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Confronto questionado

Secretário afirma que chiquitanos mortos não carregavam flores e que quem atirar na polícia terá “bala de volta”

03 Out 2020 - 14:05

Da Redação - Wesley Santiago/Do Local - Max Aguiar

Foto: Reprodução

Secretário afirma que chiquitanos mortos não carregavam flores e que quem atirar na polícia terá “bala de volta”
“Traficante que atirar na polícia, vai ter a bala de volta e é assim que está acontecendo na fronteira”. A frase é do secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Alexandre Bustamante, que comentou sobre a morte de quatro indígenas bolivianos por policiais do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), no último dia 11 de agosto. Autoridades do país vizinho pediram apuração do caso, dizendo que eles teriam sido confundidos com traficantes. Porém, o gestor da Pasta afirmou que os chiquitanos “não carregavam flores”.

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“Independente se é índio, branco, negro, chiquitano. Traficante que atirar na polícia, vai ter a bala de volta e é assim que está acontecendo na fronteira. Estamos apertando as investigações, não estamos dando liberdade para ninguém. São mais de dez toneladas apreendidas este ano”, disse o secretário.
 
O secretário ainda completou que “toda vez que alguém quiser fazer confronto com a segurança, entenda que estamos bem armados e preparados. Se atirar de lá para cá, vai ter bala daqui pra lá. A sorte é que estamos matando e não temos policiais sendo mortos. Nenhum desses que morreram carregavam flores, todos estavam com cocaína, na ordem de 500 quilos”
 
“Se alguém quiser ficar na fronteira para poder defender traficante, independente de ser chiquitano, negro, branco, japonês, faça sua parte. Eu quero é defender a sociedade de bem, que não quer droga espalhada”, finalizou o secretário.
 
Pedido de investigação
 
O deputado boliviano Alcides Villagomez informou que a Bolívia pediu uma apuração cuidadosa do caso ao representante do Executivo de Mato Grosso, sobre quatro indígenas mortos por policiais do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), em uma região de mata no município de Cáceres (a 220 quilômetros de Cuiabá), na tarde do dia 11 de agosto. 
 
Os Chiquitanos Arcindo Sumbre García, Paulo Pedraza Chore, Yonas Pedraza Tosube e Ezequiel Pedraza Tosube Lopez estavam retornando de uma caçada, carregando as carnes já secas de porcos do mato nas mochilas, quando foram cercados por policiais e se assustaram.
 
Os policiais relataram que os indígenas, de cidadania boliviana, seriam traficantes e resistiram à abordagem. A comunidade Chiquitano afirma que os homens estavam caçando para levar alimento para as suas famílias. Na suposta troca de tiros nenhum policial foi atingido e nenhuma droga foi apreendida.
 
O Ouvidor Geral de Polícia de Mato Grosso, Lúcio Andrade, afirmou que “as condições em que os bolivianos foram mortos precisam ser esclarecidas para dar respostas aos familiares”.
 
A Sesp explica que os homens teriam atirado contra os policiais, e que um deles tinha passagem pela polícia brasileira por receptação e falsidade ideológica.
 
Os chiquitanos foram encontrados pelos policiais após o suposto confronto, ainda feridos, e encaminhados ao Hospital Regional de Cáceres, mas não sobreviveram. Ainda segundo a Sesp, outras nove pessoas foram vistas voltando para a Bolívia com sacos nos ombros “conhecidos como sendo os utilizados por mulas para transporte de entorpecentes”, afirma.
 
A secretaria afirma que a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) constatou não existir sinais de tortura, após análise dos corpos. “As armas e munições apreendidas foram encaminhadas para a Delegacia Especial de Fronteira (Defron), que conduz o inquérito. Além das armas, foram apreendidas 12 munições intactas no calibre 22, sete munições deflagradas de calibre 38, quatro munições intactas no calibre 38 e dois cartuchos deflagrados de cartuchos”, completa a secretaria.
 
O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Fronteira (Defron). A Sesp afirma que várias diligências foram realizadas, bem como diversas oitivas e depoimentos tomados. Ainda são aguardados os resultados periciais, como laudo do local do crime, exames de necropsias, entre outros, para continuidade e conclusão do inquérito instaurado. Segundo a secretaria, caso seja apontada irregularidade na conduta dos policiais, irá tomar as providências.
 
Outra morte
 
Um operação de força-tarefa entre o Grupo Especial de Fronteira (Gefron), Delegacia Especial de Fronteira (Defron) e uma equipe do Comando Regional de Cáceres (a 217 km de Cuiabá) resultou na morte de um boliviano e de outras três pessoas que não tivereram a nacionalidade confirmada. O confronto aconteceu na madrugada deste domingo (27), nas proximidades do Rio Jauru, na região de fronteira entre Bolívia e Mato Grosso.
 
As forças policiais estava realizando o patrulhamento de uma região conhecida pela travessia de “mulas humanas”, onde foram abordadas pessoas armadas que carregavam mochilas. Assim que os policiais se identificaram, os suspeitos passaram a desferir disparados, o que resultou em um confronto entre os dois grupos.
 
Após cessar fogo, os policiais fizeram varredura pelo local e encontraram quatro suspeitos caídos ao chão. O quarteto foi encaminhado para um pronto socorro próximo, mas ninguém resistiu aos ferimentos e todos morreram.
 
Ao fazer a checagem, foi constatado que dois suspeitos possuem passagem por tráfico de entorpecentes, enquanto um deles possui mandado de prisão em aberto. Um possui passagem por homicídio e outro por fuga de presídio. Já o boliviano era irmão de outro suspeito que havia entrado em confronto com o Gefron em agosto.
 
Na mochila dos suspeitos, foram encontrados aproximadamente 90 kg de pasta base de cocaína, 3,2 kg de cloridrato de cocaína e 5 kg de ácido bórico. Também foram apreendidas quatro armas de fogo: uma pistola 9mm, uma pistola .22 e dois revólveres calibre 38.
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