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Grupo de Emanuel defende recuo estratégico de reeleição e candidatura ao Paiaguás em 2022

Da Redação - Lucas Bólico

03 Out 2019 - 11:04

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Grupo de Emanuel se divide entre favoráveis e contrários à reeleição

Grupo de Emanuel se divide entre favoráveis e contrários à reeleição

O que parecia mero blefe de período pré-eleitoral começa a ganhar corpo entre apoiadores mais próximos do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB). Interlocutores do círculo íntimo do chefe do Alencastro defendem que o momento é de recuo estratégico da reeleição em 2020, para tentar reeditar o caminho que conduziu o ex-prefeito da capital Mauro Mendes (DEM) ao Palácio Paiaguás, em vitória no primeiro turno em 2018.

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A tese não é consenso no grupo político de Emanuel e enfrenta resistência, principalmente, na militância emedebista. Os defensores do recuo são pessoas mais próximas da figura do prefeito do que da militância partidária. Eles entendem que Emanuel chega ao fim do primeiro mandato com avaliação positiva e popularidade crescente. A ideia é evitar desgaste de um processo eleitoral, fazer o sucessor e manter em Cuiabá uma boa base de sustentação para uma candidatura ao Governo do Estado em 2022.
 
“Estamos chegando ao fim do primeiro mandato com grande aprovação popular. A gestão está bem avançada em infraestrutura, saúde, educação e a relação com o funcionalismo público está muito boa”, avaliou um dos defensores dessa tese ao Olhar Direto. O último item citado, aliás, é um dos pilares dessa estratégia. Antes de se lançar prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro acumulou capital político nos embates que travou na Assembleia Legislativa de Mato Grosso contra o governo Pedro Taques (PSDB) em defesa dos direitos dos servidores públicos. No Alencastro, honrou salários em dia, concedeu Reajuste Geral Anual (RGA) e manteve boa relação com diferentes categorias.  
 
Neste começo de mandato, o governador Mauro Mendes já enfrentou greve na Educação e tomou medidas impopulares diante da pauta do funcionalismo. Os apoiadores de Emanuel apostam na manutenção da boa relação do prefeito com os servidores para, em uma possível disputa contra Mauro Mendes em 2022, usar isso como trunfo contra a atual administração. Outro ponto que merece atenção no debate sobre o futuro político de Pinheiro são as imagens da delação do ex-governador Silval Barbosa, em que o então deputado estadual aparece recebendo dinheiro em um gabinete. As alas que defendem a reeleição e as que apoiam o recuo neste momento entendem que os danos à imagem do emedebista já foram mitigados ao longo dos últimos anos e que o marketing eleitoral pode neutralizar o impacto negativo junto ao eleitorado.

Sem "trampolim"
 
A estratégia de evitar a reeleição ainda neutralizaria o discurso de que Emanuel, caso reeleito e dispute o Paiaguás dois anos depois, usou a Prefeitura de Cuiabá como “trampolim político” e abandonou o segundo mandato no meio para promoção de sua carreira política. O último político a se reeleger na capital e deixar o cargo para disputar o Paiaguás foi Wilson Santos (PSDB), em 2010, pleito que terminou em terceiro lugar. O próprio tucano admitiu que esse foi o maior erro de sua carreira política. Em 2016, quando voltou a brigar pela prefeitura, parte da estratégia de campanha foi admitir o tropeço e se desculpar com a população, mas acabou derrotado por Emanuel Pinheiro.


Em 2016, Emanuel Pinheiro venceu Wilson Santos na disputa pela Prefeitura de Cuiabá  

Pressão pela reeleição
 
No último dia 21 de setembro, membros de 13 partidos políticos fizeram um ato em político em Cuiabá para lançar Emanuel à reeleição. O prefeito compareceu e se empolgou, mas não bateu o martelo. “Dá vontade de ser candidato novamente. Uma manifestação como esta, em um momento em que os partidos se dividem, se digladiam, Cuiabá parece que é uma ilha isolada neste complicado e radicalizado processo político partidário e eleitoral brasileiro”, discursou na ocasião.
 
O presidente do MDB em Cuiabá, advogado Francisco Faiad, declarou que o ato de setembro foi mais um entre os planejados para engajar Emanuel a brigar pela reeleição. “No partido hoje, isso [disputa de reeleição] é unanimidade, tanto no ponto de vista municipal, quanto no regional. Hoje o MDB de Mato Grosso está unido pela candidatura de Emanuel. Vamos convencê-lo fazendo atos como este, demonstrando a força não só do MDB, como de todos os partidos que estão no nosso arco de aliança e que querem sua reeleição”, afirmou.

O nome da vice-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Janaína Riva (MDB), é o mais cotado dentro da legenda para substituir Emanuel diante de eventual recusa em disputar a reeleição. A parlamentar garante que a reeleição do atual prefeito é prioridade, mas já admitiu a possibilidade de disputar, desde que Pinheiro se recuse e exista consenso no partido. “Tudo pode acontecer, eu não fecho portas para nada. Não é meu projeto para o ano que vem, mas se chegar a acontecer ou não encontrar um candidato consenso, eu acho que não posso fechar minhas portas. Se for um projeto macro, com apoio dos grupos, eu estou pronta. Mas não estou disposta a brigar por isso”, disse Janaina recentemente.

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