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​Indígenas se defendem e afirmam que conflito só ocorreu para parar desmatamento

Da Redação - Vinicius Mendes

27 Out 2017 - 16:03

Foto: Reprodução

​Indígenas se defendem e afirmam que conflito só ocorreu para parar desmatamento
Os indígenas da comunidade Kanela, da aldeia núcleo da Aldeia Nova Pukanu, afirmaram que os conflitos com os fazendeiros no município de Luciara (a 1.188 km de Cuiabá) foram motivados por causa do descumprimento dos produtores rurais em desmatar a área que está em demanda judicial, mesmo após o pedido do procurador Wilson Rocha, da Procuradoria da República no Município de Anápolis, para que parasse o desmatamento. No último dia 21 os indígenas foram até a área e apreenderam os materiais usados no desmatamento.

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De acordo com os indígenas, em 2009 foi feito um levantamento que identificou que a área em Luciara era de propriedade da União mas estava improdutiva. Foi feito um requerimento por parte da Funai para que a terra fosse cedida para a comunidade Kanela. O pedido foi aceito, no entanto ainda está em demanda judicial, e não foi entregue oficialmente.

Os indígenas decidiram então aldear a área, que estava inabitada. No entanto, os fazendeiros vizinhos começaram a desmatar a região. Em uma visita ao local, em agosto de 2016, o procurador Wilson Rocha flagrou a ação de desmatamento dos fazendeiros. Após uma reunião, ele determinou que a área não deveria ser alterada até a conclusão do processo e que os fazendeiros retornassem às suas propriedades.

Porém, os fazendeiros decidiram não obedecer à determinação e continuaram com a ação. Após uma reunião, os indígenas decidiram ir até a área onde era feita o desmatamento, no último dia 21, e apreenderam uma motosserra, um trator com reboque, uma espingarda adulterada para o calibre 22 e tambores de gasolina e óleo, além de algumas peças de madeira, no intuito de cessar o desmatamento da área que está em processo para ser entregue a eles.

O secretário da aldeia, Pedro Kanela, afirmou que os indígenas têm o direito de apreender os materiais e que já no dia 21 foi feito um ofício informando as autoridades sobre o ato. No dia 25 foi feito outro boletim na Policia Civil, por parte dos indígenas, informando a apreensão.

“Tem uma lei que diz que todo o cidadão tem o direito de combater os crimes ambientais, e foi o que fizemos. Mas isto que passamos, vários indígenas passam, estão sendo reféns dentro das suas próprias terras. Mas quem estava aqui quando chegaram? Há quantos anos nós estávamos aqui. Até hoje vemos na mídia o índio sendo retratado como bicho, como um ser que não tem direito, a um espaço de sobrevivência, e nem sequer o direito de viver do seu jeito. Agora o branco sim, este pode fazer tudo, este pode desmatar, este pode dizer ‘isto é meu, esta propriedade é minha’, ele pode ir ao banco pegar dinheiro, pode entrar em todos os órgãos e ter acesso ao que quer, e o índio não”, afirmou o indígena.

3 comentários

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  • Que justiça é esta?
    06 Nov 2017 às 14:04

    Quem é quem nessa história eis a questão. Lendoa declaração do dito índio Kanella , até parece um coitadinho, na verdade este Sr. junto com outros comparsas, não passam de uns invasores que vêm depredando o meio ambiente se dizendo Índio. Várias autoridades têm sido omissas em relação a este problema. Têm ciencia dos fatos, sabem que está Fazenda nunca pertenceu a estas pessoas, mas não tomam nenhuma providência. As vezes a decepção nos faz desacreditar na justiça. Dá apoio a esse tipo de prática e veremos o futuro que nos aguarda. Quem tem seus bens, pense...

  • Primavera do Leste
    27 Out 2017 às 22:47

    Engraçado, aqui na minha cidade índio tem terra e mesmo assim vive na cidade mendigando tudo, não obstante conheco uns 3 produtores que mensalmente dão vacas, milho e combustível pra não ter "problema" com os vizinhos, fora os que moram no município "pros filhos estudar" e no fim de semana vão lá na BR tombar uma carreta pra saquear e depois vir vender na cidade... enfim, pobres índios né...

  • Morador de Luciara
    27 Out 2017 às 17:15

    Este nosso país é mesmo lugar de oportunistas em todas as esferas. Um grupo de pessoas que tem moradia, emprego, comércio, vários funcionários públicos efetivos se juntam e, com o intuito de receber os benefícios oferecidos pelo Governo aos índios que vivem em aldeias ( leite, medicamentos, passagens para andar pra cá e pra lá, espaço na mídia.... ) se intitulam índios e, sem deixar o conforto da cidade, escolhem uma terra, vão lá controem um barraco e ficam fazendo auê.. Com as bençãos de membros do MPF. Acaso fizeram estudo genealógico para provar que realmente essas pessoas são índios Kanela? Não Fizeram cruzamento de dados para ver se são servidores públicos, empresários, professores..? Também não. E os verdadeiros índios continuam em suas aldeias com suas necessidades e problemas.

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