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Sábado, 05 de dezembro de 2020

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Sindicato dos Médicos de MT pede Lockdown para Cuiabá e Várzea Grande

Da Redação - Vinicius Mendes

22 Jun 2020 - 12:14

Foto: Reprodução

Sindicato dos Médicos de MT pede Lockdown para Cuiabá e Várzea Grande
O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed/MT) fez um pedido para que os prefeitos de Cuiabá e de Várzea Grande decretem Lockdown para evitar mais mortes pela Covid-19. O Sindimed afirma que o sistema de saúde está em colapso e que antes da pandemia as mazelas do SUS, que já não eram poucas, em tempos de pandemia expõem a péssima estrutura, a falta de profissionais e de condições de trabalho dignas. 

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Com o aumento exponencial de casos de Covid-19 na Baixada Cuiabana, os profissionais médicos comunicaram ao sindicato o esgotamento dos leitos de UTI na rede particular, e da falta de materiais e medicamentos, para garantia do atendimento à população, nos estabelecimentos públicos.

Nesse cenário o Sindmed afirma que as condições de trabalho dos profissionais são absolutamente precárias, e colocam em risco toda a população. Alegam que, além da falta de leitos, não existem medicamentos para sedação de pacientes internados nas UTI´S, e que precisam permanecer entubados, para sobreviverem a falta de oxigênio, provocada pelo comprometimento dos pulmões contaminados pelo Covid-19.

Nas palavras dos profissionais: "Estamos presenciando nossos pacientes se afogarem no seco e em profundo sofrimento, pela falta dos sedativos adequados". Segundo eles, cenas como essas estão sendo recorrentemente presenciadas.

Além disso, os relatos são de que os pacientes que entram na UTI e que são entubados, lamentavelmente, não se recuperam.

"A condição de impotência ante as circunstâncias, agrava-se pela sensação de constante risco de contágio, pela falta de equipamentos de proteção individuais adequados, e em quantidade suficiente para todos os profissionais", afirma o sindicato.

Também afirmam que a pandemia agravou o já constante adoecimento de servidores da saúde, mormente, pelas precárias condições de trabalho, ritmo de atendimentos, e típico stress provocado pela grande morbidade, que se abateu por toda nação.

O Brasil tem mais de 30 mil casos confirmados de Covid-19 em profissionais de saúde desde o início da epidemia no país, segundo dados que foram divulgados no dia 14 de maio de 2020 pelo Ministério da Saúde, na data em que o pedido foi protocolado. Eles acreditam que o número seguramente é muito superior.

Apontaram também que 199.768 profissionais foram identificados como casos suspeitos da doença e precisaram ser afastados. Além dos mais de 30 mil confirmados, mais de 110 mil estão em investigação e outros 53.677 já foram descartados (dados de 14 de maio).

Dos casos suspeitos, a categoria mais afetada é a dos técnicos ou auxiliares de enfermagem (34,2%), seguido dos enfermeiros (16,9%) e dos médicos (13,3%). Segundo o ministério, os dados ainda são preliminares.

"Mesmo para os profissionais de saúde diretamente envolvidos com os cuidados aos pacientes, o que se vê é que pouco se discute, sobre as condições e organização do trabalho, prevalecendo, até o momento, protocolos com recomendação de medidas individuais (higiene e uso de equipamentos de proteção), fundamentais, mas insuficientes para o controle geral da disseminação e da exposição ao vírus".

"Um claro exemplo disso é que pacientes que buscam atendimentos nas Unidades de Saúde, e que são classificados como verde ou azul (não são urgentes, podendo esperar até 4 horas pelo atendimento), ficam no mesmo local em que estão aguardando atendimento pessoas com sintomas de Covid-19", afirmou.

Com base nisso defendem a importância da testagem em massa de todos os profissionais de forma sistemática e constante. Todas as medidas de proteção previstas no protocolo de manejo clínico do coronavírus, no Brasil, dizem respeito à biossegurança. Porém, afirmam que há relatos de profissionais denunciando condições de trabalho precarizadas, higiene inadequada, jornadas extenuantes, falta de treinamento e, inclusive, insuficiência ou indisponibilidade de equipamentos de proteção, mesmo nos serviços de terapia intensiva.

O Sindmed também defende que o Lockdown se faz necessário para interromper o movimento da população, o que permite ganhar tempo e reduz a pressão nos sistemas de saúde. 

"Não basta que o isolamento seja parcial, ou "vertical" (isto é, apenas de idosos e pessoas em grupos de risco), pois, se o vírus se espalhar mais rapidamente no resto da população, inevitavelmente chegará aos idosos. Não apenas seria ineficiente, mas impraticável no país, tendo em vista que incontável número de idosos residem com crianças e jovens, sendo inviável separá-los das famílias, que podem trazer o vírus para dentro de casa e contaminá-los".

Eles argumentam que a inadequada efetivação do isolamento contraria o que afirmam especialistas, e as medidas adotadas por praticamente todos os países, e coloca a população em risco. Citaram também que as medidas de flexibilização, como a abertura de shoppings e bares em Cuiabá, já mostram seus resultados, com os números não param de crescer.

O Sindimed ainda requer a instalação de hospitais de campanha, sugerindo-se a utilização de espaços públicos atualmente sem utilização a exemplo do Estádio da Arena Pantanal. O ofício pedindo o Lockdown foi encaminhado para as prefeituras de Cuiabá é Várzea Grande e ainda para o Ministério Público Estadual de Mato Grosso.

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