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Quinta-feira, 02 de abril de 2020

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Hospital Júlio Müller vai oferecer hormonioterapia para pessoas trans pelo SUS

Da Redação - José Lucas Salvani

15 Fev 2020 - 11:22

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Hospital Júlio Müller vai oferecer hormonioterapia para pessoas trans pelo SUS
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Cuiabá, por meio do Serviço de Atendimento Especializado (SAE), devem oferecer tratamento hormonal para pessoas transsexuais pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda no primeiro semestre de 2020. A informação é de Maria José Pinheiro dos Santos, técnica da Coordenadoria de Ações Programáticas e Estratégicas do Estado, e Kamylla Cavalcante Taques dos Reis, coordenadora do SAE. 

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A previsão é de que em março seja feita a capacitação de profissionais do Hospital Universiátio Júlio Müller, onde será oferecido gratuitamente os o tratamento hormonal. Posteriormente, em 2022, é previsto também a oferta de cirurgia de redesignação sexual (CRS).

O quadro de profissionais será vasto. Segundo Kamylla dos Reis, o Júlio Müller irá oferecer endócrino, dermatologistas, clínico geral, infectologista, psiquiatra, urologista e ginecologista. Já o SAE ficará responsável pela enfermagem, nutrição, psicologia e fonoaudiologia, além de serviços sociais e prestar assistência jurídica, que contará com ajuda de profissionais voluntários. “Dentro deste quadro, tem servidores do município, mas também têm profissionais voluntários que são pós-graduandos da UFMT e professores. Eles vão atuar como voluntários para atendimento”.

O atendimento visa para além de uma futura cirurgia de redesignação, visto que muitos sequer cogitam o processo. O objeto é oferecer um atendimento integral e também trabalhar na redução de danos pessoas que, por exemplo, fizeram mal uso de hormônios. “A proposta também do ambulatório é trabalhar com a redução de danos de pessoas que fazem o uso e tentar orientar a fazer corretamente, e fazer o acompanhamento”.

De acordo com a técnica de Saúde, Maria José, a oferta de CRS em Mato Grosso é almejada para 2022. As pessoas transsexuais que desejarem realizar o CRS antes desta data serão encaminhadas a Goiânia por meio do Tratamento Fora do Domicílio (TFD). “A cirurgia só pode ser realizada no hospital quando ele foi credenciado. Por isso temos poucos hospitais que fazem esse cirurgia no Brasil. O ambulatório só pode ser credenciado depois que ele cumpre todos os requisitos que o Ministério da Saúde solicita”, explica Kamylla.

Maria José acrescenta que a cirurgia “é de altíssima complexidade, baixíssimo custo para cobrir e você tem que estar totalmente atualizado. Isso eu acho que é um fator bem complicado, entendeu? Não é qualquer médico cirurgião que esteja em condições de fazer. Você tem que dar acompanhamento desse cirurgia. Por exemplo, para fazer a reconstrução de uma vagina, muito tempo depois, você precisa estar dando esse suporte para a cirurgiada. Tem toda uma questão de nervação, perda de sensibilidade. Não é algo simples”.

O SAE em Cuiabá será uma porta de entrada as pessoas transsexuais que desejam fazer a cirurgia. Primeiro será feito um acompanhamento psicológico para que posteriormente sejam encaminhados ao Júlio Muller. Moradores do interior do estado terão que vir em Cuiabá e passar pelo mesmo processo. Conforme uma lista extraoficial, há 50 pessoas interessadas no estado.

A capacitação dos profissionais está prevista para acontecer ainda em meados março e visa preparar as equipes quanto ao atendimento as pessoas transsexuais, questões de gênero e técnicas de hormonioterapia. O curso capacitatório está sendo elaborada com o Hospital Israelita Albert Einstein, localizado em São Paulo, e o Ministério da Saúde. Caso a habilitação seja realizada em março, há a possibilidade do tratamento hormonal passar a ser oferecido ainda no mesmo mês.

Todo o projeto conta com pessoas transsexuais para auxiliar no direcionamento de demandas que precisam ser atendidas. “Esse trabalho está sendo todo feito com a presença de pessoas do movimento social, homens e mulheres trans, travestis, que estão desde o processo de elaboração de projeto até agora na capacitação. Como a gente entende que é um serviço para eles, ninguém melhor que eles para dizer qual é a necessidade e o que eles precisam. Por isso eles estão bastante envolvidos”.

“É uma necessidade urgente dessa população. Há muito tempo existe essa urgência, porém a gente quer que isso aconteça o mais rápido possível porque a gente está vendo a situação das pessoas de Cuiabá e isso é só o que estamos vendo, imagina o que não estamos vendo. Existe uma necessidade muito grande e a gente compreende que existe uma expectativa de vida muito baixa dessa população, então a gente está tentando fazer com que os princípios do SUS e Direitos Humanos sejam respeitados”.

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