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Segunda-feira, 25 de setembro de 2017

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Ministro Gilmar diz ser vítima de 'desordem institucional' em Mato Grosso

Da Redação - Arthur Santos da Silva

06 Set 2017 - 10:58

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Ministro Gilmar diz ser vítima de 'desordem institucional' em Mato Grosso
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ao jornal Valor Econômico que Mato Grosso está passando por "uma grande desordem institucional". Segundo o magistrado, personagens do contexto buscam envolvê-lo.

Em defesa própria, o ministro negou que tenha ligação com os esquemas recentemente desvendados.

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O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirmou, em entrevista por telefone, que seu Estado natal, o Mato Grosso, vive "uma grande desordem institucional" na qual procuram envolvê-lo de forma ilegal. No mês passado, o Estado foi abalado com a divulgação da delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), na qual tornou-se evidente um esquema de pagamentos de propina a deputados estaduais em troca de apoio político, entre outras irregularidades. Foram citados tanto o antecessor de Silval, o ministro da Agricultura Blairo Maggi, quanto o sucessor, o governador Pedro Taques (PSDB). Gilmar possui conexões com todos, embora não tenha sido mencionado na delação.

"Tenho relação com todo mundo. Conheço todos os parlamentares, gente rica, gente pobre, mas não tenho qualquer conexão com estas falcatruas. Não estaria tendo os enfrentamentos que tenho se tivesse vulnerabilidades", afirmou.

O ministro se queixa de que o sigilo fiscal de familiares seus foi ilegalmente quebrado por integrantes do Ministério Público Estadual do Mato Grosso e da Polícia Civil do Estado, em meio a um vazamento maciço de dados da Secretaria da Fazenda que foi investigado pelo governo estadual em 2014 e teria atingido 1 milhão de contribuintes. Ele recebeu uma correspondência da OAB matogrossense informando de que houve a violação.

Gilmar disse que passa ao largo da política local. "Meus parentes saíram da política. Meu irmão foi prefeito [de Diamantino], nunca mais quis ser, por conta da mistura da sua pessoa com a minha. Eu não tenho influência no Mato Grosso, eu tenho influência no Brasil". 

O ministro recebeu uma comenda de Silval em 2013, ocasião em que disse que era "amigo de muitos anos" do agora delator. "Todos nós nos dizemos amigos das pessoas. Todo mundo se diz amigo, irmão, coisa do tipo", comenta Gilmar, que diz ter conhecido Silval quando o hoje delator era vice-governador de Blairo Maggi. "Para mim foi uma surpresa, eu não sabia que tinha este tipo de coisa. Tinha relação institucional, de cordialidade, mas não fazia negócio com essas pessoas. Tenho interface com o meio político há quarenta anos e não tenho como não ter convivido com essas pessoas".

Silval em 2013 estatizou uma faculdade em Diamantino (MT), onde o pai de Gilmar e seu irmão foram prefeitos. A transação envolvendo o estabelecimento de ensino da família do magistrado motivou a instauração de um inquérito civil no Ministério Público Estadual. "Esquecem de dizer que a Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat) se expandia. O Ministério Público não tem competência para questionar se o Estado se portou bem adotando esta ou aquela política pública. Tratam pessoas sérias como desonestas", disse, argumentando que outras faculdades privadas foram adquiridas pela Unemat na ocasião.

O projeto de estatização foi votado pela Assembleia sob a presidência do então deputado estadual José Riva em 2013. O hoje ex-deputado, que responde a mais de cem ações penais, foi beneficiado por um habeas corpus concedido por Gilmar em 2015, ocasião em que estava preso acusado de desvios de recursos públicos. Riva recebera ordem de prisão da primeira instância, depois de ter obtido anteriormente a liberdade do Supremo. "Parece que acham que a primeira instância contrariar o Supremo é normal. Não há hipótese de juiz de primeira instância mandar prender de novo e a gente tolerar isso", justificou.

O histórico de decisões de Gilmar em relação a Riva, contudo, mostra que o ministro votou contra o político na ação que tramitou no Tribunal Superior Eleitoral um ano antes e que encerrou sua carreira eleitoral, ao enquadrá-lo na lei da ficha limpa. Riva foi condenado por unanimidade. 

13 comentários

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  • eleitor
    08 Set 2017 às 07:36

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  • Aline
    07 Set 2017 às 06:39

    O que o "caos institucional instalado em MT" tem haver com Gilmar? Por que ele se sente tão prejudicado assim?

  • Cuiabano
    06 Set 2017 às 21:07

    Verdadeiro PINOQUIO

  • Advogado
    06 Set 2017 às 20:00

    Vejo Mato Grosso nessa situação há 40 anos. Pior impossível.

  • silvio lopes de moraes
    06 Set 2017 às 17:15

    Se aqui fosse uma país sério esse cara já estaria preso.

  • silvio lopes de moraes
    06 Set 2017 às 17:06

    Quem é a vitima são as pessoas honestas desse país,inclusive esse ai já fez demais,passa da hora do SENADO IMPEDIR ELE NESSE CARGO.

  • Rogerio
    06 Set 2017 às 16:54

    Cada um é vitima de suas açoes quem se mistura aos ratos nao esta livre do gato

  • Bertold
    06 Set 2017 às 14:13

    Mato Grosso já foi mais feliz com os seus ilustres filhos. Nos três poderes da República Federativa do Brasil.

  • jeronimo vicente farias
    06 Set 2017 às 13:57

    a vitimização é o ultimo suspiro do afogado. a impáfia do exmo, embora imensa, começa a sucumbir perante os fatos.

  • por justiça
    06 Set 2017 às 13:48

    aguarde ministro e questão de tempo o povo vigia...

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