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Sexta-feira, 15 de novembro de 2019

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Crime ambiental na UHE Teles Pires teria ‘respaldo’ do governo federal

A concessionária da UHE recebeu Licença de Operação (LO) dia 19 de novembro de 2014, mesmo com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) – que licenciou a obra – sabendo que a supressão vegetal (retirada da biomassa na área a ser alagada) não estava concluída. Com isso, a represa foi cheia rapidamente e milhares de troncos de árvores e galhadas permaneceram no local, parte boiando e outra parte submersa.

De Sinop - Alexandre Alves

20 Jan 2015 - 18:29

Foto: Alexandre Alves - Olhar Direto

Usina encheu lago após receber a autorização do Ibama: a supressão vegetal não estava completa e causará dano ambiental por dez anos

Usina encheu lago após receber a autorização do Ibama: a supressão vegetal não estava completa e causará dano ambiental por dez anos

O vergonhoso crime ambiental cometido no lago da Usina Hidrelétrica de Energia (UHE) Teles Pires, no município de Paranaíta (860km ao Norte de Cuiabá), teria ‘respaldo’ do governo federal, segundo fontes ouvidas pela reportagem do Olhar Direto. Isso por que há iminência de falta de energia elétrica no país, como fora sentido nesta segunda-feira (19), quando o Operador Nacional do Sistema (ONS) mandou fazer desligamentos em 11 estados devido a picos no consumo.
 
A concessionária da UHE recebeu Licença de Operação (LO) dia 19 de novembro de 2014, mesmo com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) – que licenciou a obra – sabendo que a supressão vegetal (retirada da biomassa na área a ser alagada) não estava concluída. Com isso, a represa foi cheia rapidamente e milhares de troncos de árvores e galhadas permaneceram no local, parte boiando e outra parte submersa.

Pesquisador alerta para a mortandade de ‘toneladas’ de peixes na UHE Teles Pires
Hidrelétrica Teles Pires enche reservatório sem terminar a supressão vegetal; veja fotos
 
De acordo com o biólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Philip Fearnside, a biomassa verde vai apodrecer dentro da represa e emitir gás carbônico e metano por, pelo menos, dez anos. “Com a estratificação da água no lago, com muito material verde se decompondo, a morte de peixes será inevitável. Os peixes são sensíveis à falta de oxigênio, que é o que ocorrerá com a água desse represamento”, comentou o pesquisador, que em 2007 foi um dos cientistas ganhadores do Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC).
 
Uma fonte ligada ao setor elétrico informou que o Ministério de Minas e Energia começou a “pressionar”, no final do ano passado, a pasta de Meio Ambiente – e isso inclui o Ibama – para acelerar as concessões de licenças ambientais para usinas hidrelétricas na Bacia Amazônica. O temor do governo federal é que o sistema elétrico entre em colapso em breve, com uma alta demanda no consumo e a capacidade de geração ‘estagnada’, sobretudo devido à baixa no volume de água nos principais reservatórios do país.
 
No caso da UHE Teles Pires, o programa de desmatamento e limpeza do reservatório é descrito em um relatório da Companhia Hidrelétrica Teles Pires, de junho de 2014. O desmatamento começou em 2013 e era projetado para terminar em outubro de 2014. Em junho do ano passado, um relatório da empresa informava que apenas duas áreas foram relatadas como já desmatadas, totalizando 1.040 hectares, dos quase nove mil ha a desmatar e limpar.
 
 “O Ibama sabia que a supressão vegetal na UHE Teles Pires não estava pronta, pois os técnicos do instituto faziam acompanhamento ‘in loco’ desse trabalho. Mesmo assim, emitiu a LO, nas vésperas de um feriado”, critica a fonte de Olhar Direto.
 
Conforme outra fonte, a própria presidente Dilma Rousseff (PT) teria ordenado um ‘pente fino’ na legislação brasileira, procurando ‘brechas’ para acelerar a emissão de licenças ambientais para a construção de hidrelétricas e também evitar a ‘judicialização’ das indenizações por terras que sofram alagamentos oriundos de usinas.
 
Outro fator que corrobora com as afirmações das fontes é a ‘pressa’ do governo em fazer uma linha de transmissão alternativa para escoar a energia que será gerada na UHE Teles Pires até ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A partir de meados de 2015, aquele empreendimento energético já estará com sua capacidade total de operação, mas o ‘linhão’ conectando a hidrelétrica ao SIN, em Goiás, ainda vai demorar a ser concluído devido ao atraso nas obras na região Araguaia. Com isso, a medida emergencial será construir uma rede ligando as UHEs do rio Teles Pires até a cidade de Sinop, que está interligada ao sistema.

12 comentários

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  • osvanio
    21 Jan 2017 às 13:42

    Esse e o descasso com o meio ambiente, passei no rio paranaita, tambem alagado pela hidreletrica, nas margens do rio, a agua atinge temperatura elevada, cousa talvez pela decomposicao da madeira ali deixada..... LEI para quem nao pode pagar. quem tem $$ NÃO EXISTE LEI..

