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Segunda-feira, 08 de agosto de 2022

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'Em luto, na luta'

Ato cobra justiça por indigenista Bruno Pereira e jornalista Dom Phillips em Cuiabá; veja fotos

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Ato cobra justiça por indigenista Bruno Pereira e jornalista Dom Phillips em Cuiabá; veja fotos
O assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips tem mobilizado diversas manifestações pelo País. Em Cuiabá, nesta terça-feira (21), o ato "Em luto, na Luta" foi realizado em memória da dupla. A manifestação começou às 17h, na Praça Alencastro. 

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“Nós que trabalhamos com questão indígena, a nossa prioridade é a defesa dos direitos. A gente quer é que acabe situações que colocam em risco a vida dos índios e também das pessoas que trabalham. O Bruno era uma pessoa corajosa e tinha muita esperança que essa situação fosse resolvida”, disse o indigenista Elias dos Santos Bigio, 62 anos, que já trabalhou com o Bruno na Fundação Nacional do Índio (Funai).  
Elias e Bruno trabalharam juntos na Funai. (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Phillips e Pereira estavam desaparecidos desde cinco de junho, data em que saíram para realizar uma viagem a terra indígena do Vale do Javari (AM). Na última quarta-feira (15), porém, os restos mortais da dupla foram encontrados após a confissão de envolvimento feita por um dos suspeitos. 

Na manifestação, os participantes carregavam imagens de Dom e Bruno, cobrando justiça pela morte da dupla. O ato também cobrou a reestruturação da Funai, assim como a recomposição do seu quadro de servidores. Os manifestantes também pediram a substituição do atual presidente do órgão, Marcelo Xavier. 
Eliane Xunakalo, do povo Kurâ-Bakairi, integrante da Fepoimt. (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

“Nós estamos cobrando justiça. Hoje foi o Bruno e o Dom, amanhã pode ser eu, pode ser outro companheiro, outra pessoa e eles morreram lutando por isso. Agora, é nosso dever lutar pela memória deles. Aqui em Mato Grosso nós temos 43 povos e dois povos isolados que não tem território e que vivem sob ameaças, ameaças de madeireiro, ameaças de garimpeiro”, disse Eliane Xunakalo, integrante da Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt). 

Quem também esteve presente na manifestação foi Gilberto Vieira, coordenador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi-MT). Na ocasião, ele argumentou que a Funai foi enfraquecida durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro (União), situação que, segundo ele, foi comprovada com a morte de Dom e Bruno.

“O descaso com a Fundação do Índio, com os servidores sérios, como era o caso de Bruno, o ataque à imprensa livre como ocorre agora de forma fulminante com a morte de Dom Phillips. Esse episódio deixa evidente que a Funai não tem cumprido sua função”, comentou Vieira.
Gilberto Vieira, coordenador do Cimi em Mato Grosso. (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

O deputado estadual Lúdio Cabral também esteve presente no ato. À reportagem, ele disse que o estado de Mato Grosso enfrentam ameaças semelhantes às quais Bruno e Dom foram expostos, e que culminaram em seus assassinatos. 

“Mato Grosso vive isso o tempo todo, isso está no nosso cotidiano infelizmente. As mortes do do Bruno e do Dom ela é só a ponta de um iceberg que é o que acontece o tempo todo ou algo semelhante, de ameaça”, denunciou.

Em Cuiabá, a ato foi apoiado pela Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adunemat), Centro Burnier Fé e Justiça, Comissão Pastoral da Terra (CPT-MT), Conselho Missionário Indigenista (Cimi-MT), Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), Fórum Estadual de Direitos Humanos e da Terra (FDHT-MT), Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad) e Sindicato dos Servidores Públicos Federais (Sindsep-MT).
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