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Domingo, 22 de setembro de 2019

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Estado e União tentam evitar colapso diante de incêndios e perda de verba internacional

Da Redação - Érika Oliveira

24 Ago 2019 - 08:00

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Estado e União tentam evitar colapso diante de incêndios e perda de verba internacional
No mês em que os olhos do mundo se voltaram ao Brasil, mais especificamente para a região Amazônica, o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles veio a Mato Grosso verificar in loco o avanço das queimadas. O Estado lidera o ranking de incêndios florestais, em 2019, e deverá ser afetado também pela suspensão de recursos, por parte da Alemanha e da Noruega, ao Fundo da Amazônia. Os governantes evitam falar em “colapso”, mas já articulam saídas para a crise.

Esta semana o Governo Federal anunciou a criação de um Gabinete de Crise para lidar com a questão. O governador de Mato Grosso, por sua vez, informou que já estão no radar pelo menos duas viagens internacionais a países com quem o Estado detém relações comerciais consideradas cruciais.

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“Esse momento que nós estamos vivendo, tenho certeza que será ultrapassado, porque nós temos consciência ambiental e vamos demonstrar isso ao mundo. Eu fui eleito para governador Mato Grosso, não tenho que falar da agenda brasileira, mas em Mato Grosso nós iremos tomar todas as medidas para preservar e combater qualquer desmatamento ilegal. Não iremos pactuar com nada às margens da lei. Precisamos de recursos, porque tudo que se faz ainda é pouco, temos demandas, mas eu também acredito que com os recursos que nós temos – humanos e matérias -, com boa vontade e com parcerias, nós podemos ser mais eficientes e dar bons resultados”, amenizou Mauro Mendes (DEM)

Os incêndios florestais são comuns esta época do ano, em razão da estiagem e do forte calor. No entanto, dados – divulgados inclusive pela Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa) – revelaram um aumento significativo das queimadas, que já varreu cerca de 20.000 hectares de vegetação.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora o desmatamento por meio de imagens de satélite no Brasil, mostram que o país registrou, entre janeiro e o último dia 19 de agosto, um aumento de 83% das queimadas em relação ao mesmo período de 2018, com mais de 72 mil focos de incêndios.

Mato Grosso lidera o ranking de queimadas na região da Amazônia, com mais 14 mil focos de calor acumulados até este momento, neste ano, segundo levantamento feito pelo Inpe. A situação é de alerta ambiental, com várias regiões do Estado registrando a temperatura de 38° nos últimos dias.

“O Governo Federal, em todos os estados da Amazônia, está colocando suas equipes do PrevFogo e do ICMBio em campo. No caso aqui de Chapada [dos Guimarães] foram 69 brigadistas do Ibama, mais 20 membros do Corpo de Bombeiros do Estado, quatro aeronaves utilizadas e o fogo foi extinto neste domingo [18]”, declarou Ricardo Salles.

O ministro sobrevoou áreas afetadas ao lado do governador Mauro Mendes e da secretária de Meio Ambiente, Mauren Lazaretti, e prometeu empenho do Governo Federal para que o trabalho de combate às queimadas não seja afetado pelo bloqueio de R$ 280 milhões, por parte da Alemanha e da Noruega, ao Fundo Amazônia.

Aportes bloqueados

O Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é responsável por captar doações para investimentos não reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, e de promoção da conservação e do uso sustentável das florestas no Bioma Amazônia.

Em Mato Grosso, por exemplo, parte da verba do Fundo – R$ 12,5 milhões – foi utilizada na aquisição de equipamentos e veículos. Além da montagem de todo o batalhão de emergências ambientais, dois aviões já foram comprados com o dinheiro e mais um estava previsto para ser adquirido nos próximos meses, além de mais carros para deslocamento de pessoal e equipamentos de resgate e combate ao fogo.

Conforme o comandante-geral do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso, Alessandro Borges, as ocorrências estão sendo “escolhidas” de acordo com critérios técnicos estabelecidos pela corporação. Além disso, todo o efetivo foi colocado em campos.

“Nesse período cancelamos nossas férias, licenças, fechamos a parte administrativa, justamente para potencializar todo esse efetivo no Estado. Na área urbana nós damos preferência àquele local que coloca em risco o patrimônio ou a vida, porque são dezenas de queimadas urbanas todos os dias e obviamente não vamos conseguir atender todos os chamados. Na área rural a preferência são os parques e as unidades de conservação. Fizemos também o treinamento com pilotos de aeronaves agrícolas, para que cada propriedade tenha sua capacidade de combate se tiver um incêndio em suas fazendas. A sociedade precisa colaborar conosco, porque o fogo dificilmente ocorre de maneira espontânea”, destacou.

