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Dr. Bumbum quebra silêncio e afirma que hospital não detectou infarto em bancária de MT morta após cirurgia

Da Redação - Wesley Santiago

01 Fev 2019 - 09:50

Foto: Leo Correa/AP

Dr. Bumbum quebra silêncio e afirma que hospital não detectou infarto em bancária de MT morta após cirurgia
O médico Denis Cesar Barros Furtado, 45 anos, conhecido como 'Dr. Bumbum'  e apontado como o responsável pela morte da gerente bancária de Cuiabá, Lilian Calixto, que morreu após passar por um procedimento estético, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, quebrou o silêncio e afirmou que a morte da mato-grossense se deu por conta de um infarto miocárdico agudo, que – segundo ele – deveria ter sido diagnosticado e tratado pelo hospital que a atendeu.

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A defesa apresentou à Justiça um laudo, no dia 15 de janeiro, baseado nos exames da paciente realizados em seu atendimento no hospital. De acordo com o documento, assinado pelo perito Leví Inimá de Miranda, Lilian foi vítima de um “infarto miocárdico agudo”, sem relação com a aplicação de PMMA.
 
O perito afirma que o diagnóstico de embolia pulmonar é “errado e precipitado”. Além disto, acrescenta que, com base em exames de sangue e no eletrocardiograma realizados na paciente na entrada no hospital, “restou caracterizado um infarto miocárdico agudo. E esse infarto jamais foi visto, detectado e diagnosticado ou mesmo tratado pelo hospital”.
 
No entendimento do perito, a bancária deveria ter sido encaminhada, de imediato, ao Laboratório de Hemodinâmica, para submetê-la a uma angioplastia coronariana para reverter o infarto. Em seu Facebook, Dr. Bumbum – baseado no laudo – ainda aponta que Lilian ficou agonizando em uma sala de emergência.
 
O documento ainda aponta que “o infarto miocárdico agudo não tem nexo de causalidade com o implante do PMMA em região glútea. Assim, a paciente morreu naquela emergência sem diagnóstico e sem qualquer tratamento para o infarto miocárdico agudo”.
 
“A perda irreparável de uma mãe, filha e esposa, e para mim uma amiga, jamais será reparada, porém agora a família poderá buscar o que deseja, justiça verdadeira”, finalizou o Dr. Bumbum.

Liberdade

Os desembargadores da 7ª Vara Criminal do Rio aceitaram, por unanimidade, pedido de habeas corpus feito pela defesa do médico Denis Cesar Barros Furtado, o Dr. Bumbum, preso desde julho de 2018, acusado da morte da bancária cuiabana, Lilian Calixto, após procedimento estético.

O pedido foi aceito na noite da última terça-feira (29). Os desembargadores resolveram converter a prisão em medidas cautelares. Com isto, o médico deverá ficar em casa à noite e nos dias de folga, enquanto estiver sendo investigado. Além disto, não poderá deixar o Rio de Janeiro sem autorização da Justiça.

Laudo anterior

O laudo do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro apontou que a gerente bancária de Cuiabá Lilian Calixto morreu de embolia pulmonar, quando o fluxo sanguíneo do pulmão é interrompido. A mato-grossense foi a óbito em um hospital na Zona Oeste, horas depois de passar por um procedimento estético no apartamento do médico Denis Furtado, conhecido como 'Dr. Bumbum', no dia 15 de julho do ano passado.

No documento, o perito usou o termo "embolia em chuveiro", porque havia micro partículas espalhadas pelo pulmão, impedindo a oxigenação do sangue. Além disto, o laudo apontou quadro de choque, com falência de órgãos como fígado e rim.

Em seu depoimento, o médico admitiu que aplicou na paciente cerca de 300 ml de PMMA, material derivado do acrílico. O produto não é proibido no país, mas a recomandação da Anvisa é que seja utilizado em pequenas quantidades. Especialistas apontam que em áreas muito vascularizadas, como os glúteos, há risco de o produto atingir vasos maiores, e provocar uma embolia pulmonar.

O caso

Lilian teria ido para o Rio de Janeiro fazer um preenchimento de glúteo com PMMA, no dia 14 de julho, pela manhã. Primeiramente, a cirurgia estaria marcada para acontecer em Brasília, mas foi transferida em cima da hora para o Rio. Ela trocou a passagem e foi.
 
No sábado, após o procedimento, Lilian chegou a sair do local onde foi atendida para ir jantar. Logo depois, começou a passar mal e foi hospitalizada e sofreu um mal súbito. A hora da morte foi registrada às 2h da madrugada. No entanto, o Hospital teria ligado para o telefone do responsável – uma amiga, a única que sabia que ela faria o procedimento – só doze horas depois, às 14h deste domingo (15).
 
Lilian foi gerente do antigo HSBC e estava, agora, à frente das contas do banco Bradesco. Natural de Barra do Bugres, ela era muito conhecida na capital. Ela deixa dois filhos. Um rapaz de 25 anos, e uma menina de 13, além do marido
 
O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) abriu procedimento para apurar o caso. Famoso nas redes sociais, o médico possui mais de 600 mil seguidores e ofertava procedimentos de estética no Rio, em São Paulo e em Brasília. Nas redes sociais, ele é conhecido como 'Doutor Bumbum', em alusão aos procedimentos que realizava. 



 

3 comentários

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  • Lindomar cpa 4
    01 Fev 2019 às 12:40

    O mais vergonhoso é ver a imprensa tratar um sujeito desses como dr bumbum. Ah me poupe né?!

  • Willian
    01 Fev 2019 às 11:31

    Esse cara é totalmente despreparado e incompetente em sua profissão. Esse laudo do hospital está bem maquiado. O que vale é o laudo do IML, que determina com franqueza e detalhe a causa da morte. O tal Bumbum é o culpado pela morte sim da paciente. Cadeia nele sim.

  • Marcos Paulo
    01 Fev 2019 às 11:17

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