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Bolsonaro defende uso de terras indígenas na criação de gado para diminuição do preço da carne

Da Redação - Vinicius Mendes

22 Dez 2019 - 12:06

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Bolsonaro defende uso de terras indígenas na criação de gado para diminuição do preço da carne
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu o uso de terras indígenas para a criação de gado, o que resultaria, em sua avaliação, na redução do preço da carne no Brasil. A proposta vem em sintonia com tratativas feitas pelos ministros Ricardo Salles e Tereza Cristina em visita a Mato Grosso, em setembro, quando discutiram com o governador Mauro Mendes (DEM) sobre o desenvolvimento da agricultura em áreas demarcadas.
 
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Em uma matéria publicada pela Folha de São Paulo, o jornalista Gustavo Uribe relata que o presidente Jair Bolsonaro apresentou como solução para a diminuição do preço da carne no Brasil o uso de terras indígenas para a criação de boi. Ele cita que os preços aumentaram com o crescimento da importação de carne para a China.
 
Este ano, durante um evento em uma aldeia Pareci, em Campo Novo do Parecis, a 397 km de Cuiabá, os ministros da Agricultura e do Meio Ambiente defenderam, em conversa com Mauro Mendes, o desenvolvimento da agropecuária em terras indígenas do Estado, algo que já ocorre em algumas regiões.
 
Mauro Mendes também defende outras intervenções em terras indígenas, como a retomada do traçado original da rodovia BR-158, no trecho que atravessa Mato Grosso e corta a reserva indígena Marãiwatsédé, do povo Xavante.
 
Leia a reportagem da Folha na íntegra:
 
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu nesta quinta-feira (19) a criação de gado em terras indígenas para reduzir o preço da carne no país. Ele afirmou que pretende incluir a regulamentação da agricultura e pecuária comerciais em terras indígenas na proposta de liberação da atividade de mineração.
 
A ideia inicial era que a proposta fosse enviada ao Poder Legislativo em setembro, mas acabou sendo adiada para o próximo ano. "O preço da carne subiu. Nós temos de criar mais bois aqui, para diminuir o preço da carne e eles podem criar boi", disse o presidente na entrada do Palácio do Alvorada.
 
Em novembro a inflação oficial teve aumento de 0,51%, puxada pela alta da carne. O produto sofreu uma disparada com o aumento das exportações para a China. O avanço das áreas de pecuária e de agricultura no Centro-Oeste e no Norte contribuem com o desmatamento na floresta amazônica.
 
Na entrada da residência oficial, o presidente cumprimentou dois indígenas e defendeu que eles tenham o direito de arrendar as suas terras para a agricultura, o que hoje não é permitido. "O índio vai poder fazer em sua terra o que o fazendeiro faz na dele", disse. "Se quer pegar a sua terra e arrendar para alguém plantar soja ou milho, faça isso, respeitando a legislação nossa", acrescentou.
 
Em tese, a legislação permite ao indígena usufruir da terra para a sua sobrevivência. Há casos em todo o país de índios que plantam produtos agropecuários e comercializam para gerar renda. Nos primeiros nove meses da atual gestão, o número de invasões a terras indígenas no país explodiu, segundo dados preliminares divulgados pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário), vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
 
Em todo o ano passado, foram registrados 111 casos do tipo em 76 terras indígenas. Somente de janeiro a setembro deste ano, o número pulou para 160 invasões em 153 terras indígenas

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