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Segunda-feira, 22 de julho de 2024

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Dom Pedro Casaldáliga retorna a São Félix após suposta ameaça de morte

Foto: Viomundo

Dom Pedro Casaldáliga retorna a São Félix após suposta ameaça de morte
O bispo emérito de São Félix do Araguaia (1200 Quilômetros de Cuiabpa), Dom Pedro Casaldáliga, 84, voltou para casa após passar mais de três semanas fora de Mato Grosso, sob proteção da Polícia Federal, por supostamente ter sido vítima de ameaças de morte de fazendeiros da região.


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As ameaças seriam retaliações dos produtores rurais de Estrela do Araguaia, distrito de Alto Araguaia alvo de uma operação de desintrusão de todos os não-indígenas a fim de se consolidar a terra indígena Marãiwatsédé, do povo Xavante.

A chegada de Casaldáliga a São Félix ocorreu sem alarde, ao fim da primeira quinzena de janeiro de 2013. Ele, que é apoiador da causa indígena e fez coro pela retirada dos produtores. Dessa forma, acabou tido pelos simpatizantes dos ruralistas de Estrela do Araguaia como um dos responsáveis pela decisão da Justiça Federal de despejar todos os não índios da área.

Em Alto Boa Vista, por exemplo, uma série de pichações acusam Casaldáliga, em parceria com o secretário Nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, de ser culpado pela saída dos produtores rurais.

O bispo foi retirado de São Félix do Araguaia na madrugada do dia 7 de dezembro, onde mora em uma casa sem muros, escoltado pela Polícia Federal. De lá ele foi levado pra Brasília, onde foi homenageado pela presidente Dilma Rousseff (PT) em decorrência da atuação em favor dos sem terras e dos povos indígenas. Poucos dias depois ocorreu um conflito entre os moradores da área a ser descupada e as forças policiais respnsáveis pela ação de despejo.

A saída dele da região Norte Araguaia, no entanto, causou revolta entre os produtores rurais da região. Para s ruralistas, as supostas ameaças e a escolta da Polícia Federal foram apenas um teatro armado a fim de jogar a opinião pública, que já preferia a visão romântica dos índios Xavantes, contra eles.

De acordo com eles, Casaldáliga é inimigo dos fazendeiros de longa data e nunca foi bem quisto pela população de Estrela do Araguaia desde que teria se negado a celebrar missas no lugar. Além disso, há décadas o bispo coro a causa dos Xavantes.

No entanto, apesar de há tanto tempo ele ser rival dos produtores, os ruralistas afirmam nunca terem tentado nada contra o bispo emérito, mesmo quando ele ainda andava sozinho pelas cidades dos arredores, sem qualquer proteção. “Seria um tiro no pé, burrice”, argumentavam sempre que questionados a respeito do assunto.

A casa do bispo dom Pedro Casaldáliga continua sendo monitorada pela Polícia Federal. O esquema de segurança deve continuar, pelo menos, até o fim total da operação de desintrusão do distrito Estrela do Araguaia/terra indígena Marãiwatsédé.

A operação, levada a cabo por uma força tarefa que compreende Exército Brasileiro, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional de Segurança, já está em estágio avançado. Segundo o mais recente relatório enviado pela Funai, quase metade das propriedades rurais notificadas já estariam vazias.

Já a vila, conhecida como Posto da Mata, já está praticamente vazia. Os moradores da região iniciaram uma saída em massa após receberem um ultimato para sair, sob pena de serem presos pelo crime de desobediência.
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