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Segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

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Secid abre licitação para demolição da Ilha da banana; comerciantes reclamam de violência na região

Da Redação - André Garcia Santana

02 Jan 2017 - 15:37

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Secid abre licitação para demolição da Ilha da banana; comerciantes reclamam de violência na região
Habitada por dezenas de moradores de rua e usuários de droga que fazem de seus escombros abrigo às inúmeras deficiências que circundam suas realidades. Entre a Igreja de São Benedito e o Morro da Luz, na Avenida Tenente Coronel Duarte, o conjunto de imóveis, que já funcionou como centro comercial no centro de Cuiabá, enfrenta uma série de trâmites judiciais para que sua demolição seja permitida. A medida é cobrada por comerciantes que atuam na região, que reclamam dos riscos oferecidos pelos usuários que vivem ali aos clientes e pedestres.  

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A intervenção dará espaço à construção de um dos eixos de integração do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) e leva em consideração que as mudanças não afetarão diretamente o Centro Histórico de Cuiabá. Até agora, de acordo com a Secretaria de Estado de Cidades (Secid), das 15 edificações que serão demolidas já há autorização para 12. Em março deste ano o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), chegou a autorizar as demolições, no entanto, problemas jurídicos com donos de imóveis adiaram os trabalhos.

O titular da Pasta, Wilson Santos também afirma que além das negociações, já foram abertas as licitações para as empresas de demolição. “Estamos negociando os três últimos. Só quando o poder judiciário retomar as atividades. Tenho mantido contatos com magistrados, estive pessoalmente na sede do Iphan. Ela (ilha da banana) não está na área do centro histórico, está no entorno, então não há impedimento para demolição. Já disparamos o processo para quando a decisão sair, já termos as empresas”, explicou.

Na opinião de Iarla Borges, dona de uma farmácia nas proximidades da Ilha,a demolição deixará o local mais seguro.  “Sou a favor de destruírem ali, porque tem muito usuário morando e eles acabam atrapalhando até as vendas, porque ficam na porta dos estabelecimentos pedindo dinheiro, oferecendo riscos aos clientes, deixando eles constrangidos. Pedimos pra eles não podem fazer isso, pedimos pra sair e ameaçamos chamar a polícia e alguns respondem com agressividade.”

Os relatos também se estendem a situações de maior agressividade, na qual funcionários também são expostos a riscos. Também são compartilhados por outros comerciantes, como A.B.R, que há três anos atua na região. Ele conta que todas as lojas em frente ao Morro da Luz já foram assaltadas, desde a lanchonete até a casa de molduras. Além disso, os passageiros que aguardam nos pontos de ônibus também são vítimas das ações.

“Tem aqueles que vêm querendo curativos porque se machucaram em algum lugar, como não fazemos curativo eles ficam bravos, tiram a roupa, agridem funcionário, vem pra cima. Temos até umas barras de ferro ali, por medo de acontecer algo pior. Às vezes a farmácia está cheia e eles vêm, passam desodorante e saem correndo, ou roubam alguma coisa”, afirma Iarla.

Na segunda (26), uma mulher identificada como Tereza Ramires,de  50 anos, foi presa por tráfico de drogas pela Polícia Militar (PM). Considerada a "chefe do tráfico de drogas na Ilha da Banana, ela escondia uma quantidade de pasta base de cocaína, entre os seios, por baixo da blusa. Além da droga, foram apreendidos um celular, três correntes e R$ 78 em dinheiro. De acordo com o boletim de ocorrência nº 2016.413129 a suspeita usava os cômodos abandonados como moradia, mantendo ali uma televisão, cama e geladeira.
 
A ação policial também resultou em patrulhamento no casarão, onde, segundo a Prefeitura de Cuiabá vivem mais ou menos 30 pessoas.  Também foi informado pela administração que todos os moradores já foram cadastrados pelas secretarias de Ordem Pública e Assistência Social e que, quando as demolições se efetivarem, eles deverão ser encaminhados a clínicas de recuperação ou albergues.

10 comentários

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  • Benedito Addôr
    03 Jan 2017 às 15:00

    Caro Junior, veja a propaganda oficial da Secopa, no Youtube, colocando VLT CUIABÁ-VÁRZEA GRANDE MATO GROSSO 2012. Essa foi a propaganda oficial da época da desapropriação do Centro Comercial Morro da Luz, as casas em frente à Igreja deveriam ser revitalizadas, o que diz inclusive o Artigo 2º da Instrução Normativa que regulamenta todo o Patrimônio Histórico de Cuiabá. Preservação assegurada dos imóveis com proteção, conservação, manutenção e revitalização. Só quero que a Instrução Normativa seja cumprida e a propaganda se efetive. Durante muito tempo recebemos Declarações do IPHAN, e proibição de demolição dos imóveis, o mais antigo fica do lado da Escola Delta, o proprietário queria demoli-lo de fazer uma coisa moderna, e foi sempre impedido. Agora, pode demolir? Se ele cumpriu o que está na Norma, o IPHAN/MT que fez a essa Norma tem a obrigação de cumpri-la mais ainda. Afinal de contas Instrução Normativa do IPHAN funciona ou não funciona? O CALERO disse que sim, e abriu a boca quando quiseram passar por cima da Norma, denunciou o Gedel por isso.

