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Sábado, 21 de outubro de 2017

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Juíza em Brasília anula decisão que despejou 17 famílias do Quilombo Mata Cavalo

Da Redação - Arthur Santos da Silva

11 Out 2017 - 18:04

Foto: Marcus Mesquita

Aos 112 anos, Antonio Mulato é símbolo do Quilombo Mata Cavalo

Aos 112 anos, Antonio Mulato é símbolo do Quilombo Mata Cavalo

A juíza federal Rogéria Maria Castro Debelli suspendeu nesta quarta-feira (11) a decisão que despejou 17 famílias do Quilombo Mata Cavalo, área de 117 hectares próxima a Nossa Senhora do Livramento.
 
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A magistrada considerou que todas as famílias despejadas na última segunda-feira (09) dependiam do local para sobrevivência.  Assim, caso fosse mantida a liminar, retirando os quilombolas definitivamente de suas moradias, haveria o risco de dano irreparável.
 
A conquista dos quilombolas foi possível graças ao agravo de instrumento protocolizado pela Fundação Cultura Palmares.
 
A referida fundação argumentou que “a manutenção da decisão atacada gera notórios riscos à ordem pública, por implicar em ameaça de extinção de uma comunidade étnica, cujas tradições e modo de vida integram o patrimônio cultural nacional”.
 
Lutam pelos direitos em Mata Cavalo o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, União Federal e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.
 
A parte interessada pelo despejo é o espólio de Elzio Saldanha. A liminar agora anulada havia sido proferida pelo juiz Raphael Cazelli de Almeida Carvalho, da 8ª Vara Federal em Mato Grosso.
 
A matéria ainda será julgada em seu mérito. Até a conclusão do julgamento, o Quilombo Mata Cavalo e seu patrimônio cultural permanecerá sob incerteza.

11 comentários

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  • Armerinda
    14 Out 2017 às 11:59

    Um absurdo,sermos tirado do nossa própria terra,por pessoas que nao sabem ,nao conhecem ou finge nao conhecer,nossa hostiria de luta e sofrimentos,chega ate quando seremos ,jogados de nossas terra por invasores,ladraos,corruptos,sanguinários,usurpadores,que querem por tudo tirar aquilo que é nosso por direto,por heranca,mas voces nao podem nos calar... Somos donos samos,fortes somos gente,vencedores,em Cristo.Ninguem vai nos derrubar...Com Cristo,somos mais que vencedores.

  • Francisco Antonio de Almeida
    14 Out 2017 às 11:45

    Bela decisão desta juiz, a justiça se fez com maestria.

  • Lilian
    13 Out 2017 às 14:23

    Primeira vez q essa propriedade é invadida ! Há 1 ano eles invadiram , todos incentivados por político da região , e depois vendem esse pedaço de terra que eles conseguiram . a história que se repete em Livramento , só quem é da região para conhecer . Eles estão há 1 ano nessa terra , será q vão pagar impostos depois ?

  • Milton Guapo
    12 Out 2017 às 12:39

    Alguém já perguntou quem é esse Elzio Saldanha? Por que não mostram a cara dele no jornal para que todos saibam, ao invés de mostrar do seu João Mulato que sabemos que ele vive lá há mais de um século. Quem é esse "pau rodado" que quer tirar terra de Quilombola, por acaso é parente de Bolsonaro?

  • ZE NINGUÉM
    12 Out 2017 às 09:52

    E COMO É QUE FICA O JUIZ QUE MANDOU DERRUBAR TUDO NA PRIMEIRA DECISAO? ESSE PAIS É NOJENTO...

  • jean keile bif
    12 Out 2017 às 07:48

    Ainda bem que apareceu uma juíza iluminada..porque na maioria dos casos as autoridades não são valor ao patrimônio cultural brasileiro.

  • André
    12 Out 2017 às 06:35

    Conheço a região. Lá existem várias famílias que moram há várias gerações e podem ser consideradas quilombolas. Mas tem muita gente oportunista! Muitos que deixaram a cidade para viver na localidade. Esses oportunistas vendem os lotes de terram e querem só ganhar vantagem!

  • Idalba griggi
    11 Out 2017 às 23:15

    Tudo que que sei sobre determinado assunto vou pessoalmente conferir e me supreendo com a realidade explícita é clara de todo ambiente só assim eu posso entender da melhor maneira o justo e correto que não é a realidade jurídica no altos do processo a quem recorrer?! Juridicamente não sei.

  • Parabéns à juíza!!!
    11 Out 2017 às 23:02

    Ao menos uma notícia boa, meus parabéns à decisão da juíza!!!

  • Critico
    11 Out 2017 às 21:48

    Parabéns ao operador do direito e a culta magistrada pela decisão.

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