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Segunda-feira, 10 de agosto de 2020

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“O isolamento social não criou os agressores, eles já existiam”, afirma defensora

Da Redação - Fabiana Mendes

12 Jul 2020 - 13:57

Foto: Bruno Cidade/DPMT

“O isolamento social não criou os agressores, eles já existiam”, afirma defensora
Nos primeiros cinco meses de 2020, 28 mulheres foram vítimas do feminicídio em Mato Grosso, um aumento de 75% em relação ao mesmo período de 2019, quando foram contabilizadas 16 mortes. Também houve um crescimento expressivo dos casos de registro de cena de nudez, ato sexual ou libidinoso íntimo sem autorização dos participantes, que saltou de um caso (janeiro a maio/2019) para 16 registros no mesmo período de 2020 – alta de 800%. O crime é descrito no artigo 216-B da Lei 13.772, de 19 de dezembro de 2018. Os dados são da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT).

Leia mais:
 Feminicídios aumentam 75% nos primeiros cinco meses deste ano

"Apesar de não ser motivo para a violência, fica bem evidente que esse aumento dos feminicídios ocorreu por conta da pandemia, infelizmente. Nada é motivo para a violência. O isolamento social não criou os agressores. Eles já existiam. Se não agredissem nesse momento, iriam agredir em outra oportunidade. Foi só um pretexto para que essa agressão aparecesse de alguma forma", afirmou a defensora pública Rosana Leite, coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) de Cuiabá.

Apesar do aumento nos casos de feminicídio, os homicídios dolosos com vítimas femininas, que incluem outras motivações para morte, como tráfico de drogas, reduziu 68% – 22 casos em 2019 contra sete em 2020. Os dados contemplam os 141 municípios de Mato Grosso.

Também ocorreram quedas nos registros de ameaça (-16%), lesão corporal (-10%), tentativa de homicídio (-25%), assédio sexual (-26%), dentre outros, sempre levando em conta os números de janeiro a maio deste ano em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A coordenadora do Nudem considera que está ocorrendo uma subnotificação dos casos de violência envolvendo mulheres. "Tenho convicção de que a violência doméstica e familiar nessa época de quarentena aumentou, mas as subnotificações são uma realidade. Isso é o mais preocupante, tendo em vista que, se as mulheres não estão denunciando, lavrando um boletim de ocorrência, elas estão sofrendo dentro de casa", destacou.

Campanha 

A preocupação com o aumento da violência contra a mulher durante a pandemia não é novidade. No dia 8 de junho, com o objetivo de estimular as denúncias e combater todo tipo de violência contra as mulheres durante o isolamento social, a Defensoria Pública de Mato Grosso lançou a campanha: "Eu uso máscara, mas não me calo!".

De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), os feminicídios aumentaram 143% em Mato Grosso, de 10 de março a 31 de maio de 2020, em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram registrados 17 casos este ano contra sete ocorrências em 2019.

"Se você olhar o quadro das estatísticas, o que aumentou de fato foi o feminicídio. Mas as subnotificações também aumentaram. Isso é muito grave. Há a necessidade de continuarmos combatendo diuturnamente essa violência porque é uma realidade e as mulheres estão morrendo dentro de casa", sustentou Rosana Leite.

Para a coordenadora do Nudem, o cenário atual é preocupante e precisa ser combatido por todos. "Isso é muito grave. Por isso, estamos sempre reforçando que o Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública está à disposição para orientação, propositura de ações, atuando em defesa dessas mulheres no enfrentamento da violência doméstica e familiar", disse.

Canais de atendimento

O Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública recebe denúncias e repassa orientações por telefone e WhatsApp: (65) 98463-6782.
Denúncias anônimas também podem ser feitas junto à Central de Atendimento à Mulher pelo Disque 180 (nacional), pelo 197 (Polícia Civil), para a região metropolitana, e 181, para o interior do estado. O atendimento é feito pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp).
 
Nova lei

Entrou em vigor na última terça-feira (dia 7) a Lei 14.022, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que prevê atendimento ininterrupto, inclusive presencial, dos órgãos de proteção a vítimas de violência doméstica durante a pandemia de Covid-19.

De acordo com a nova legislação, as denúncias de violência contra mulheres, idosos, crianças e pessoas com deficiência deverão ser repassadas com urgência às autoridades. Com o confinamento para evitar a propagação do novo coronavírus, a violência doméstica aumentou em todo o país.