  • Júnior
    03 Jan 2017 às 10:31

    Fui morador do centro e chegou um tempo que tive que sair, essa conversa de apego há um imóvel velho, ultrapassado, não pode existir. Valor sentimental todo mundo tem, mas a vida é assim. O que adianta patrimônio histórico se esses casarões estão caindo aos pedaços. Tem que demolir sim, a coletividade não pode pagar o preço por causa de um cidadão.

  • Benedito Addôr
    03 Jan 2017 às 09:28

    Caro Bobbinho. Já conversei com São Benedito, e fiz uma proposta interessante: Meu São Benedito, se ninguém, mas ninguém mesmo, pegou dinheiro por fora no VLT, eu saio do imóvel e ainda doo tudo para uma Instituição de Caridade. E São Benedito já me respondeu: Então, meu filho, você não vai sair do lugar, e vai morrer nessa casa bem velhinho. O que será que São Benedito sabe? Não foi o Éder Moraes que disse, não sei aonde, que levaria 5 Milhões de Reais de propina no VLT? Se um levaria, quanto levariam os outros? Quando começou a estória do VLT, na Secopa um funcionário me confidenciou: para a Ilha da Banana tem 2 projetos: um, onde as casas ficam, e o VLT passa, e outro, onde as casas saem. A diferença de preço de um projeto para o outro é de 5 a 8 vezes mais. O mais barato é igual a propaganda do VLT que está no Youtube. Nessa hora não pode ser bobbinho em nada.

  • Bobbinho
    03 Jan 2017 às 04:57

    Sr. Benedito, sei que o imóvel é seu. Que tem parte da sua história de vida ali. Mas como pode alguém se apegar a tão pouco? Esses casebres são horríveis cara. Se ligue. Desapegue dessa porcaria cara !! Quanto mais a gente se apega a coisas pequenas, mais empobrecemos.

  • Benedito Addor
    02 Jan 2017 às 22:00

    Vão conseguir fabricar um fenômeno histórico e sociólogo, expulsando nós, os últimos cuiabanos da área. Além de ser um fenômeno, vão conseguir uma área no Centro, pagando um preço de banana. Se no futuro me perguntarem por que sai, vou responder não sei: tem uma Norma que garante a preservação assegurada tem Declarações do IPHAN que dá proteção especial aos imóveis, reconhecida pelo MPF (tenho o despacho do Procurador). Com todos esses documentos, ainda vão conseguir derrubar as casas?

  • Carlos Nunes
    02 Jan 2017 às 19:17

    Pois é, o governo quer expulsar os últimos cuiabanos que ainda moram no Centro da cidade, os outros já foram expulsos faz tempo. Resolveram sucatear tudo, quem não se lembra da Casa de Fogos em frente à Igreja São Benedito. Depois que sucateiam tudo, justificam - agora temos que derrubar tudo. Ora, por que sucatearam? Vão tirar os últimos cuiabanos do local, mas, e se o VLT nem sair, como fica? Uma cartomante no Olharconceito, que é médium também já disse: VLT não sai nos próximos dois anos. Essa já viu longe, tem uma fila de prioridades em 2017, muito mais importante do que o VLT, nos 141 municípios de MT, e não tem dinheiro. Segundo comentário do Sr. Ador, no Hipernoticias, o VLT nem vai passar onde estão as casas, e vão retirar as casas, mesmo com instrução normativa e declarações do IPHAN, que dão proteção especial aos imóveis em frente à Igreja. Já disse pró Sr. Ador, manda tudo pró Calero. CALERO NELES! Esse entende de IPHAN.

  • Marcos
    02 Jan 2017 às 18:04

    Na verdade aquilo era pra ser um centro comercial mas nunca funcionou.

  • El Cid
    02 Jan 2017 às 17:20

    Se for para construir, que sejam desapropriados imediatamente. Mas se for para fazer como fizeram no passado recente, que só arrancaram as árvores e pertences das avenidas, para deixarem o matagal protegido com tijolos baianos, melhor deixar do jeito que tá!

  • Benedito Addôr
    02 Jan 2017 às 16:21

    Cuiabano, morador há mais de 50 anos da área frontal à Igreja do Rosário, vou repassar para o Wilson Santos: 1) a propaganda enganosa do Governo Silval, que demonstra que as casas em frente à Igreja, não atrapalham a passagem do VLT. 2) a Instrução Normativa do IPHAN/MT e Prefeitura de Cuiabá, Artigo 2º que diz que os imóveis tem Preservação Assegurada. 3) as Declarações do IPHAN/MT, entregues após visita de Arquiteta da Secretaria de Cultura, que fez a Catalogação do Imóvel como Casario Cuiabano, que recomendou que as casas não poderiam ser demolidas. Que culpa tenho se o Governo expulsou comerciantes, moradores, deixando tudo abandonado para invasão de dependentes químicos?

  • Maurício Reis
    02 Jan 2017 às 16:01

    Demorou..! Ali tem que ser construído um Praça e monumento alusivo à fundação de Cuiabá.

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