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Terça-feira, 26 de setembro de 2017

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MP aponta que Lúdio se beneficiou de desvios, mas ainda investiga possível participação direta nos crimes

Da Redação - Wesley Santiago

16 Fev 2017 - 15:01

Foto: Rogério Florentino Pereira/OD

Lúdio Cabral foi conduzido coercitivamente

Lúdio Cabral foi conduzido coercitivamente

O Ministério Público Estadual (MPE) aponta que o ex-candidato a prefeito de Cuiabá, Lúdio Cabral (PT), teria se beneficiado de parte dos R$ 8,1 mi desviados dos cofres públicos. O médico foi conduzido coercitivamente, na manhã de terça-feira (14), durante a quinta fase da ‘Operação Sodoma’. Porém, ainda está sendo investigada a participação direta dele nos crimes. Lúdio nega qualquer ato ilícito para ao pagamento de dívidas de campanha e afirmou que irá colaborar com as investigações. 

Leia mais:
MPE diz que R$1,7 mi em propinas bancaram pagamento de dívidas de campanha de Ludio e Faiad

 
Conforme a denúncia, R$ 1,7 milhão foram desviados para pagamento de dívida de campanha eleitoral, em 2012, na qual Francisco Faiad e Lúdio Cabral concorriam ao Palácio Alencastro, como vice-prefeito e prefeito, respectivamente. O mesmo montante era devido pelos dois para a empresa marmeleiro Auto Posto, contratada por Eder Morais, para fornecimento de combustível para os veículos da companha.
 
Juliano Volpato teria, na qualidade de proprietário da empresa, procurado Lúdio e Faiad, mas sem sucesso. Depois, foi tentar cobrar Eder Moraes, também sem êxito. Após um tempo, quando era secretário de Estado, Faiad teria comunicado que o pagamento seria feito através da Secretaria de Transportes.
 
Sendo assim, o Ministério Público Estadual aponta que toda a dívida com a empresa foi paga pelo Estado de Mato Grosso, por meio de inserções de consumo inexistente em caminhões tanques, denominadas melosas. Segundo a juíza, ficou claro que para aquisições e contratações, a organização criminosa praticou fraudes em pregões.
 
Por fim, é elencado que Lúdio teria sido beneficiado de parte dos R$ 5.855.000,00 desviados do estado. “Assim, sua condução coercitiva e sua oitiva serão de grande utilidade para esclarecer alguns detalhes dos crimes que apontam Francisco Faiad como autor. A providência servirá também para que se esclareça se Lúdio teve ou não participação direto nos crimes ou, ainda, se há coautores ainda não identificados nesse episódio”, diz trecho da decisão, proferida pela juíza Selma Arruda, da Sétima Vara.
 
Após prestar depoimento na Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra Administração Pública (Defaz), Lúdio disse à imprensa que a “denúncia é infundada” e considerou “descabida a condução coercitiva”, já que jamais foi chamado para prestar esclarecimentos sobre o caso. Por fim, garantiu que "sequer sou investigado nesta operação. Não tem lógica a conta feita, seriam mais de 500 mil litros de combustível".
 
Investigação
 
Segundo a Polícia Civil apurou, as empresas foram utilizadas pela organização criminosa, investigada na operação Sodoma, para desvios de recursos públicos e recebimento de vantagens indevidas, utilizando-se de duas importantes secretarias, a antiga Secretaria de Administração (Sad) e a Secretaria de Transporte e Pavimentação Urbana  (Septu), antiga Secretaria de Infraestrutura (Sinfra).
 
As duas empresas, juntas, receberam aproximadamente R$ 300 milhões, entre os anos 2011 a 2014, do Estado de Mato Grosso, em licitações fraudadas. Com o dinheiro desviado efetuaram pagamento de propinas em benefício da organização criminosa no montante estimado em mais de R$ 8,1 milhões.

Lúdio 

No último dia 14, ao sair da Delegacia Fazendária, o ex-candidato falou com a imprensa e negou qualquer prática ilícita. Asseverou que foi depor, não na condição de investigado, mas sim, na condição técnica de informante e que não há nenhuma citação a seu nome. "Todos os depoimentos não me envolvem em nenhum tipo de crime". Afirmou ainda que todas as dívidas de campanha foram quitadas pelo diretório nacional do PT. 