A relatora da proposta (PL 1.291/2020), senadora Rose de Freitas (Podemos-ES), disse que a lei é fundamental neste momento. "É de grande importância porque nós estamos tomando as atitudes necessárias. É a construção a favor de uma mulher, presa dentro de um cenário, sofrendo as consequências da violência da cultura machista, que ainda perdura", declarou.

Rosana Leite apoiou a novidade. "Essa lei de fato prevê um atendimento diferenciado às camadas de vulneráveis e as mulheres estão precisando de um atendimento especial nesse momento. Elas precisam entender que o poder público não as abandonou, mesmo nessa época de quarentena", ressaltou a defensora.

 
 

12 comentários

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  • Nubia
    13 Jul 2020 às 09:34

    Por isso que tem tantas mulheres morrendo, porque, infelizmente, existem homens machistas, como estes que emitiram os comentários acima..... estamos com a senhora Dra. Rosana, esses poucos homens que comentaram aqui neste espaço, nem deviam ter nascido..... eles esqueceram que precisaram de uma mulher para nascer! Imbecis, ridículos, machistas e sem noção do mundo.... devem ser vazios, ignorante e insignificantes nos espaços onde atuam.... para serem notados tem que agredir e denegrir a imagem de uma profissional respeitadíssima!!!! Quando o bicho fica acuado ele ataca!!! Kkkk

  • Núbia Sleutjes
    13 Jul 2020 às 09:21

    Uma lei necessária para o atendimento da mulher..... muito bom! ??????????????

  • Eliane Menacho
    13 Jul 2020 às 09:14

    Dra. Rosana Leite grande defensora da convivência harmoniosa e de paz nos lares das famílias....sei da sua luta no combate à violência contra mulher e homens que te criticam com certeza sentem -se incomodados por são agressores ou que concorda com agressão contra mulher....quando um homem covarde agride uma mulher é pq ele não tem nem consciência que nasceu do útero de uma mulher por tanto jamais ele será superior a uma mulher e no dia em que todos os homens entenderem a magnitude de uma mulher trazer uma vida ao mundo ele a reverenciará e haverá a tão sonhada paz nas famílias...Parabéns pela incansável luta contra a violência contra a mulher Dra. Rosana Leite....os homens e mulheres de bem agradecem o seu trabalho tão necessário em tempos de aumento do feminicidio

  • Adriana Catelli Correa
    12 Jul 2020 às 22:43

    Dra Rosana Leite Antunes de Barros é um nome respeitado nacionalmente por seu trabalho em prol dos direitos humanos das mulheres. Fala com amplo conhecimento de causa, pois é imensamente qualificada na teoria e por sua atuação brilhante como Defensora Pública. Por sua enorme competência ela é chamada a dar entrevistas para discorrer sobre assuntos que são do interesse de toda coletividade. Aqueles que fizeram comentários negativos nesse espaço deveriam estudar mais e dar a sua contribuição para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, como Dra Rosana vem fazendo há tanto tempo. E não ficarem falando bobagens com argumentos que apenas demonstram o quanto são machistas e preconceituosos.

  • Suany Filho
    12 Jul 2020 às 22:36

    Parabéns Dra. Rosana, pelo excelente trabalho junto ao Nudem!!

  • Elis Regina Prates
    12 Jul 2020 às 22:10

    Dra. Rosana Leite é um ícone na defesa dos direitos das mulheres. Além de defensora pública é mãe, esposa e merece o respeito de todas e todos! Diante de todo conhecimento adquirido por ela, ainda dá poucas entrevistas, teria que dar muito mais! Parabéns Rosana! Quanto aos incomodados, devem ser um bando de machistas, recalcados! Pronto, falei!!!

  • Josi
    12 Jul 2020 às 22:09

    Os homens incomodados com essa lei e com o relevante trabalho da Dr Rosana, provavelmente são os fotos "homens de bem" que andam fazendo piadas misóginas e machistas por serem falocentricos sem sociabilidade civilizatória.

  • Glaucia Amaral
    12 Jul 2020 às 21:55

    Sempre aprendo com o estudo e sabedoria de Rosana. Quando aos que comentam com nome falso como essa (“arroba”) José Eduardo... que haja oração pra alma sem luz.

  • Paula Correa
    12 Jul 2020 às 20:56

    Importante alerta, Dra Rosana. Os números não mentem jamais e revelam a triste realidade que vivemos. Ainda bem que temos mulheres como a senhora que denúnciam a violência e defendem às mulheres.

  • Paolo
    12 Jul 2020 às 17:38

    Nooossaaaa num brinca...verdade memo?? KKKKKKKKKKKK.

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