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Segunda-feira, 06 de dezembro de 2021

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Crime ambiental na UHE Teles Pires teria ‘respaldo’ do governo federal

A concessionária da UHE recebeu Licença de Operação (LO) dia 19 de novembro de 2014, mesmo com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) – que licenciou a obra – sabendo que a supressão vegetal (retirada da biomassa na área a ser alagada) não estava concluída. Com isso, a represa foi cheia rapidamente e milhares de troncos de árvores e galhadas permaneceram no local, parte boiando e outra parte submersa.

Foto: Alexandre Alves - Olhar Direto

Usina encheu lago após receber a autorização do Ibama: a supressão vegetal não estava completa e causará dano ambiental por dez anos

Usina encheu lago após receber a autorização do Ibama: a supressão vegetal não estava completa e causará dano ambiental por dez anos

O vergonhoso crime ambiental cometido no lago da Usina Hidrelétrica de Energia (UHE) Teles Pires, no município de Paranaíta (860km ao Norte de Cuiabá), teria ‘respaldo’ do governo federal, segundo fontes ouvidas pela reportagem do Olhar Direto. Isso por que há iminência de falta de energia elétrica no país, como fora sentido nesta segunda-feira (19), quando o Operador Nacional do Sistema (ONS) mandou fazer desligamentos em 11 estados devido a picos no consumo.
 
A concessionária da UHE recebeu Licença de Operação (LO) dia 19 de novembro de 2014, mesmo com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) – que licenciou a obra – sabendo que a supressão vegetal (retirada da biomassa na área a ser alagada) não estava concluída. Com isso, a represa foi cheia rapidamente e milhares de troncos de árvores e galhadas permaneceram no local, parte boiando e outra parte submersa.

Pesquisador alerta para a mortandade de ‘toneladas’ de peixes na UHE Teles Pires
Hidrelétrica Teles Pires enche reservatório sem terminar a supressão vegetal; veja fotos
 
De acordo com o biólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Philip Fearnside, a biomassa verde vai apodrecer dentro da represa e emitir gás carbônico e metano por, pelo menos, dez anos. “Com a estratificação da água no lago, com muito material verde se decompondo, a morte de peixes será inevitável. Os peixes são sensíveis à falta de oxigênio, que é o que ocorrerá com a água desse represamento”, comentou o pesquisador, que em 2007 foi um dos cientistas ganhadores do Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC).
 
Uma fonte ligada ao setor elétrico informou que o Ministério de Minas e Energia começou a “pressionar”, no final do ano passado, a pasta de Meio Ambiente – e isso inclui o Ibama – para acelerar as concessões de licenças ambientais para usinas hidrelétricas na Bacia Amazônica. O temor do governo federal é que o sistema elétrico entre em colapso em breve, com uma alta demanda no consumo e a capacidade de geração ‘estagnada’, sobretudo devido à baixa no volume de água nos principais reservatórios do país.
 
No caso da UHE Teles Pires, o programa de desmatamento e limpeza do reservatório é descrito em um relatório da Companhia Hidrelétrica Teles Pires, de junho de 2014. O desmatamento começou em 2013 e era projetado para terminar em outubro de 2014. Em junho do ano passado, um relatório da empresa informava que apenas duas áreas foram relatadas como já desmatadas, totalizando 1.040 hectares, dos quase nove mil ha a desmatar e limpar.
 
 “O Ibama sabia que a supressão vegetal na UHE Teles Pires não estava pronta, pois os técnicos do instituto faziam acompanhamento ‘in loco’ desse trabalho. Mesmo assim, emitiu a LO, nas vésperas de um feriado”, critica a fonte de Olhar Direto.
 
Conforme outra fonte, a própria presidente Dilma Rousseff (PT) teria ordenado um ‘pente fino’ na legislação brasileira, procurando ‘brechas’ para acelerar a emissão de licenças ambientais para a construção de hidrelétricas e também evitar a ‘judicialização’ das indenizações por terras que sofram alagamentos oriundos de usinas.
 
Outro fator que corrobora com as afirmações das fontes é a ‘pressa’ do governo em fazer uma linha de transmissão alternativa para escoar a energia que será gerada na UHE Teles Pires até ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A partir de meados de 2015, aquele empreendimento energético já estará com sua capacidade total de operação, mas o ‘linhão’ conectando a hidrelétrica ao SIN, em Goiás, ainda vai demorar a ser concluído devido ao atraso nas obras na região Araguaia. Com isso, a medida emergencial será construir uma rede ligando as UHEs do rio Teles Pires até a cidade de Sinop, que está interligada ao sistema.
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