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Domingo, 20 de setembro de 2020

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Projeto quer catalogar famílias pioneiras de Cuiabá até o tricentenário da capital

Da Redação - Isabela Mercuri

24 Abr 2018 - 17:00

Foto: Arquivo / Famílias Pioneiras

Tronco Fanaia e Seror

Tronco Fanaia e Seror

O que aconteceu em Cuiabá para que a cidade se tornasse o que é hoje? Como manter as tradições da capital mato-grossense, mesmo com a vinda de pessoas de todo o país? Estas eram algumas das questões que os irmãos Ernani e Ulisses Calhao se fizeram há quase 30 anos, quando criaram o ‘Muxirum Cuiabano’, e novamente em 2018, ao criarem o projeto ‘Famílias Pioneiras’.



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“O Muxirum Cuiabano foi fundado em 19 de abril de 1989. À época os cuiabanos estavam vivendo um momento do grande impacto das culturas vindas com os migrantes vindos de todas as partes do Brasil. A cultura cuiabana e mato-grossense estava esquecida. Havia a formação de Centros de Tradições como os gaúchos, nordestinos e mineiros. Em realidade os cuiabanos não se davam conta da grande transformação que Mato Grosso estava passando. Era um processo de abertura da nova fronteira agrícola no norte e o fluxo de migrantes era intenso”, contou Ernani ao Olhar Conceito.

Ernani é advogado e professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Apesar da distância, faz questão de continuar as pesquisas sobre sua cidade natal. Além dele e de seu irmão, também trabalharam na fundação do Muxirum Wanda Marchetti, Josephina Brandão Lima e os já falecidos Pepito Cândia e Ady de Figueiredo Mattos.

Profa. Ady de Figueiredo Mattos, fundadora do Muxirum e Presidente de Honra (já falecida); (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois de um hiato, os trabalhos deste projeto foram retomados com a proximidade do aniversário de 300 anos da cidade. “Foi apenas uma questão de oportunidade. Com a celebração do Tricentenário de Cuiabá comecei a pensar em disponibilizar todo o material do Muxirum para as pessoas interessadas em conhecer o trabalho. Em seguida, conversando com amigos, definidos novos rumos do movimento. O trabalho que faremos será focado em mídias em redes sociais. Tínhamos, em 2000, um programa de televisão sobre os valores cuiabanos, sua música, suas danças e suas expressões culturais. Esse programa está em vias de voltar a ser produzido”, garante.

Segundo Ernani, ‘Muxirum’ vem do linguajar cuiabano, e significa multidão. “A adesão foi grande e a mobilização foi intensa. Todos sentiam a necessidade de se firmar e afirmar as antigas tradições, herdadas de nossos antepassados. Os objetivos foram alcançados, pois a partir de então a cultura regional passou a integrar as políticas de governos municipais e estaduais”.

Ernani e Ulisses Calhao (Foto: Arquivo Pessoal)

Famílias Pioneiras

Junto ao ‘renascimento’ do Muxirum, Ernani e um novo grupo criaram, também, um novo projeto, chamado ‘Famílias Pioneiras’. Desta vez, a intenção é fazer um mapeamento de todas as famílias que chegaram a Cuiabá desde 1719, data da fundação da cidade, até 1977, data de divisão de Mato Grosso.

“É um projeto da Comissão Estadual dos 300 anos de Cuiabá. Assumimos o apoio a esse projeto e estamos quase concluindo a fase de pesquisa. A ideia e produzir uma pesquisa que condensa os três séculos de migração para Cuiabá”, explica o professor. “Cuiabá, como boa parte das cidades históricas do Brasil, foi fundada e desenvolvida na época da colônia. Foram os bandeirantes – migrantes paulistas – que embrenharam pelo serão a fim de extrair ouro e pedras preciosas. Assim nasceu Cuiabá. O Projeto Famílias Pioneiras retoma todos os ciclos de povoamento”.

Para chegar ao resultado esperado - um inventário de todo o processo de migração para Cuiabá - o ‘Famílias Pioneiras’ conta com o trabalho de um grupo de estudiosos e pesquisadores, liderados pela Professora Neila Barreto.

De acordo com a metodologia do projeto, são consideradas ‘pioneiras’ todas as famílias que vieram para a cidade e fincaram raízes. “A pesquisa vai buscar as fontes oficiais, como documentos, obras literárias e historiográficas, genealogias e mapas. Contudo, há contribuições sociais que escapam dos registros. Por vezes, o recurso à História Oral será utilizado, uma vez que pessoas sem uma atuação oficial também compõe esse grupo de pioneiros. Nesse particular a sensibilidade da equipe histórica está preparada para tal desafio”, explica o documento.

Ao final de todo o processo, as famílias receberão uma condecoração, que será definida pelo Governo do Estado de Mato Grosso. “A sugestão da Comissão Tricentenário de Cuiabá – Famílias Pioneiras é no sentido da edição de uma lei, instituindo a condecoração. Importante registrar que essa lei poderá ser modificada ou alterada posteriormente, uma vez que esse inventário é preliminar. No futuro o Inventário poderá incluir outras famílias, ou mesmo, se entender, redefinir os critérios de balizamento propostos”. No aniversário de 200 anos, a condecoração foi uma medalha. A ideia é que isso se repita, e que cada família receba, também, um diploma.

Medalha do Bicentenário (Foto: Reprodução)

Até o momento, já foram catalogadas mais de 600 troncos familiares. “Através de um Decreto esse inventário será publicado como uma referência histórica da formação da cidade de Cuiabá. Esse documento não existe na historiografia brasileira, nem mato-grossense. Será uma fonte de grande valor na pesquisa social, histórica e política da cidade”, garante Ernani.

Para quem quiser contribuir com o projeto, os organizadores criaram um site, onde, em breve, será possível enviar informações. O lançamento do inventário está previsto para o dia 5 de julho de 2018. Conheça o site AQUI.

1 comentário

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  • Elisabeth Rodrigues
    18 Nov 2018 às 17:58

    Minha família ,pelo lado paterno é Rodrigues ou Rodrigues de Mattos de Porto Feliz ,de onde partiam os bandeirantes para Cuiabá . .Meu avô Jorge Rodrigues de Mattos comentava que sua avó ou bisavó teria vindo de Mato Grosso num batelão bandeirante e era indígena .Algumas pessoas apelidaram o meu pai de cuiabano . Pesquisando para árvore genealógica em andamento achei um casamento de Ferminiano Teixeira da Silva de Pirapora -SP com Anna Joaquina de Cuiabá sendo que esse nome consta de minha árvore Filiação dele :pai incógnito e mãe Maria de Belém .Dela :Pai falecido Francisco José de Macedo e Dona Mariana Antunes da Silva Vou continuar pesquisando e torço para que essa Anna Joaquina seja a minha descendente indígena de Cuiabá. Abraço

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