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Projetos propõem ‘cota zero’ para a pesca e Federação concorda: ‘Pantanal não aguenta mais’

Da Redação - Isabela Mercuri

16 Abr 2019 - 16:57

Foto: Reprodução / Super pesca Brasil

Projetos propõem ‘cota zero’ para a pesca e Federação concorda: ‘Pantanal não aguenta mais’
A deputada estadual Janaína Riva (MDB) propôs, no último dia 27 de fevereiro, uma modificação na Lei 9.096/2009, referente à Política Estadual de Pesca. Uma das determinações do projeto, que encontra-se agora na Comissão de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Recursos Minerais, é a cota zero para pesca amadora. Mas não é só a deputada que defende esta ideia. Além dela, o Conselho Estadual da Pesca (Cepesca), o deputado Dilmar Dal Bosco e a Federação de Pesca Esportiva e Amadora de Mato Grosso concordam em diversos pontos.

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Segundo Tarso Lopes, presidente da Federação, o Cepesca e o deputado Dilmar devem divulgar seus projetos, no mesmo sentido, em breve. No de Janaína, as principais modificações estão em proibir o abate e transporte de pescado em todo o estado pelos próximos cinco anos, com a quantidade sendo modificada depois disso, além de manter a proibição permanente do abate de dourado e piraíba. Veja a proposta na íntegra AQUI.

“O Pantanal não suporta mais a retirada de peixes”, alerta Tarson. “Esta questão da cota zero precisa ser explicada, porque cota zero é um slogan, mas na verdade seria ‘transporte zero’. Mato Grosso do Sul já adotou, Goiás já adotou há cinco anos, e se a gente não fizer, todo mundo vai subir pro Pantanal de Mato Grosso, e aí que vai acabar o nosso peixe mesmo”.

O decreto de cota zero de Mato Grosso do Sul foi anunciado em 31 de janeiro, pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB). Na época, o presidente da Federação publicou um vídeo parabenizando o governante pela ação. Logo depois, em fevereiro e março, ele chegou a se reunir com o governador Mauro Mendes (DEM) para pedir o mesmo em Mato Grosso.

“Mato Grosso do Sul em 2020 será cota zero, fizeram decreto esse ano, e na verdade era pra sair junto Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mas eles saíram na frente. E Goiás tem há cinco anos. Se nós não tomarmos medidas pra proteção do Pantanal, do pescado - e não só da cota zero, mas outras atitudes também, como lixo e esgoto - nós vamos estar com nosso estoque de pescado cada vez mais abaixando, vai abaixar a um nível que ninguém vai conseguir pegar mais nada”, lamenta.

Segundo Tarson, o grande problema da pesca amadora está na quantidade de peixe que acabam sendo levados do rio. “Nós temos uma estatística que 400 mil carteiras de pesca são direcionadas para Mato Grosso. E se você calcular, a cota do pescador amador é uma cota diária. Ela não fala que pode, por exemplo, pegar 5kg e mais um exemplar por mês, é por dia! Se a fiscalização pegar, ele tem que estar com 5kg e um exemplar. As pessoas que vem de fora, nesse sentido, vão levar 5kg. Mas as pessoas que pescam aqui dentro do estado, poderiam ir lá todos os dias e tirar 5kg e um exemplar, de qualquer tamanho. Então se a gente pegar 400 mil carteiras só de fora, e esses caras levarem 2kg de peixe, já dá 800 toneladas. A gente entende que o Pantanal não suporta isso mais. Por isso a nossa luta, a nossa luta tem mais de um ano já pra que chegue à cota zero”.

Por outro lado, para Tarson, é preciso enxergar que o peixe dentro do rio traz mais dinheiro ao Estado do que fora, por meio do fomento do turismo e seus adjacentes, como transporte, posto de gasolina, rede de hotéis e mais. Por este motivo, a Federação entende que essa proibição deveria ser definitiva.

Vale lembrar que a ‘cota zero’, em todas as propostas, valeria somente para pescadores amadores. Os profissionais, ribeirinhos e quem pesca para subsistência não seriam prejudicados, assim como aqueles que querem pescar apenas um exemplar para comer na beira do rio.

Tarson também rechaça a teoria de que o peixe, no sistema ‘pesque e solte’, não sobrevive porque volta para o rio machucado. “Não tem nada a ver. Tanto que nós temos o exemplo do dourado. O dourado está proibido há quatro anos no estado, e nós não temos um estudo pronto, estão fazendo, mas o estoque de dourado visivelmente cresceu demais. Então eu contesto essa teoria na prática, porque eu moro lá e vivo no dia a dia. E o professor Darci Carlos, um estudioso genético de peixes, não concorda com isso. Pode até machucar o peixe, mas o que precisa ser feito é uma conscientização de como você precisa soltá-lo no rio”.

Além da cota zero, a Federação de Pesca busca um projeto de coleta seletiva de lixo no Pantanal, e outro de capacitação de guias turísticos nas regiões de Barão de Melgaço, Poconé e Santo Antônio do Leverger.

45 comentários

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  • Jair Sales
    23 Ago 2019 às 17:34

    Na verdade quem acabou com os peixes no pantanal foram os profissionais e os redeiros Pescadores com redes) que usam esse método a noite e ainda vendem peixem para pousadas, barcos hotéis. São informações de piloteiros da região. Então a cota zero tem que ser para todos e haver mais fiscalização, inclusive a noite.

