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Sexta-feira, 04 de dezembro de 2020

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Secretário alerta que campanhas políticas podem provocar aumento de casos de Covid-19 em MT

da Redação - Isabela Mercuri / Do local - Max Aguiar

30 Out 2020 - 17:44

Foto: Secom / MT

Secretário alerta que campanhas políticas podem provocar aumento de casos de Covid-19 em MT
O secretário de Estado de Saúde Gilberto Figueiredo classificou como ‘desconfortável’ a realização de eventos de campanha eleitoral em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Ele lembrou, ainda, que Mato Grosso registra atualmente cerca de 700 novos casos da doença todos os dias, e com esta realidade a tendência é que os números aumentem. “Infelizmente a pandemia, para muitos, parece que já acabou”, lamentou.

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Apesar de quase todos os políticos terem afirmando, antes do início da campanha, que este seria um ano diferente, em que o contato com os eleitores seria realizado principalmente via redes sociais ou em eventos com distanciamento social e poucas pessoas, essa não tem sido a realidade.


Roberto França (PATRI), Gisela Simona (PROS), Emanuel Pinheiro (MDB) e Abilio Junior (PODE) em arrastões nas ruas (Fotos: Rogério Florentino / Olhar Direto)

O Olhar Direto acompanhou caminhadas dos principais candidatos de Cuiabá e Várzea Grande, e todos, de uma forma ou outra, desrespeitaram as indicações da Organização Mundial da Saúde (OMS), seja apertando as mãos dos eleitores, abraçando-os, conversando sem a distância de 1,5 metros ou mesmo estando sem máscara.

Em Várzea Grande, onde não há decreto municipal que o proíba, os eventos dos principais candidatos reuniram milhares de pessoas, tanto em locais abertos quanto em locais fechados. Em alguns, a distribuição de álcool em gel e o uso de máscaras lembravam que o mundo passa por uma pandemia. Em outros, nem isso.

Eventos em Várzea Grande causaram aglomerações, nas imagens: Lançamento de campanha de Kalil, de Emanuelzinho e convenção de Frical (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Gilberto lamenta a situação. “Primeiro há de se dizer que é um comportamento da população, e infelizmente no momento de eleições os candidatos também acabam incentivando e, por força da necessidade de fazer campanha, eventos de aglomeração de pessoas. Comportamento de como se a pandemia já tivesse acabado, não acabou, estamos num número médio de 700 novos casos por dia, mas a parte boa é que caiu o número de internações, a demanda por leitos hospitalares, e isso nos deixa menos desconfortável, porque estamos em pandemia e é importante que a população continue atendendo o chamamento para se proteger porque quando da doença ataca para alguns é fatal, e aí não tem solução”.

Ainda segundo o secretário, este comportamento momentâneo associado à chegada das férias e festas de final de ano pode trazer consequências graves para o estado. “O vetor do vírus é o ser humano, quanto mais o ser humano se locomove, se reúne, e faz aglomerações, a probabilidade aumenta de pessoas com infecção. O indicador mais importante que nós monitoramos nesse momento é a demanda pelas internações, seja enfermaria, seja em leitos de UTI, e essas estão em decréscimo, mas a tendência natural, por força das campanhas, por forças da própria eleição e do período de férias que se avizinha, deve ainda continuar ampliando o número de casos porque nós temos um percentual muito grande da população que ainda não foi infectada”.

Para ele, a população deve ficar atenta ao comportamento dos políticos neste momento, para tirar suas conclusões. “É um péssimo exemplo. Candidatos que nesse momento deixam esse recado para a população, é melhor que a população pense se ele tem maturidade e responsabilidade suficiente para assumir um cargo de tamanha importância, para dirigir um município, já que o próprio político não dá um bom exemplo”, finalizou.

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