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Terça-feira, 26 de maio de 2020

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Fiscalização encontra enfermeiros do grupo de risco na linha de frente contra coronavírus

Da Redação – Fabiana Mendes

31 Mar 2020 - 14:40

Foto: Ilustração

Fiscalização encontra enfermeiros do grupo de risco na linha de frente contra coronavírus
O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) encontrou diversos profissionais com mais de 60 anos, grávidas e portadores de doenças crônicas, classificados no grupo de risco, na linha de frente do combate ao novo coronavírus. Nesta segunda (30) e na última sexta-feira (27), três unidades de saúde foram notificadas por descumprirem medidas de proteção ao profissional da enfermagem.

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O conselho exigiu o imediato afastamento destes funcionários e alertou para o risco de contaminação em massa dos profissionais no Estado, caso não sejam tomadas medidas urgentes para melhorar a infraestrutura da rede pública de saúde.

Foram notificados os gestores do Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá, da Unidade Saúde da Família Serra Dourada, no bairro Ouro Fino, em Cuiabá, e do Hospital Regional Irmã Elza Giovanelli, em Rondonópolis (a 216 km da Capital). A situação é grave também no Pronto-Socorro de Várzea Grande, uma das instituições determinadas como sendo de referência para o atendimento aos pacientes da Covid-19.

Entre as determinações estão melhorias na infraestrutura das unidades, no treinamento e organização das equipes e ações de proteção à saúde do trabalhador, entre elas o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) e o afastamento dos profissionais que estão no grupo de risco.

O relatório também foi encaminhado ao Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COE-nCoV), da Secretaria de Estado de Saúde. Segundo o Coren-MT, a quantidade de profissionais do grupo de risco que continuam em atividade é grande. Em instituições públicas e privadas, a fiscalização identificou funcionários com doenças crônicas, gestantes, com idade acima de 60 e até acima de 80 anos.

Há lentidão e recusa dos empregadores em realizar os afastamentos, além de pressões sobre os trabalhadores para que não solicitem este benefício. Em um dos casos, segundo denúncia, a pressão incluía ameaça de cortes no salário.

Desde a última semana, quando deu início ao atendimento via aplicativo Whatsapp, o Coren-MT atendeu a mais de 30 chamadas relacionadas à pandemia do coronavírus, entre as quais 16 denunciavam a falta ou insuficiência de EPIs.

Também há reclamações sobre treinamento precário das equipes para se protegerem e para atenderem aos pacientes, desorganização das rotinas de trabalho, ausência de dimensionamento de pessoal, déficit de recursos humanos, desinformação e problemas de infraestrutura.

Faltam itens básicos, como pias para lavagem de mãos, sabão e álcool a 70% e há problemas como goteiras, infiltrações e quantidade insuficiente de equipamentos adequados para atender aos pacientes da Covid-19.

Devido à falta de EPIs, em algumas das instituições vistoriadas a estratégia foi adotar o racionamento dos equipamentos, principalmente das máscaras N95, indicadas para trabalhadores expostos a pacientes contaminados ou suspeitos. 

O Coren-MT aponta a negligência das administrações em relação à saúde dos trabalhadores e cobra a preparação e apoio às equipes de enfermagem, que enfrentam pela primeira vez a realidade de uma pandemia.

O conselho exigiu das unidades a readequação dos critérios de distribuição dos equipamentos de proteção e está monitorando as entregas dos EPIs pelas prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande.

A fiscalização segue até o final do mês em Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Barra do Garças, Rondonópolis de Tangará da Serra. Também estão sendo feitos levantamentos junto a mais de 600 enfermeiros que atuam como Responsáveis Técnicos no Estado.

A Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá se manifestou por meio de nota.

Veja a íntegra:

-A Prefeitura de Cuiabá não tem medido esforços com o objetivo de evitar a disseminação do coronavírus, adotando medidas drásticas no intento de salvar e proteger vidas;
-Todo o Equipamento de Proteção Individual (EPI) necessário para o atendimento de pacientes infectados com coronavírus foi adquirido seguindo normas especificadas pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial de Saúde. Esses EPIs também já foram distribuídos conforme protocolo do MS / OMS;
-Sobre a reforma das áreas do antigo Pronto Socorro que serão destinadas aos cuidados com pacientes de coronavírus, até esta sexta-feira (03) tudo já estará 100% pronto;
-Todos os enfermeiros e técnicos de enfermagem já foram capacitados sobre coronavírus, tanto os do Pronto Socorro, quanto os dos PSFs, UPAs e Policlínicas;
-Todos os médicos da Atenção Básica e Atenção Secundária já passaram pela capacitação;
-Nesta semana está acontecendo a capacitação dos médicos do Pronto Socorro. Vale ressaltar que o protocolo de atendimento a pacientes suspeitos de coronavírus segue as mesmas normativas do protocolo de pacientes de H1N1.


 

1 comentário

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  • Milton Ribeiro
    31 Mar 2020 às 15:00

    Parabéns ao Conselho, mesmo uma medida ja tardia, mas é bem vinda, os conselhos de enfermagem e de Medicina teriam que terem se prevenido há muitos dias atrás. Conheço médico que está em quarentena. Isso porque nem o Estado nem o Município se preocupou em equipar os profissionais da saúde com materiais de trabalho que trouxessem segurança! Enquanto o mundo divulgava todos os dias, nosso Estado e Município faziam demagogia com o tema.

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