissionais e os ribeirinhos que vendem peixe o ano inteiro. Podem chiar mas essa é a grande verdade.

  • NARBAL GUERREIRO
    16 Nov 2019 às 00:09

    Eu li direito? O tucunaré não tem predadores no Pantanal? Kkkk felinos, e as pessoas não estão adaptadas....kkkk não faz isso, o tucunaré é das bacias mais ao norte, isso é verdade, mas falar q o homem é quem está trazendo, q não tem felinos nem garças no Pantanal de Mato Grosso, aí é má fé, desinformação ou sacanagem... faz isso não, pesquise meus amigos, faz assim não...tá certo q p tucunaré não pegou um ônibus da linha do TUT, nas falar q chegou aqui por mãos do homen, por favor...vão ler um pouco antes de nós fazer ler isso. Bjs

  • Marlon
    15 Nov 2019 às 17:25

    Foi trazido pra cá pelo homem. Seja porque é bonitinho ou, para criar em cativeiro para apreciar sua carne. Rompe a represa e dá nisso aí. Onde o homem põe a mão, vira merda. O próprio ser humano destruindo seu habitat.

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