Lúdio também se manifestou por meio de nota à imprensa. Veja abaixo:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

1. Na manhã desta terça-feira (14/02), fui conduzido coercitivamente pela Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra Administração Pública para prestar depoimento na condição de informante, não de investigado;

2. Embora tenha recebido tratamento respeitoso de todos os servidores da Defaz, entendo desnecessária a determinação judicial de condução coercitiva, especialmente porque me apresentaria espontaneamente para prestar esclarecimentos caso fosse intimado;

3. Não há na investigação qualquer indício que aponte minha participação em desvio de recursos públicos;

4. Não existiu uma suposta dívida de R$ 1,7 milhão em combustíveis para a campanha à Prefeitura de Cuiabá em 2012 que teria sido paga com recursos públicos desviados;

5. As dívidas da referida campanha foram devidamente registrados na prestação de contas eleitorais, integralmente assumidas pelo Partido dos Trabalhadores com a anuência dos credores após a campanha, como determina a legislação, e posteriormente quitadas;

6. Todos os documentos de quitação das dívidas estão nos autos do processo de prestação de contas junto à Justiça Eleitoral, e estarei requerendo formalmente os mesmos para disponibilização à imprensa.

Cuiabá, 14/02/2016.

Lúdio Cabral 


Confira a lista de ordens cumpridas na operação:
 
Prisões Preventivas
 
Silval da Cunha Barbosa
Sílvio César Corrêa de Araújo
José de Jesus Nunes Cordeiro
Francisco Anis Faiad
Valdísio Juliano Viriato

 
Conduções Coercitivas
 
Francisco Gomes de Andrade Lima Filho
Marcel Souza de Cursi
Arnaldo Alves de Souza Neto
Lúdio Frank Mendes Cabral
Wanderley Fachetti Torres
Rafael Yamada Torres
Diego Pereira Marconi
Valdecir Cardoso de Almeida
Wilson Luiz Soares Pereira
Mário Balbino Lemes Júnior

 
Busca e Apreensão
 
Condomínio Alpha Garden, Bairro Rodoviária Parque, Cuiabá (Faiad)
Edifício Terceiro Milênio, bairro Centro, Balneário Camboriú - SC (Valdisio)
Edifício Avangard Exclusive House, bairro Centro, Balneário Camboriú -SC (Valdisio)
Edifício Villa Serena Home Club, bairro Centro, Balneário Camboriú - SC (Valdisio)
Edifício Village do Boa, bairro Boa Esperança, Cuiabá (Ludio)
Edifício Ravena, bairro Centro, Várzea Grande (Wanderley)
Edifício American Park, bairro Jardim das Américas, Cuiabá (Wanderley)
Apartamento na rua Delfim Mário de Pádua Peixoto, Praia Brava, Itajaí - SC (Wanderley)
Condomínio Vila Residente, Parque George, Cuiabá (Diego)
Casa, no bairro CPA IV, Cuiabá (Valdecir)


Vídeo de Lúdio Cabral:

8 comentários

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  • cuiabano de chapa cruz
    17 Fev 2017 às 19:39

    Aonde está o sorriso em seu rosto agora "querido" Ludio Cabral.

  • JOAO
    17 Fev 2017 às 12:53

    A OPOSIÇÃO DE MT ESTA TODA ENRROLADA.

  • Gramulhao
    17 Fev 2017 às 10:00

    Que tá que ta com Dilma, com Silval, com Lula, agora não sei de nada, uma campanha milionária desse Ludio ao governo de onde venho o dinheiro fala manda.

  • josé a silva
    17 Fev 2017 às 05:24

    ISSO TODO MUNDO SABE! MAS QUEM CONFESSA? NEGAM ÀS ULTIMAS INSTÂNCIAS! ATÉ NO INFERNO NEGAM.

  • Alex
    16 Fev 2017 às 20:44

    Mais um petista acusado de corrupção? Nossa, que novidade!

  • Mariane
    16 Fev 2017 às 18:12

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  • Monteiro
    16 Fev 2017 às 15:31

    Eu gostaria de entender porque o empresário Allan foi preso e solto logo em seguida. Porque o caso dá SEDUC não tem sido divulgado na mídia. Porque as pessoas que foram citadas na delação dos empresários envolvidos nos desvios de recursos públicos não foram levados a para depor, ou foram presos? Que justiça é essa?

  • Rodrigo da Silva
    16 Fev 2017 às 15:24

    PT sendo PT

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