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Receita Federal ‘empaca’ internacionalização do aeroporto de Cuiabá e pede área equivalente a 'dois apartamentos'

Da Redação - Wesley Santiago

31 Mai 2019 - 10:17

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Receita Federal ‘empaca’ internacionalização do aeroporto de Cuiabá e pede área equivalente a 'dois apartamentos'
Os empresários do ramo de turismo e a própria Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) já escolheram o vilão da novela envolvendo a internacionalização do Aeroporto Marechal Rondon, localizado em Várzea Grande (região metropolitana de Cuiabá). A Receita Federal é apontada como a ‘pedra no sapato’ nesta questão, segundo o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, Luiz Carlos Nigro. A Azul Linhas Aéreas continua a pagar funcionários na Bolívia e aguarda uma resolução sobre o tema.

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“O governador Mauro Mendes (DEM) tem se empenhado, participamos de duas reuniões com a equipe dele. Porém, estamos esbarrados na Receita Federal, que não quer a internacionalização. Esta é a realidade. Não podemos ficar reféns de um órgão público que o principal objetivo é atender as demandas da sociedade”, disse ao Olhar Direto Luiz Carlos Nigro, que também batalhou – durante a gestão do ex-governador Pedro Taques (PSDB) – para destravar o voo.
 
Ainda conforme Nigro, todos estão reféns da Receita Federal sempre teria atrapalhado o desenvolvimento do turismo internacional. “Todas as vezes, tentativas, foram eles a pedra no nosso sapato. Não podemos ficar refém disto. A Receita Federal pediu que colocasse diversos itens, até grade no teto e tudo foi instalado. Terminou a lista, eles foram e pediram mais coisas. Este projeto foi construído há sete mãos, na época da reforma do aeroporto, quando todos os órgãos participaram”.
 
A situação sobre a Receita Federal também é confirmada pelo superintendente da Infraero em Cuiabá, Laelson Augusto do Nascimento. Ele resumiu ao Olhar Direto que quatro dos três órgãos necessários já deram o aval para a internacionalização do aeroporto de Cuiabá.
 
“O processo está na Receita Federal. Eles acompanharam a construção das salas e cooperaram até no layout. Para nossa surpresa, quando conseguimos todo o restante, pediram mais área. Querem mais 130 m², isso dá dois apartamentos. Para fazer isto, gastaríamos R$ 800 mil. É algo que a Infraero não fará, até porque o aeroporto está em processo de concessão”, pontuou o superintendente.
 
O superintendente ainda comenta que “operacionalmente, é uma área muito mais do que suficiente, serão dois servidores apenas trabalhando. Além disto, são dois ou três voos por semana o previsto no início. Não dá para entender”.
 
A frustração também é seguida pelo presidente do Sindicato das Empresas de Turismo no Estado de Mato Grosso (Sindetur), Omar Canavarros Junior. “A Azul já fez toda a parte dela, tem o espaço todo montado. A Receita Federal, por questões milimétricas, está atrasando tudo. Este voo irá Iria movimentar toda uma cadeia comercial no Estado. A companhia está quase cancelando a intenção de voar por conta desta burocracia. É uma pena, porque irá beneficiar não só o turismo, mas o comércio como um todo”.
 
Nigro ainda afirma que a Receita Federal precisaria ser responsabilizada pelos atrasos. “Tem equipamento de raio-x de mais de R$ 1 milhão que está lá parado. Quem vai arcar com este prejuízo gigantesco? Na época da Copa do Mundo funcionou tudo bem, com diversos voos e sem o espaço que temos agora. A Receita Federal não quer atender, a verdade é esta. Vai dar trabalho, terão que ficar lá sábado a noite, segunda”.
 
A superintendente de Desenvolvimento de Modais da Secretaria de Infraestrutura e Logística (Sinfra), Maksaíla Moura Campos, informou à reportagem que o aeroporto cumpriu várias exigências da Receita Federal. “Foi nos dada uma lista e depois de tudo ter sido cumprido, recebemos mais uma. Hoje, está na mão deles. O governo tem procurado resolver, assim como a Infraero”.

