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Quinta-feira, 27 de abril de 2017

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Delator firma acordo de R$ 500 mil com MPE para se livrar de ações cíveis da Sodoma

Da Redação - Paulo Victor Fanaia Teixeira

20 Abr 2017 - 09:35

Foto: Rogério Florentino Pereira/OD

Willians Mischur chegando à sede da Defaz

Willians Mischur chegando à sede da Defaz

O empresário Willians Paulo Mischur, dono da Consignum Programa de Gerenciamento e Controle de Margem Ltda, firmou com o Ministério Público Estadual (MPE) um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que o livra de ser processado na esfera cível por conta da “Operação Sodoma”. Em troca, deverá pagar R$ 500 mil. Metade desta quantia já possui destino certo: o Hemocentro de Mato Grosso. O acordo foi celebrado com o promotor Clóvis de Almeida Júnior, da 36ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa.

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Willians Paulo Mischur teve seu nome envolvido no esquema de fraudes no âmbito da “Sodoma 2” e chegou a ser preso quando deflagrada a operação. Em sua residência fora encontrado R$ 1,2 milhão em espécie. Com sua equipe de cerca de 10 advogados, Mischur firmou com o MPE um acordo de delação premiada e, posteriormente, foi considerado vítima de extorsão, para a revolta dos advogados de defesa, que chegaram a solicitar à juíza da Sétima Vara Criminal, Selma Rosane Arruda, que o empresário voltasse ao banco dos réus.
 
Conforme a investigação, Willians Mischur pagou ao longo de 2011 e 2014 propinas mensais em montantes que variavam entre R$ 500 mil e R$ 700 mil. Ainda, teria sido “obrigado” a assinar contratos de compra de um terreno avaliado em R$ 13 milhões para encobrir valores de extorsão cobrados pelo ex-secretário de Administração de Mato Grosso, César Zílio. Segundo o próprio empresário, todas as ações ilícitas foram feitas para evitar que o Estado cancelasse seu contrato com a Consignum, uma vez que haveria uma concorrente disposta a aumentar o valor da propina.
 
As declarações do empresário ao MPE subsidiaram a terceira fase da Sodoma. Na ocasião, um novo mandado de prisão foi expedido contra o ex-governador de Mato Grosso, Silval da Cunha Barbosa, apontado como grande chefe do esquema.
 
Conforme documento obtido pelo site MídiaNews, o TAC entre o empresário delator e o MPE prevê um pagamento de R$ 500 mil, sendo que metade da quantia se refere aos danos morais coletivos e a outra, a multa civil, que destinará o recurso a aquisição de produtos e serviços em benefício do Hemocentro de Mato Grosso. Desse investimento, o que sobrar ficará com o Fundo Estadual de Saúde. Como garantia, o empresário se livra de responder em ações cíveis, comuns após o termino das ações penais que se encerram com sentenças condenatórias.
 
Segundo o promotor Clóvis de Almeida Júnior, o acordo celebrado com o empresário tem caráter “irrevogável e irrenunciável”, entretanto, caso Mischur “dê causa à rescisão do presente Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta, ficará obrigado ao pagamento de multa de 30% sobre o valor fixado a titulo de danos morais coletivos e multa civil”, diz trecho da TAC.
 
Entenda o Caso:

Na fase 2 da “Operação Sodoma”, deflagrada no dia 11 de março de 2016, foi descoberta a lavagem de R$ 13 milhões na aquisição de um terreno na Avenida Beira Rio, próxima a casa de shows Musiva, que teria sido quitado com cheques provenientes de propina pagas por empresas (beneficiados com incentivos fiscais) ao Poder Executivo. 

A compra foi feita, segundo o Ministério Público Estadual, pelo ex-secretário de Administração César Zilio, que teria usado o pai falecido e um arquiteto como “laranjas” na transação. 

Foram denunciados pela Sodoma: O ex-governador, Silva da Cunha Barbosa; o ex-prefeito de Várzea Grande, Wallace dos Santos Guimarães; os ex-secretários de Estado, Marcel de Cursi, Pedro Jamil Nadaf, José Jesus Nunes Cordeiro, César Roberto Zílio e Pedro Elias Domingues; o filho do ex-governador, Rodrigo da Cunha Barbosa; o ex-deputado estadual José Geraldo Riva; Silvio Cezar Correa Araújo, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, Karla Cecília de Oliveira, Tiago Vieira de Souza, Fábio Drumond Formiga, Bruno Sampaio Saldanha, Antonio Roni de Liz e Evandro Gustavo Pontes da Silva.

2 comentários

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  • Analista Político
    20 Abr 2017 às 14:16

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  • Nho belo
    20 Abr 2017 às 13:43

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