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Terça-feira, 25 de abril de 2017

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Dono da City Lar tentou barrar delação por fraudes em benefícios, afirma ex-funcionário

Da Redação - Arthur Santos da Silva

19 Abr 2017 - 16:42

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Dono da City Lar tentou barrar delação por fraudes em benefícios, afirma ex-funcionário
O ex-diretor jurídico do grupo City Lar, incorporado pela rede de lojas Ricardo Electro, Florindo José Gonçalves, presta depoimento em audiência de retratação nesta quarta-feira (19). Ele é acusado de ter mentido a Justiça no processo proveniente da Operação Sodoma, em sua primeira fase. Acompanhe o tempo real ao final da matéria.
 
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A referida operação versa sobre um suposto esquema para concessão de incentivos fiscais ao empresário João Batista Rosa liderado pelo ex-governador Silval Barbosa.
 
Batista, dono da Tractor Partes, afirmou que entregou irregularmente a quantia de R$ 2,6 milhões para obter incentivo no Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic). Além de Barbosa, os ex-secretários Marcel de Cursi e Pedro Nadaf teriam exigido o pagamento.
 
No depoimento dado no dia 1º de fevereiro de 2016, Florindo Gonçalves afirmou que tinha encontrado com o empresário João Batista Rosa (delator do esquema) e o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, para tratar sobre vendas de aparelhos de ar-condicionado para empresas do ex-secretário.
 
No entanto, as delações e investigações apontaram que a reunião seria para Nadaf tentar impedir João Rosa de denunciar a organização criminosa, que atuava na gestão de Silval Barbosa com fraudes à concessão de benefícios fiscais do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic).
 
Operação e esquema 

A operação Sodoma, em sua primeira fase, aconteceu no âmbito de inquérito policial que investigou uma organização criminosa composta por agentes públicos que ocuparam cargos do alto escalão do Governo do Estado nos anos de 2013 e 2014. 

Todo procedimento foi realizado em conjunto pela Delegacia de Combate à Corrupção, Ministério Público Estadual, Secretaria de Fazenda de Mato Grosso e Procuradoria Geral do Estado, com apoio do Sistema de Inteligência do Estado. 

A suposta organização criminosa montada, segundo o Ministério Público, pelo ex-governador, cobrava propina em incentivos fiscais por meio do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic). 

Silval Barbosa, Nadaf, Marcel de Cursi (que seguem presos) além de Francisco Andrade de Lima Filho, Sílvio Cezar Corrêa Araújo e Karla Cecília de Oliveira Cintra constam com réus no caso.

Acompanhe.

18h7- Fim da audiência.

18h04-
O advogado de Marcel de Cursi questiona a Florindo se o ex-secretário ouviu a conversa entre ele e Nadaf na Padaria América.                        

Florindo diz que sim e o advogado insiste: "eu já fui nessa padaria e sei que lá tem muito barulho, será que ele ouviu mesmo?".                        

A testemunha diz que sim e a juíza interrompe: "O senhor está quase obrigando a testemunha a dizer que sim".                        

O advogado Arthur Osti questiona em nome de Silvio César se o fato de Florindo ter ido até João não seria uma troca de favores entre Erivelton e Nadaf. 

A testemunha nega e diz que foi lá apenas a mando de Erivelton

17h55- Após o encontro, Nadaf esperou por Elivelton e Florindo na Padaria América. No local, também estava presente Marcel de Cursi, conforme conta . Mas Cursi não teria dito nada nem a ele nem a Erivelton: "Foi muito rápido", conta.                        

"Quando o Pedro chegou lá ele disse assim: fala pro João não fale pelo celular que o celular tá grampeado. E eu dei o recado quando cheguei na casa do João", narra a testemunha.

"Eu cheguei e falei para o João que se a gente fosse ligar eu ia falar que se ele iria pra 'reunião do ar condicionado', isso foi por conta do pedido do Nadaf que não queria que falassem o nome dele no telefone".                    
De acordo com Florindo, a instrução de Pedro foi para que ele negasse até mesmo frente a Justiça sobre o encontro dele Florindo com o João Rosa.                        

"Quando o Pedro chegou lá ele disse assim: 'fala pro João não falar pelo celular que o celular está grampeado. E eu dei o recado quando cheguei na casa do João", narra a testemunha.                        

Florindo diz não saber porque Nadaf foi procurar Erivelton. Ele conta que sabe apenas que o ex-presidente da Fecomercio tinha uma amizade com o então dono da City Lar                        

Florindo conta que ligou para saber se João havia marcado a reunião com Nadaf. O empresário disse que tinha "outro compromisos"                        

"De fato ele não marcou a reunião, nem falou que ia nem que não ia. Ele sempre dizia que iria procurar a família dele para decidir, explica.                        

Segundo Florindo, a história do 'ar-condicionado' já existia e ele usou o interesse de comprar o produto como pretexto para intermediar o encontro entre Rosa e Nadaf, a mando deste último.                        

À defesa de Silval, Florindo conta que tinha bastante convivência com  João Rosa porque participava do CDL quando este último era presidente: "a gente tinha uma convivência frequente, mas institucional", diz

17h38- Florindo promete dizer a verdade sobre o ocorrido. Ao MPE, o ex-funcionário da City Lar conta que foi na casa do João Rosa porque Pedro Nadaf, intermediado por Elivelton Da Silva, donoda City Lar, pediu para que Florindo impedisse a delação do empresário João Rosa                        

"Eu disse que tinha ido lá a pedido do Pedro para saber se ele tinha feito a delação ou não e ele falou que não e eu disse que queria marcar entre os dois e na sequência  ele disse que ia pensar e entraria em contato comigo caso quisesse realmente marcar o encontro".                       

17h18 - Silval Barbosa e Pedro Nadaf foram dispensados da audiência. Marcel de Cursi acompanha o ato processual. 

1 comentário

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  • João
    20 Abr 2017 às 16:53

    Então o MP vai denunciar o patrão dele por obstrução da justiça.

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