Receita Federal

A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cuiabá informou ao Olhar Direto que intimou  oficialmente a administradora do Aeroporto Mal. Rondon quanto às providências necessárias para as adequações estruturais que permitam o alfandegamento de passageiros no terminal, em  conformidade as normas que regem a matéria . 

"Assim sendo, estamos aguardando tais providências para prosseguimento das ações necessárias por parte da RFB. Reiteremos que o compromisso da nossa instituição é no sentido de contribuir com a melhoria do ambiente de negócios e a competitividade do País, em especial no nosso Estado", finaliza a nota. 

Novela

O governador Mauro Mendes criou uma comissão que irá trabalhar para destravar a internacionalização do Aeroporto Marechal Rondon, localizado em Várzea Grande (região metropolitana de Cuiabá). O voo entre a capital mato-grossense e Santa Cruz de La Sierra é mais uma das novelas envolvendo a Copa do Mundo de 2014, já que a ligação entre as duas cidades seria feita aproveitando a ‘onda do Mundial’. Com a elevação do aeródromo para a categoria médio porte, será preciso ampliar o espaço de desembarque de voos advindos de fora do país.

Recentemente, a assessoria de imprensa da Azul Linhas Aéreas disse que a “companhia continua na dependência dos ajustes do aeroporto de Cuiabá para obtermos a aprovação final".

As viagens serão operadas pelas aeronaves modelo Embraer 195, com capacidade para até 118 passageiros e acontecerão, no primeiro momento, às quintas e domingos.
 
Santa Cruz de La Sierra é maior e mais populosa cidade da Bolívia, com 1,7 milhão de habitantes, além de ser a mais importante do Departamento de Santa Cruz. Motor econômico do país, Santa Cruz de La Sierra é um polo petroquímico, com foco na produção e exportação de gás natural. A cidade também é conhecida por sua tradição gastronômica.

9 comentários

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  • Servidor
    04 Jun 2019 às 11:05

    A realidade é que estão colocando empecilhos para que esta rota para Santa Cruz não saia do papel. O governo boliviano já autorizou e o Aeroporto de Cuiabá já poderia estar recebendo esses voos. A Azul iria fazer essa rota e esse fato pode ter não ter agradado suas concorrentes que fazem essa rota desde São Paulo. Vai saber quais as influencias de empresas aéreas em órgãos de regulação. No capitalismo selvagem e de estado vale tudo para manter o monopólio.

  • Jose
    03 Jun 2019 às 20:48

    O governador já devia ter batido na porta do Paulo Guedes e exigido que o posto ipiranga desse um jeito. PG vai ajudar, ele é anti-burocracia

  • joseluizdacosta@bol.com.br
    02 Jun 2019 às 22:30

    Onde tem estado, tem custo Brasil e baixa produtividade.

  • Pepeu
    31 Mai 2019 às 19:05

    Pensa num povo chato e incompetente. Será que a administração do aeroporto não consegue resolver isto? Depois de um vem outro e outro. Agora e a receita que interfere atrapalhando. Quem tem vontade de trabalhar faz, não fica colocando desculpas. Será que algo obscuro por aí......

  • José
    31 Mai 2019 às 18:32

    Brasil, o país da taxa.

  • Bruno
    31 Mai 2019 às 16:05

    Nigro e cia, protocolem a reclamação na receita federal mostrando as solicitações anteriores e as novas solicitações. Solicite abertura de PAC para que o responsavel pela antiga ou nova solicitacão seja responsabilizado pela divergência. Há vários órgãos que é obrigatório fazer uma única solicitação se não houver novidades.

  • Chico Bento
    31 Mai 2019 às 13:31

    Ei Mato Grosso que as coisas não andam viu! Quando não é MP é Receita Federal!

  • Cuiabano indignado.
    31 Mai 2019 às 13:12

    Quem fiscaliza a RFB? Se sentem deuses que tudo podem e todos devem servi-los. Mas esquecem que são nossos funcionários, e como seu patrão (povo) deveriam me servir corretamente.

  • Olho vivo
    31 Mai 2019 às 13:09

    O estado se MT especialmente Cuiabá é boicotada a décadas por interesses escusos de alguns setores da sociedade, como exemplo temos a ferronorte que nunca chegou a capital, esse aeroporto de VG, dentre outros.