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CPT lança documentário sobre o Projeto de Desenvolvimento Sustentável Nova Conquista II

Da Redação

01 Ago 2021 - 07:41

Foto: Reprodução

CPT lança documentário sobre o Projeto de Desenvolvimento Sustentável Nova Conquista II
O documentário "História de luta, resistência e conquista da terra: Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Nova Conquista II", que rememora uma luta popular de quase duas décadas por um pedaço de chão, foi lançado de forma virtual nas páginas no Facebook e Youtube da Comissão Pastoral da Terra (CPT), como parte da programação da 1ª Semana de Resistência Camponesa do Mato Grosso, na última sexta-feira (30).

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O audiovisual, com duração de 20 minutos, foi produzido pela CPT Regional Mato Grosso com o apoio das agências de cooperação Brot für die welt e Misereor. A direção e fotografia do documentário contou com a colaboração da fotojornalista, documentarista e comunicadora popular Andressa Zumpano, que se orgulha por poder documentar os modos de vida dos povos e comunidades tradicionais desde 2016, destacando os processos de resistência e bem viver. 

O PDS Nova Conquista II está localizado no município de Novo Mundo, na região norte do estado do Mato Grosso. A área até então pública que hoje abriga o Nova Conquista II, antes de se tornar um PDS, havia sido grilada e era conhecida como Fazenda Recanto. "A luta foi difícil, mas chegamos na nossa terra", é o que mais se ouve das 96 famílias (cerca de 250 pessoas) que agora vivem nas terras do PDS, lugar que guarda consigo uma grande história de pessoas que precisaram se organizar e lutar para terem acesso à terra.

Para hoje poderem chamar esse lugar de lar, essas famílias sofreram todo o tipo de violência física, psicológica e emocional: despejos, ataques de pistoleiros, ameaças de morte, perseguições, torturas, destruição dos barracos, incêndios, tiroteios e até envenenamento da água utilizada para beber. Após chegarem à terra, as famílias encontraram um lugar explorado ao máximo pelo agronegócio. Nascentes de água totalmente destruídas, matas ciliares derrubadas e o solo utilizado à exaustão para o plantio de monoculturas com grande utilização de agrotóxicos e sementes transgênicas.

O lugar sem vida, antes tomado por monocultivos e criação de gado, deu lugar à Vida. A produção das famílias é diversificada e farta: arroz, feijão, milho, batata doce, abóbora, maxixe, quiabo, jiló, pimenta, melancia, abacaxi, maracujá, mamão, amendoim, mandioca, alface, couve, cebolinha, além da criação de galinhas, porcos e vacas. "Antes éramos chamados de vagabundos, agora provamos para o povo da cidade que somos trabalhadores e que queremos a terra para trabalhar", conta Regina Barros, moradora da comunidade.

Além da produção de alimentos agroecológicos, a utilização de sementes crioulas e o não uso de agrotóxicos, as famílias realizam a recuperação de áreas degradadas e de nascentes, pensando na importância da água para o povo do campo e da cidade. Para a Pastoral da Terra, que acompanha essas famílias desde o início da luta, a retomada deste pedaço de chão e a transformação em um PDS mudou a vida de cerca de 250 pessoas, entre crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Ao chegarem na terra, a vulnerabilidade social e econômica das famílias diminuiu, pois encontraram liberdade, vida digna e alimento saudável em suas mesas.

"O direito de acesso à terra está garantido na Constituição Federal de 1988. Contudo, somente com organização social, luta e resistência é que se chega à terra, onde encontra-se liberdade e vida digna. E essa terra, antes concentrada, mas agora dividida, gera trabalho e alimentação saudável para o campo e a cidade", enfatiza a CPT no Mato Grosso.
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