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Quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

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Pecuaristas distribuem espetinho na porta do Bradesco em protesto a campanha por redução do consumo de carne

Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto

Pecuaristas distribuem espetinho na porta do Bradesco em protesto a campanha por redução do consumo de carne
Entidades do agronegócio mato-grossense realizaram na manhã desta segunda-feira (3) um churrasco em frente a agência do Bradesco, localizada na avenida Barão de Melgaço, em Cuiabá. O protesto ocorreu em resposta a uma campanha do banco que incentivou a adesão à "segunda sem carne”, campanha internacional que incentiva a redução do consumo de carne.

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O objetivo do movimento "segunda sem carne", que é praticado desde 2003 em diversos países do mundo, é diminuir impactos ambientais e melhorar a qualidade de vida dos adeptos. A adesão do banco brasileiro à iniciativa, por meio de ação de influenciadores digitais, despertou descontentamento de produtores mato-grossenses, que na última sexta-feira (31) convocaram a manifestação contra a campanha publicitária do banco. 

(Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto)
 
“Foi lido ali uma inverdade, porque hoje nós temos metodologias onde mostra que o setor não tem essa contribuição para o aumento do efeito dos gases estufas. Isso é uma inverdade, porque esses números não são verdadeiros”, disse Jorge Pires Miranda, diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), do Sindicato Rural de Cuiabá e da Nelore, ao contestar a afirmação de uma influencer na campanha do Bradesco. 



Ainda conforme Miranda, apesar do movimento segunda sem carne apenas defender a redução do consumo de carne, o protesto dos produtores serve para responder ao banco que, na verdade, a pecuária é um dos setores mais importantes para o país e que a campanha foi interpretada como uma ofensa. Conforme informação dos organizadores, foram entregues cerca de 2 mil espetos de carne na ocasião.

(Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto)
 
“Nós somos taxados como vilões quando o setor do agronegócio brasileiro é o setor que mais traz satisfação e alegria para o Brasil. O Brasil não é um exportador da área industrial, mas ele é respeitado no mundo por ser um grande exportador da área de alimentos. Nós esperávamos que nunca viria desse setor [essa crítica] … o Brasil sabe a contribuição que o agro dá … uma propaganda tão difícil para nós, ao ponto da gente se sentir atingido”, contou Jorge. 

(Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto)
 
Para José João Bernardes, diretor da Associação dos Criadores de Mato Grosso (ACRIMAT), que também apoiou o movimento, o apoio do Bradesco ao movimento "segunda sem carne" se trata, na verdade, de uma estratégia para “tirar o foco” dos principais poluidores do mundo que, segundo ele, são os países da Europa. 

(Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto)

“Estão tentando transferir essa responsabilidade para o Brasil, quando na realidade nós somos apresentados sempre como grandes credores ambientais. O que eles tão querendo é o seguinte: se você comer menos carne, você vai levar a produzir menos gases, esse é o equívoco. No fundo, o foco não é a saúde, mas simplesmente a emissão de poluentes”, disse Bernardes. 

(Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto)
 
"Ninguém fala que a Europa polui absurdamente porque ela usa uma matriz energética decorrente da queima do carvão, petróleo, combustível fóssil, esses são os grandes emissores. Como eles não podem fazer nada, eles adotaram a estratégia de vamos atacar porque enquanto nós atacamos eles se defendem e não nos atacam”, completou. 

(Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto)

O deputado estadual Gilberto Cattani (PSL) esteve na manifestação e também criticou o apoio dado pelo Bradesco ao movimento “segunda sem carne”. Segundo o parlamentar, os pecuaristas são exemplos de ambientalistas. 

(Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto) 

“[O movimento segunda sem carne] não é uma manifestação mundial é uma manifestação de xiitas que quer acabar com a produção brasileira principalmente. O produtor no nosso país é o maior exemplo de ambientalista no mundo. Na nossa bacia amazônica, nos deixamos em pé 80% das nossas áreas, nós não somos os bandidos, mas sim os países que derrubaram tudo aquilo e hoje querem cobrar do nosso país.”, afirmou.

Outras cidades também registram protestos

Conforme apurou Olhar Direto, pelo menos três outros municípios de Mato Grosso também registraram churrascos na manhã desta segunda-feira (3) em frente a outras unidades do Bradesco, ação que faz parte da manifestação que ocorreu em Cuiabá. Entre as cidades estão: Cáceres, Juína e Barra do Garças. 
Juína também registrou churrasco em frente a uma unidade do Bradesco. (Foto: Reprodução)

Outro lado

Em uma propaganda veiculada pelo Bradesco e aprovada pelo marketing, influenciadores informam sobre a importância de diminuir o consumo de carne bovina como uma estratégia para reduzir a emissão de carbono na atmosfera e associando a pecuária brasileira como um dos maiores emissores de gases de efeito estufa.

A instituição bancária afirmou que a posição do filme não representa a visão do banco. “Pelo contrário. O Bradesco acredita e promove, direta e indiretamente, a pecuária brasileira e, por conseguinte, o consumo de carne de origem animal”. O texto é assinado pelo CEO do Bradesco, Octavio de Lazari Júnior.


O episódio, inclusive, gerou uma demissão em massa no setor de marketing. Leia abaixo a nota completa da empresa:

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