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Terça-feira, 18 de dezembro de 2018

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Xavante que traduziu bíblia para o seu idioma defende purificação da cultura indígena

Da Redação - Lázaro Thor Borges

01 Out 2017 - 14:20

Foto: Arquivo Pessoal

Xavante que traduziu bíblia para o seu idioma defende purificação da cultura indígena
Silvério Orewawe, 34 anos, tem a fala comedida, mansa, quase didática. Ele pronuncia as palavras como se estivesse fazendo um sermão. E é exatamente isso o que gosta de fazer. O indígena viajou há cinco anos para o Rio de Janeiro, onde luta para concluir o curso de Letras na Universidade Veiga de Almeida (UVA) e terminar a tradução da bíblia para a língua xavante, o akuén. 

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A tradução é tida por ele como um trabalho apostólico e acadêmico, com o qual pretende um dia levar o conhecimento religioso aos conterrâneos da Reserva Indígena Parabubure, no município de Campinápolis, na região leste de Mato Grosso. Foi de Parabubure que Silvério saiu para chegar em terras cariocas. Deixou a saudade e a expectativa de retorno dos familiares. "Mas eu sempre volto para lá todas as férias", ressalta. 
 
O indígena não nega sua função como religioso: evangelizar àqueles que, por ligação às raízes mais ancestrais, permanecem firmes na crença panteísta e mitológica de tempos imemoriais. Apesar de admitir que muitos missionários se precipitam ao lidar com os índios, o estudante acredita que o evangelho ajuda a preservar a cultura dos xavantes e dos demais indígenas. Ele entende que a religião pode proteger muitos de seus conterrâneos.
 
“O evangelho não destrói, ele purifica e valoriza a nossa cultura. Se eu for crente eu não minto, eu não bebo, não brigo e não fumo.”, defende. A conversão dos xavantes é um processo complexo. Não à-toa a primeira tradução da bíblia para o akwén foi feita por dois missionários americanos, que demoraram 46 anos para terminá-la.
 
Além de Silvério, mas três colegas que vivem na reserva realizam o trabalho de tradução. Até o momento, o Novo Testamento já foi concluído. Os indígenas enfrentam dificuldades principalmente porque a tradução dos missionários foi feita sem a consulta à comunidade.
 
“Eles fizeram a tradução com o que aprenderam da língua e por isso nós encontramos muitos erros”, admite o estudante. Silvério espera usar a bíblia traduzida e corrigida para pregar na Igreja Evangélica Xavante, fundada também dentro da aldeia pelos missionário
 
A ideia, explica ele, é fazer com que mais indígenas se convertam. Orewawe diz estar torcendo pelo aumento da religião na aldeia. Ao mesmo tempo, o estudante avança sobre a tradução da bíblia: “Eu já estou no Exôdo”, finaliza ele.

12 comentários

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  • Christiano
    08 Out 2017 às 05:40

    Silvério é até legal sua intenção uma pena amigo , lá na frente descobrirá que isso tudo é uma mentira sem tamanho a própria Bíblia foi um objeto criado milimetricamente para afetar e controlar MULTIDÕES. (ESPERO QUE UM DIA SAIBA A VERDADE QUE ESTÁ POR TRÁS "DESTA")

  • silverio
    04 Out 2017 às 16:24

    temos direito de aceitar religiao ou nao o evangelho traz beneficio indenpende da cultura

  • Cleide Maria Alves
    02 Out 2017 às 20:48

    Eu vejo aqui como é bom ser um instrumento nas mãos de Deus. Poder fazer parte desse processo na vida do indígena Silvério Orewawe como um de suas professores. E sendo Orientadora Pedagógica do curso Bíblico Seminário ALEF

  • Silverio
    02 Out 2017 às 19:10

    O evangelho independente da cultura traz benefícios, nos indígenas temos direitos de escolher a religião

  • Nascimento
    02 Out 2017 às 09:47

    Gostaria que assistissem ao filme Terra Selvagem para entender o que o Evangelho pode mudar na vida das pessoas. A questão não é cultural, mas salvação de almas. Toda pessoa, inclusive o índio tem o livre arbítrio decidir o que é melhor para si. Uma pessoa não pode mudar de religião ? Uma pessoa não pode mudar de opinião ?

  • Ilse
    02 Out 2017 às 09:37

    Por esse e mais outros episódios é que não vejo mais nenhum sentido em demarcação de terras para indígenas. O índio de uma forma geral não quer mais ser índio após entrar em contato com a cultura dos seus "exploradores", já que assimila e passa a viver rapidamente de acordo com tudo o que estes lhe passam, principalmente a malandragem. O resto não passa de romantismo.

  • DELEON DA SILVA LEANDRO
    02 Out 2017 às 08:00

    Purificado?!?! Os portugueses já não o fizeram?

  • David Oliveira Castro
    02 Out 2017 às 07:43

    DEUS seja glorificado pela vida deste irmão, flw ele a vdd em tudo, muitos aproveitadores não querem ver os indígenas tendo novas visões, conhecimento da palavra de DEUS até mesmo dizendo que a Bíblia vai destruir a cultura indígena, pura mentira, só vai melhorar a vida dos povos indígenas, como o irmão disse, quem mentia, não mente mais, quem bebia, não bebe mais, torna-se muito melhor a vida das pessoas que passam a ler e praticar

  • Zé Galera
    02 Out 2017 às 07:32

    Mas eles não vivem a cultura própria? Logo não deveriam aceitar religiões de outros povos não indígenas, não?

  • Antonio
    02 Out 2017 às 00:48

    Isso é como exterminar a cultura indigena. Os evangelicos criticam qualquer manifestação de outras religiões dizendo que nossa tradição cristã é ameaçada. Caso da imagem do Buda em Chapada que por pressão de evangelicos não foi construida e de mesquitas islâmicas. Mas quando se trata de exterminar uma cultura milenar que chegou aqui muito antes dos "cristãos" europeus, os evangelicos fecham os olhos. Quando eles falam em "purificar", significa que os índios são impuros, são uma sub-raça e isso é perigoso. Lembra a perseguição nazista ! Deixem os índios com suas culturas em paz, deixem as mães de santo com suas culturas em paz, deixem católicos e espiritas em paz, deixem os LGBTs em paz, deixem os direito das mulheres em paz.. Respeitem a crença e a cultura, respeitem a diversidade. Vocês não são donos do mundo e ninguém é obrigado a submeter ao pensamento e o dogma evangelico.

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