  • salvador amorim da silva
    28 Jul 2019 às 16:14

    se for dessa forma, que não prejudique o pescador profissional estou de pleno acordo, agora o que precisa e maior fiscalização no pantanal, exemplo minha cidade Barão de Melgaço, porque não dizer fiscalizar até mesmo quem esta recebendo do governo sem ser pescador.

  • EVERTON MOTA SOARES
    17 Abr 2019 às 14:14

    Vamos fazer um comparativo bem básico. 400.000x70=28.000.000 Esse é o valor arrecadado anualmente só com licença amadora de pesca. O custo de uma pesca amadora de fim de semana gira em torno de 500,00, que seria Gasolina do barco 100,00 Combustivel do Carro, 100,00 Isca 100,00 Alimentação e bebida 200,00 Isso para fazer uma pesca economica. Fora todo a equipamento que vc compra, barco, carretinha, motor, varas e molinetes, anzois, chumbadas, camisetas, coletes salva vidas e uma infinidade de coisa, ou seja, o pescador amador fomenta o mercado. E o pescador profissional?????? A carteira de pesca dele é isenta, ele derruma uma arvora para fazer a canoa e o remo, cavuca toda a beirada do rio para pegar minhoca para pegar a isca para começar a pesca predatória dele, Pescador profissional pesca com todo tipo de pesca predatória que existe, anzol de galho, espinhel, redes, tarrafas dentre outras maneiras ilegais que existe. e a culpa é dos 400.000 mil habilitados a pescar que em sua maioria nem chegam perto de um rio, e a outra minoria vai quando abre a pesca e quando está para fechar. Pescar é caro, o pescador amador trabalha a semana toda e não tempo de ir no rio todo dia retirar a sua cota de 5 kilos e 1 exemplar. O que falta nos rio é fiscalização.

  • José Antonio
    17 Abr 2019 às 11:25

    Estive por três dias no Pantanal nesse ultimo final de semana mas precisamente no Rio Piquiri, Três irmão, São Lourenço e Rio Cuiabá. Você tem que andar muito para encontrar um barco de pescador amador. O que se vê, são profissionais enchendo Freezer de pescado para comercializar. A esses pseudos entendidos vai um alerta que fiz há mais de 20 anos. O que acaba com o peixe do Pantanal são os Jacarés. Vocês imaginam quantos milhões de Jacarés tem na bacia do Pantanal? Vocês sabem quantos quilos de Peixe um Jacaré come por dia? As respostas para essas perguntas, estão num estudo feito pela Embrapa de Corumbá na década de 80. Segundo o estudo, cada jacaré come até 15 Kg de Peixe por dia. Isso, quando tem. Imagina o que os milhares( pra não dizer de novo, milhões) de jacarés comem nos rios do Pantanal? Seria preciso dizer que é só peixe?O que na verdade precisa, é de uma Lei autorizando a caça controlada do Jacaré, a onde o caçador credenciado paga uma taxa e é obrigado a fornecer a carne excedente a sua cota para entidades filantrópicas do Estado. Ao Estado caberia manter um Frigorifico para armazenar o excedente e fazer a distribuição. A Sema ou Ibama caberia a comercialização da Pele o que ajudaria na compra de barcos, contratações de fiscais e outras despesas. Vocês tem ideia

  • ASSIS
    17 Abr 2019 às 10:31

    Concordo com a cota zero desde que seja para todos. Os pescadores profissionais e quem pratica pesca predatória é que acabam com os peixes do rio, o amador vai no rio duas a três vezes por ano e na maioria das vezes pega só cachaça. Além disso, o lixo, o esgoto sem tratamento e o desmatamento ilegal prejudicam bem mais que os pescadores amadores.

  • José Carlos
    17 Abr 2019 às 10:02

    Então quer dizer que o pescador amador é que acaba com os peixies ? É facil identificar quem realmente é o culpado, veja as ultimas prisões (pesca ilegal, pesca na piracema, etc...) e colocam no papel, se o pescador amador é o culpado. Sou a favor de que o pescador profissional cuide do Rio e dos peixes, veja quantos deles capturam dourado (extinção) e quantos kg de pescado cada um tiram do rio.. Ae verificam e mostram os numeros

  • A BARROSO
    17 Abr 2019 às 09:59

    A pesca deve ser abolida como esporte e lazer. Alguém denominado como ser humano e que precisa "matar" qualquer ser animal da natureza como forma de lazer ou quebra de stress é no mínimo, carente de consciência ambiental e humana. Nos países desenvolvidos já se aboliu pois lá já acabou. Esperar acabar aqui também. Ferir o animal e deixá-lo ao tempo, fora do seu meio, agonizando, é desumano. Por falta de alimento também não justifica, pois as carnes de frango, suíno e bovino estão com preços não tão absurdos. Muito mais em conta que os custos de organizar uma pescaria. Pesca não, meu povo. Salve o peixe do rio enquanto ele existe.

  • Juliao Petruquio
    17 Abr 2019 às 09:45

    A pesca esportiva é do dourado e pintado. Por isso a federação é favoravel a esta lei. E é logico que machuca sim o peixe. Quantas linhas com anzóis não arrebentam e ficam no peixe.

  • Critico
    17 Abr 2019 às 09:41

    E o pescador profissional pode retirar toneladas?

  • Critico
    17 Abr 2019 às 09:41

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