Ricardo Salles afirmou, ainda, que analisa um pedido do Corpo de Bombeiros mato-grossense para que o Governo Federal incremente os recursos para a compra de equipamentos no Estado. Além disso, disse que as regras do Fundo Amazônia estão em negociação.

“Por enquanto nós temos muito trabalho para fazer com aquilo que já temos aqui. Mas eles [outros países] têm o dever de ajudar na saúde e na preservação ambiental de todo o planeta, porque isso eles prometeram em tantas reuniões internacionais. O corte afeta, mas não num curto prazo, porque temos aqui projetos que já estão em curso e iremos fazer com o dinheiro deles ou sem o dinheiro deles. Agora, queremos, e eles têm o dever de ajudar, porque pactuaram isso nas grandes conferências sobre o clima”, pontuou o governador Mauro Mendes.

8 comentários

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  • Moreira
    24 Ago 2019 às 20:08

    O Brasil não precisa de esmolas da Europa. Só que temos que começar a investir mais, punir mais e colocar o exército permanentemente na Amazônia. O Brasil precisa de armas também pra se defender de possíveis intervenções estrangeiras.

  • alexandre
    24 Ago 2019 às 17:59

    Este é o preços que nos pagamos por acreditar em lulas e petismo, pais quebrado e 14 milhoes de desempregados....

  • Mulher ma
    24 Ago 2019 às 17:32

    O bolsonaro ta certo Europeu nao e dono da amazonia. Eles tem medo do brasil entrar no g7 e ser competitivo. Ta fazendo mimimi por nada. Desde tempos tem incendio no pais Porque nao falaram nada quando o pt governava Agora bolsonaro entrou e querem se intrometer? Va cuidar do quintal deles. A floresta nao e alugada pra franceses e alemaes. Acabou a farra deles.

  • José Eduardo
    24 Ago 2019 às 11:03

    Quem critica a Europa, apontando seus erros do passado só demonstra a própria ignorância e a falta de capacidade de resolver seus próprios problemas. Atitude típica dos governantes atuais, em que é mais fácil ficar apontando defeito dos outros do que arregaçar as mangas e trabalhar. Sábios são aqueles que aprendem com o erro dos outros e evitam, com isso, que os problemas se repitam. Sendo assim, vamos aproveitar que conhecemos a história mundial e buscar o desenvolvimento sustentável, bancado com o auxílio dos recursos dos países mais ricos e atingir o nível de primeiro mundo sem comprometer a nossa qualidade de vida.

  • Dyego Lopes
    24 Ago 2019 às 10:59

    Difícil, se o presidente fica falando pelos cotovelos, disse que não precisa, mandou a Alemanha e Noruega usar esse dinheiro nas suas próprias florestas

  • Levi Cuiabano
    24 Ago 2019 às 10:09

    Esse é o preço que nós Mato-grossenses/ Brasileiros pagamos por eleger políticos de extrema-direita. Esse governador Mauro Mendes, esse ministro Salles e principalmente esse Bolsonaro, não estão nem aí para as questões ambientais. Por eles, não existiria floresta amazônica, cerrado, pantanal, mata atlântica. São pessoas despreparadas para o cargo que exercem. Estamos vivendo retrocessos em termos ambientais, políticos e sociais.

  • Olavo
    24 Ago 2019 às 09:07

    Ah....EUROPA...sua linda...!!! Europa sua linda, inocente, desinteressada e bondosa! Você dividiu povos e nações, criou fronteiras artificiais que colocaram povos amigos em guerras. Escravizou milhões de africanos, dizimou milhões de indígenas, assassinou milhões de judeus, cigano e gays. Viveu os últimos 2 milênios em guerras, produzindo inclusive duas guerras mundiais. De quebra nos brincou com o comunismo, o nazismo e o fascismo. A super civilizada Europa que matou, estrupou, explorou e roubou ouro, café, açúcar, madeira, minerais e vidas agora anda preocupada. Devastou continentes e civilizações inteiras. Extinguiu milhares de espécies animais. Agora essa mesa Europa que transformou suas próprias florestas em carvão, essa tão boazinha e inocente Europa agora está preocupada com a Amazônia e quer dar sermão no país que mais protegeu as suas florestas no mundo. Ah Europa sua colonialista genocida linda!! Recadinho: a Amazônia é nossa e não está à venda!!!!

  • Ggm
    24 Ago 2019 às 08:59

    E só chamar o Bolsonaro e o medeiros para resolver isso. Quem sabe eles vão reembolsar o Brasil.

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