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Sábado, 24 de outubro de 2020

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Câmara de Lucas é alvo de protestos por "travar" orçamento de R$ 34 milhões

Da Redação - Max Aguiar

22 Set 2020 - 11:45

Foto: Reprodução

Câmara de Lucas é alvo de protestos por
Conhecida popularmente como a “Câmara do Atraso”, o Legislativo de Lucas do Rio Verde (distante 330km de Cuiabá) resolveu travar o orçamento da Prefeitura impedindo que obras de melhorias como asfalto, saneamento básico e creches sejam executadas. Nesta segunda-feira (21), manifestantes fizeram protesto durante sessão ordinária na Câmara de Vereadores cobrando explicações sobre o bloqueio de mais de R$ 34 milhões e foram recebidos com coação e ameaças.

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“Estamos defendendo a Casa e vamos defender até dia 31 de dezembro. Hoje vocês estão aqui defendendo o prefeito e pode ser que dia 31 vocês sejam mandados embora”,  ameaçou o presidente da Câmara, Dirceu Cosma (PV) na presença de vários servidores públicos.

A população, mesmo proibida de se manifestar na Câmara por força do regimento interno, protestou exibindo cartazes e um jornalista local que fez uso da palavra para cobrar providências foi abordado por um servidor da Casa.

“Uma situação que tomou a seara política e está prejudicando nosso povo. Outros municípios por exemplo, como Sinop e Sorriso, já receberam e executaram os recursos do Governo Federal no combate à Covid 19, enquanto nós aqui vencemos o pico da pandemia sem poder mexer nesse dinheiro. Querem atingir o prefeito mas acabam esquecendo do cidadão luverdense e não querem que a gente use do nosso direito de cidadão para se manifestar”, disse o empresário e jornalista Joatãn de Souza.

A manifestação refere-se ao PL 45, de junho deste ano, que prevê o repasse de R$ 17 milhões da União para ser utilizado, parte em ações de saúde e assistência social (por conta da pandemia do novo coronavírus), e outra parte de uso livre do município.

“O Governo Federal vem trabalhando com a preocupação de que a economia pare e por isso enviou esse socorro emergencial aos municípios. Aqui em Lucas a Câmara de Vereadores está na contramão, está trabalhando pra fazer parar”, afirmou o diretor de Desenvolvimento Humano do município, Gilson Pelicioli.

Em virtude dos efeitos da pandemia o Governo Federal promoveu uma série de ações de combate e enfrentamento ao vírus, dentre elas, o repasse de R$ 9,25 bilhões aos estados e R$ 5,748 bilhões aos municípios como forma de compensação pela perda de arrecadação.

“Os vereadores deveriam ser os primeiros a saber que em tempos de pandemia a economia retraiu, a arrecadação diminuiu, o poder de compra das famílias reduziu, e para evitar que o caos de instale, o Poder Executivo tem a obrigação de garantir os pagamentos e a prestação de serviço à população”, argumentou Pelicioli.

Para Gleidson Barbosa morador da cidade a situação é absurda. “Isso é uma vergonha! Estamos aqui exigindo que os vereadores tomem providências e liberem um dinheiro que é nosso, é do povo! Estão aqui e foram eleitos justamente para defender os interesses do cidadão, deveriam ter vergonha do que estão fazendo com a gente!”, disse.

34 milhões

Além do PL 45, que prevê a liberação de R$ 17 milhões, outras previsões orçamentárias que dizem respeito à lama asfáltica (PL 63), saneamento básico (PL 60), construção das creches (bairros Jaime Seiti Fujii e Parque das Emas) também estão travados na Câmara de Vereadores (PL 58 e 59).

Para o vereador Marcos Paulista (PTB) os parlamentares precisam se posicionar. “Há meses venho pedindo pra pautar os projetos, discutir e votar. Quando o projeto não é nem pautado pra discussão, tira o direito da sociedade de acompanhar. Se é contra é simples: é só votar contra. Mas, vote!”, declarou. Os projetos nem chegaram a ser pautados na sessão de ontem, e seguem travados desde junho.

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