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Quinta-feira, 20 de junho de 2024

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Sequência de fracassos na revitalização do centro histórico de Cuiabá: comerciantes sofrem com insegurança e abandono

Foto: Olhar Direto

Sequência de fracassos na revitalização do centro histórico de Cuiabá: comerciantes sofrem com insegurança e abandono
No dia 8 de abril, Cuiabá chegou ao marco de 305 anos de existência, mas com a história sendo esquecida debaixo de escombros dos antigos casarões que contam o passado da capital mato-grossense. Não apenas as memórias estão sendo corroídas, mas também todo o espaço social e econômico do Centro Histórico. Comerciantes reclamam da situação. 


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Olhar Direto entrevistou alguns empresários do centro de Cuiabá que relatam inseguranças em relação às suas lojas. Jonny Audrey é dono de duas lanchonetes na região e percebe que os casarões fechados acabam atraindo pessoas em situação de rua.

“Muita gente precisa estar na rua, não está porque quer. E outras se aproveitam de estar na rua para praticar crimes, eles usam esses pontos para consumo de drogas, estão roubando fio de eletricidade para pegar o cobre e vender”, diz.

Devido ao aumento de crimes e diminuição do movimento nas ruas, Jonny começou a fechar as lanchonetes mais cedo e não abre mais aos sábados. Ele acredita que não basta apenas reformar os prédios antigos, é preciso reforçar a segurança no local. "Não adianta passar maquiagem em quem não tomou banho”.



Já Lilian, que possui uma loja de aluguel de roupas de festa na esquina da Rua Voluntários da Pátria com a Comandante Costa há 24 anos, diz que está muito complicado trabalhar naquela região.

“Os moradores de rua ficam alojados na frente da minha loja e os clientes ficam amedrontados, com medo de serem assaltados. Porque eles brigam na rua, fazem sujeira, além da droga que eles usam o tempo todo, os clientes ficam com medo e eu não tiro a razão”, apontou a empresária.

Quando questionada sobre como anda o movimento na loja, a comerciante desabafa.

“Diminuiu muito o fluxo aqui na rua, além de cobrarem agora o estacionamento, tem essa questão dos moradores de rua que aumentou demais. As pessoas estão saindo daqui por causa disso, então, eu não sei até quando que vai durar essa rua”.

Inúmeras iniciativas públicas tentaram revitalizar o centro histórico de Cuiabá, mas nenhuma teve êxito. Um exemplo é o programa PAC Cidades Históricas, no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, que em 2013 contemplou dez imóveis para serem restaurados com aproximadamente R$ 10 milhões. No entanto, apenas duas revitalizações foram finalizadas e uma teve a primeira etapa concluída.



Na ocasião, a prefeitura informou que utilizou cerca de R$ 3 milhões até o momento da paralização dos trabalhos e afirmou que não foi possível realinhar o aspecto financeiro.

Em nota, alegou que houve restauros que “revelaram defeitos durante a execução que não eram visíveis antes do início dos trabalhos”. Também destacou que muitas obras foram interrompidas devido à pandemia de Covid-19 em 2020, e que vários recursos foram recebidos antes da primeira gestão de Emanuel Pinheiro, em 2017.

Em ano eleitoral, alguns políticos, que agora estão em momento de pré-candidatura, já conversaram com Lilian, e ela é bem direta na resposta. “Tem que ajudar a gente, porque nós já tentamos de todas as formas e até agora, nada, nada foi feito”.

Centro Pop
O Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, conhecido como Centro Pop, localizado na rua Comandante Costa e próximo a loja da Lilian, atende diariamente cerca de 60 pessoas em situação de rua que buscam acolhimento e assistência burocrática.

O atendimento do Centro funciona no sistema de "porta aberta", ou seja, a pessoa pode ingressar no serviço quando quiser e ter suporte em diversas áreas, como atualização de documentos, encaminhamentos para o mercado de trabalho, cursos de qualificação profissional, espaço para higiene pessoal, guarda de pertences, lavanderia, atendimento psicossocial e acesso a vagas de acolhimento institucional.



No entanto, o espaço fica fechado aos finais de semana e encerra o expediente às 19h, voltando a abrir apenas às 07h.  Apesar da localização privilegiada, que visa justamente ser mais acessível para as pessoas em situação de rua, o espaço tem gerado incomodo aos comerciantes que clamam por ações mais concretas e seguras para ambos os grupos.

“O governo quer fazer alguma coisa por eles? Que faça mais afastado, não na região dos comércios. Porque a gente precisa do cliente, aí fica muito complicado”, declara a lojista.
 
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