Olhar Jurídico

Domingo, 20 de agosto de 2017

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O julgamento no TSE e os novos discursos

Autor: Julio Cezar Rodrigues

13 Jun 2017 - 09:50

Concluído o processo por crime eleitoral em desfavor da chapa Dilma/Temer pelo TSE, fica a pergunta no ar: qual será o discurso do PT? Lula já afirmou à imprensa que “não comenta sobre decisão judicial”. Como assim? Lula tem comentado e criticado a grande maioria das decisões judiciais da “operação lava-jato”. Dado a abundância de provas colhidas para o julgamento e mesmo assim ter havido a absolvição da chapa, fica patente que o aspecto decisivo que embasou o voto de minerva do Ministro Gilmar Mendes foi político. O PT aceita esse “julgamento político” mas não aceita o “julgamento político do impeachment”?

O PT e sua militância não aceitaram até hoje que Dilma Rousseff tenha sido impichada por crime de responsabilidade. Criaram o mito do “golpe”. Não aceitam o Governo Temer, malgrado este só esteja no poder por culpa exclusiva da aliança do PT com o PMDB. Se agora ojerizam o governo Temer, via oposição acirrada contra reformas em trânsito no Congresso, por que não se insurgem contra a decisão do TSE? Pela lógica petista é melhor engolir Temer do que discorrer contra o julgamento, uma vez que, diante do arcabouço de provas no processo (e não convicção) ter-se-ia a prova cabal de que o partido da ética usou meios absolutamente ilegais (criminosos) para vencer a eleição de 2014?As voltas que o mundo dá!

Continuará o PT, agora sob a liderança da Ré em crimes de corrupção, GleisiHofman, construir um novo discurso de “golpe”, agora perpetrado pelo TSE? Ou continuará o PT a transfigurar via retórica sofismática que crimes previsto no código penal quando cometidos por membros do partido não são crimes, são objetos de perseguição da mídia golpista, da burguesia opressora, das “zelites” e da direita “coxinha”, transmutando seus meliantes em “heróis do povo brasileiro”? Ou defenderão o TSE?

O PT criou um problema que não tem mais como resolver. Lula ficou maior que o partido. Desmistificado Lula, acabou o PT. Daí a blindagem severa que a militância faz em torno do seu líder. Visite a Rússia e encontrará o cadáver embalsamado de Lênin até hoje exposto, simbolizando que os ideais da Revolução jamais morrerão. Visite Cuba e veja como Fidel foi levado ao nível do sagrado. Passe na Coréia do Norte e sinta a presença dos finados ditadores pai e avô de Kim Jung-Um materializados em estátuas e fotos gigantescas. É o culto à personalidade tão caro às esquerdas.

“Há algo de podre no reino da Dinamarca” (afirmou Hamlet, personagem de Shakespeare). A política brasileira não tem “cheirado” bem em Brasília. O clima é de “salve-se quem puder”. Cada peça movida no tabuleiro desencadeia eventos incertos e imprecisos. Não há uma aliança em prol da salvação da nação. Tudo indica que o PT executará a mesma estratégia que o PSDB adotou em 2005 em meio ao escândalo do mensalão: deixar Lula “sangrar” até as eleições. Todos conhecemos o resultado. Parece que o PT quer deixar Temer “sangrar” até as eleições de 2018, apostando todas as fichas que a candidatura de Lula se anabolize e ganhe musculatura para enfrentar Bolsonaro e/ou algum candidato do PSDB (com o apoio do PMDB?).

De outro lado, no ninho tucano, o sempre indeciso PSDB não sabe se desembarca ou não do Governo Temer. Uma eventual saída do Governo agora significaria o não apoio do PMDB em 2018. O que fazer? Ideologia ou pragmatismo? Enquanto nossas Excelências decidem o futuro da nação, o cidadão “médio” e seus 14 milhões de desempregados aguardam os próximos capítulos.

 
Julio Cezar Rodrigues é economista e advogado (rodriguesadv193@gmail.com)

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