  • Dorvalino
    22 Jan 2015 às 20:35

    Não há nem uma novidade nisso, todos nós sabemos que a legislação brasileira serve apenas para manobras de interesses políticos e econômicos. Com um pouquinho de influencia politica e um bom projeto milionário se faz qualquer lei. Estamos no Brasil, onde a lei foi feita por defensores do capital, em nome do capital, pra defender o capital. Se você tem R$, você é a lei!!!!!!!!!!

  • Madeliz Saldanha
    22 Jan 2015 às 19:32

    Vergonha! Que país é esse!

  • W. Ambiental
    22 Jan 2015 às 08:25

    Se estão "afogando" parte da área de alagamento não desmatada (conforme determina a lei), temos um sério problema: Esta vegetação não desmatada já recebeu do Ibama a Autorização para Supreção de Vegetação. Com esta autorização, Já foram CREDITADOS para o empreendedor uma considerável Volumetria de Madeira, como um "cheque em branco". Estes créditos de madeira Não serão devolvidos!!! (pq seria o mesmo que admitir o crime de não retirar a madeira da área alagada). Resultado (como já ocorreu em outros empreendimentos hidroelétricos): Estes créditos vão para o "mercadão ilegal" e CERTAMENTE serão usados para acobertar madeiras retiradas ilegalmente de teras indígenas, etc... E agora??? Com a palavra o senhor superintendente do ibama no MT sr. "BNN de PJM" ou "Mr Keynes".....

  • M
    21 Jan 2015 às 15:07

    O QUE DIZER VENDO ISTO ACONTECER NO MEU ESTADO ... PRÓXIMO A MINHA CASA ? PALAVRAS TALVEZ NÃO EXPRESSEM O QUE ESTOU SENTINDO ... É UMA VERGONHA !! ONDE ESTÁ A FISCALIZAÇÃO ? IBAMA SEMA ...COMO DEIXARAM CHEGAR A ESTE PONTO ?? TEVE QUE SER VISTO POR OUTROS EM VEZ DO IBAMA FISCALIZAR ... ODEBECHT CHEGOU AQUI PROMETENDO MUNDOS E FUNDOS MAS ESTÁ AI O PAGO QUE ESTAMOS TENDO COM ESSA USINA ... UM DOS DAQUI A ALGUNS ANOS (ACHO QUE NEM ISSO) NÃO TERÃO INÚMERAS ESPÉCIES MAS AQUI NO MT ...PEIXES , REPTEIS , MAMÍFEROS, EXISTEM INÚMERAS QUE AINDA NÃO FORAM CATALOGADAS ... EU COMO FUTURA BIÓLOGA ME SINTO MAL ... TRISTE EM VER ESSAS IMAGENS ... EU ESPERO NO FUTURO PODER AJUDAR A MINIMIZAR TAMANHA CRUELDADE COM O MEIO AMBIENTE ... QUERO VER O QUE VAI SER FEITO A RESPEITO DISSO E O QUE A UHE TELES PIRES IRA DIZER SOBRE!

  • BETO-SINOP
    21 Jan 2015 às 11:01

    COM CERTEZA ESSA BARBARIDADE TAMBEM VAI ACONTECER NA UHE TELES PIRES DE SINOP. NO TELES PIRES QUE COMPREENDE A REGIÃO DE SINOP, SO EXISTEM PEIXES MIUDOS, OS GRANDES BAGRES JA HÁ MUITO MIGRARAM PARA OUTRAS REGIÕES MENOS DEVASTADAS, ONDE AINDA SE CONSEGUE FISGAR JAUS, PINTADOS, CACHARAS, PIRAIBAS ENTRE OUTROS. QUE VENHA O PROGRESSO, MAS COM RESPONSABILIDADE AO MEIO AMBIENTE.

  • Vicente Miguel
    21 Jan 2015 às 09:42

    Infelizmente a Grande parcela da população , até tomar uma posição de fazer movimentos e provocar respeito nos seus Governantes, servirá como massa de manobra, Novamente estamos assistindo acontecer Achamos que o os desligamentos destes Linhões foi ao Acaso?, Foi para por temor na população que se ficarem reclamando muito , olha ai o que vai acontecer, FALTA ENERGIA, ai calam-se as bocas e engolem -se as mazelas com descasos AMBIENTAIS, e a população passa a ser CONIVENTE com os descasos AMBIENTAIS, simples assim meu POVO, e não terá mais cobranças, e se tiver ? as justificativas foram pré-anunciadas.

  • Edu
    21 Jan 2015 às 09:25

    Pode ser responsabilidade do IBAMA licenciar, mas e a SEMA? Também é órgão fiscalizador e tem atuação suplementar ao órgão federal. Ainda mais considerando que os danos e impactos estão sendo causados em MT. Observem que a SEMA está autorizando a execução de uma linha de transmissão emergencial ligando a UHE Teles Pires até Sinop. Tudo na base da "urgência". Ou seja, mais concessões para a empresa, sem cobrar o mínimo exigido no licenciamento e as reparações ao meio ambiente.

  • Alyne
    21 Jan 2015 às 08:56

    E dá-lhe Dilma! Essa senhora envergonha as MULHERES DO BRASIL! Esta não me representa!

  • sandro
    21 Jan 2015 às 08:36

    Que vergonha,que descaso,quem deveria proteger,é quem autorizou.MPF neles!

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