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Quinta-feira, 18 de agosto de 2022

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Prefeito lamentou

Alfaiate mais antigo de Cuiabá morre aos 103 anos após sofrer parada cardíaca

Foto: Gustavo Carmona

Alfaiate mais antigo de Cuiabá morre aos 103 anos após sofrer parada cardíaca
Alfaiate mais antigo de Cuiabá, Antônio Armindo Pedroso Dias, conhecido como Seo Pedroso, faleceu aos 103 anos vítima de uma parada cardíaca. Ele teve os sintomas na sexta-feira (11) e não resistiu na manhã de sábado (12). Antônio já produziu mais de três mil peças ao longo de sua carreira.

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“Ele era um ícone da cuiabania, a família dele é muito amiga da minha, estivemos no aniversário de 75 anos de casado e no centenário dele. Tive a sorte de ter uma relação de amizade muito próxima com ele, então, vai ficar muita saudade. Peço a Deus que conforte os corações de toda a família e de todos aqueles que tiveram a honra de com ele conviver", lamentou o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro.

Ele estava internado na UTI após agravamento do quadro de saúde. Na sexta-feira, sofreu uma parada cardíaca e, na manhã deste sábado, não resistiu. O velório aconteceu na Capela Jardins, Sala Orquídea, em Cuiabá, na noite de sábado.

Nascido em Poconé (104 Km de Cuiabá), Antônio mudou-se com a família para Cuiabá ainda criança, em busca de mais oportunidades. Aos dez anos de idade, ele se matriculou em um curso extracurricular em alfaiataria, no Colégio Salesiano São Gonçalo, onde estudava. Aos onze anos, ele entrou para a Alfaiataria do Silvério Guimarães, onde fez a sua primeira peça completamente sozinho, uma calça. Logo em seguida aprendeu a fazer paletó.

Em 1930, Antônio estudava no período da manhã e à tarde trabalhava em uma alfaiataria na Praça da República, depois do expediente ainda trabalhava entregando jornais para ajudar nas despesas da família. Em 1939, a alfaiataria fechou por falta de clientela, depois disso, Antônio começou a viajar em busca de trabalho.

Aos 21 anos, Antônio precisou voltar para Cuiabá, após a morte da mãe. Ele decidiu montar o próprio negócio em parceria com um sócio, Apolônio de Souza. Juntos, eles montaram a Alfaiataria Capitólio, na rua Ricardo Franco, onde trabalhou até 1943, quando foi convocado pelo exército. Apolônio comandou a empresa durante a ausência de Antônio, até meados de 1949, quando romperam a sociedade.

Antônio então decidiu abrir outra alfaiataria na mesma rua e nomeou a loja como “Pedroso moda masculino”. No local, ele permaneceu por vinte e cinco anos e contou com a colaboração de seis funcionários devido ao aumento no movimento de clientes. O alfaiate ficou conhecido na baixada cuiabana por produzir ternos e gravatas para personalidades como Fernando Côrrea da Costa, José Fragelli, Carlos Bezerra e Jayme Campos. Os tecidos eram importados e comprados em São Paulo.

Gustavo Carmona, neto de consideração do alfaiate, contou ao Olhar Direto em 2019 que seu avô sempre manteve hábitos de vida saudáveis. “Ele me conta que vive uma vida regrada, nunca bebeu para passar mal, nunca comeu até ficar "cheio", não comia muita gordura e fumava apenas 3 cigarros por dia. Defende que as pessoas nunca podem ficar sem  trabalhar, sem fazer nada, porque o corpo adoece, e ficar dormindo em casa era seu pior pesadelo. Um de seus hábitos é acordar cedo e tomar seu café e logo após tomar seu guaraná ralado que tanto gosta”, afirma
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