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Quarta-feira, 29 de maio de 2024

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OPERAÇÃO JUMBO

Empresários e mulher usada como ‘laranja’ estão entre presos pela PF; nomes

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Empresários e mulher usada como ‘laranja’ estão entre presos pela PF;  nomes
A Operação Jumbo, deflagrada pela Polícia Federal na última segunda-feira (16), resultou na prisão das oito pessoas procuradas por lavagem de dinheiro decorrente do tráfico de drogas em postos de combustíveis, conveniências e uma mineradora na Baixada Cuiabana. Além dos oito mandados de prisão preventiva,  a 7ª Vara Criminal expediu 29 mandados de busca e apreensão, além do sequestro de diversos bens. 


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O principal alvo é Tiago Gomes de Souza, conhecido como Baleia, 36 anos. Os demais presos foram identificados como Johnny Luiz Santos, Marcio de Oliveira Marques, Mirian de Luna Cavalcanti, Tcharles Rodrigo Ferreira de Moraes, Josivaldo de Lima Gomes Filho, Tiago Teixeira da Silva e Kézia Moraes Cardeal.

Kézia é antiga proprietária do posto Atalaia, localizado na avenida Palmiro Paes de Barros. Ela teria vendido o estabelecimento a Baleia. Porém, ao invés de receber o pagamento, teria enviado dinheiro ao comprador. A PF acredita que ela tenha sido usada como ‘laranja’ do empresário do tráfico.

A compra do posto Jumbo, hoje avaliado em R$ 6 milhões, realizada por um homem que dizia trabalhar como taxista, foi um dos indícios que levaram a PF a investigar Baleia.

Em julho do ano passado, depois da troca de informações com a Diretoria de Inteligência da PM, a PF instaurou inquérito, descobriu o enriquecimento ilícito de Baleia e desmantelou o esquema do chefe do tráfico na Capital mato-grossense. Totalizando o dinheiro encontrado nas empresas alvos da operação e na casa de Baleia, no condomínio Alphaville, foram apreendidos R$ 350 mil em espécie. 

Outro ponto importante apurado no inquérito que culminou na Operação Jumbo foi a vida pregressa e o padrão de vida levado por Baleia nos últimos anos. Ele tinha uma troca constante e incomum de automóveis, todos de luxo, além de residir em um dos condomínios com os imóveis mais caros de Cuiabá.

Na vida do crime, começou ainda adolescente como traficante de lança-perfume, fez parte de gangues, depois foi investigado como mandante de um homicídio. Por último, se tornou dono de ‘boca de fumo’, até passar a trabalhar como taxista.  

Ao mudar de cargo na prática criminosa, passou a figurar como empresário a partir do financiamento do tráfico, inclusive mantendo contato quase que diário com uma facção criminosa instalada em Mato Grosso.

Entre os bens do grupo criminoso que foram comprados com dinheiro do tráfico de entorpecentes estão veículos de luxo (total de 101) e imóveis, que totalizam cerca de R$ 60 milhões. A Justiça determinou o bloqueio desses itens.

Depois de comprar o Jumbo, Baleia teria comprado os postos Atalaia e outro na avenida Miguel Sutil. A ideia do criminoso era de expandir seus negócios com uma rede de postos na região metropolitana de Cuiabá, por meio do dinheiro do tráfico de cocaína que vinha da Bolívia para Mato Grosso.

Os criminosos tinham uma metodologia de aquisição e transportavam a droga por meio de ‘mulas’, que caminhavam por cerca de cinco dias, trazendo a cocaína nos ombros. Ao chegar na zona rural Porto Esperidião, onde o grupo tinha uma espécie de base, a droga era levada para Mirassol D’Oeste e depois para a Capital mato-grossense. Em dois dos transportes, a Polícia Militar e o Gefron conseguiram interceptar 210 quilos de cocaína.

A organização criminosa se dividia em dois núcleos: um responsável pela logística e transporte da droga e outro composto por empresários, que lavavam o dinheiro principalmente em postos de combustíveis, conveniências, além de uma mineradora.

“A quebra de sigilo bancário foi cristalina em mostrar que todos os indivíduos do núcleo empresarial, pessoas físicas e jurídicas, transferiam desde 2018, recursos para pessoas ligadas ao tráfico de drogas em Mirassol D’Oeste e Porto Esperidião. Ficou claro e evidente o financiamento do tráfico de drogas por todas essas pessoas que estão presas hoje”, explica o delegado de Combate ao Crime Organizado, Jorge Vinícius Gobira Nunes.

Os valores adquiridos através do tráfico de drogas eram mesclados aos ganhos regulares dos postos de combustíveis e conveniências, para dificultar que a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) notasse alguma irregularidade.

“Havia uma mesclagem. O dinheiro ilícito era mesclado aos ganhos dos postos. Foram identificadas as pessoas que detinham as principais funções na organização criminosa e elas estão sendo objetos de mandados de busca e mandados de prisão na data de hoje”, pontuou.

A investigações continuam e a PF ainda acredita que possa existir outras pessoas no mesmo nível hierárquico de Baleia.
 
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